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Cantanhêde defende renúncia de Moraes: “Única saída”

Alexandre de Moraes Foto: EFE/ Andre Borges
Alexandre de Moraes Foto: EFE/ Andre Borges

Plenário do STF vai decidir sobre a troca de mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro

https://a6b08f635635ff154e56ea4705bc51d1.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-45/html/container.htmlEm um artigo publicado no último sábado (12) em sua coluna no Estadão, a jornalista Eliane Cantanhêde defendeu que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), renuncie ao cargo antes que seja obrigado a deixá-lo. A fala se refere à investigação sobre o magistrado que será analisada nesta terça-feira (15) no plenário da Corte.

Cantanhêde afirmou que o STF não pode ignorar os questionamentos envolvendo Moraes e citou o contrato de R$ 134 milhões relacionados a Daniel Vorcaro e o escritório de sua esposa, Viviane Barci. Segundo a jornalista, uma decisão para preservar o ministro poderia afetar a imagem do Supremo e ter impacto nas eleições presidenciais.

– Se for nessa direção, o plenário vai concluir o desmoronamento do Supremo sem conseguir salvar a pele, a reputação e o destino de Alexandre de Moraes. Em vez de desmoronar um, desmontaria a corte com todos dentro – escreveu.

A jornalista também questionou a intenção de Moraes de fazer um pronunciamento antes da sessão desta terça. Ela citou o contrato com o escritório de sua família e mensagens trocadas com o empresário Daniel Vorcaro, além do uso de mensagens com “visualização única”.

Para Cantanhêde, a renúncia seria uma forma de reduzir a tensão dentro do STF e evitar que outros ministros precisem defender Moraes publicamente. Ela também criticou a possibilidade de o ministro deixar o cargo apresentando novas acusações contra o ministro André Mendonça.

– A única saída para Alexandre de Moraes é renunciar à toga, antes que seja obrigado a despi-la. Com esse ato, estaria dando uma trégua à divisão – ou polarização? – no STF e livrando seus pares, sobretudo os paus para toda obra, do profundo incômodo de ter de defendê-lo sem argumentos – avaliou.

A colunista também tratou do ministro Edson Fachin e disse que ele passou a receber apoio por separar o caso de Moraes das críticas relacionadas a Mendonça. Para ela, os dois episódios não deveriam ser analisados como se fossem um só.

A jornalista reconheceu que Mendonça também deve prestar esclarecimentos, inclusive sobre a demora na apuração do caso “Dark Horse”, que envolve Flávio Bolsonaro. Ainda assim, afirmou que a situação de Moraes é mais grave e pode levar a discussão para o campo eleitoral.

– O problema de Moraes é muito mais grave, desvia o foco da eleição para o Supremo e pode deixar cicatrizes indeléveis. Aliás, que mal lhes pergunte: se a cabeleireira Débora pegou 14 anos de prisão por pintar a estátua da Justiça com batom, qual a pena para quem joga lama na Justiça? – questionou.

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