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Oportunismo: três anos após explorar bilhões das bets, Lula prova que sua única preocupação é com o “vício” pelo “poder”

O tiro “saiu pela culatra”. Aliados do governo Lula já admitem que a Medida Provisória contra as bets soou como puro oportunismo a poucos dias da eleição. A súbita preocupação com a saúde pública não convenceu ninguém.

A contradição do Planalto é evidente: após defender a regulamentação das apostas para arrecadar bilhões e ajudar no equilíbrio das contas públicas, o governo agora adota um tom punitivo e moralista contra o mesmo setor que ajudou a regulamentar.

A mudança repentina de discurso levanta questionamentos. Se as apostas representam um problema tão grave de saúde pública, por que o governo optou primeiro pela regulamentação, fiscalização e tributação das bets?

A regulamentação das apostas de quota fixa foi consolidada durante o governo Lula, especialmente com a Lei nº 14.790/2023. O setor passou a ser submetido a regras específicas e a gerar receitas tributárias para a União.

Agora, às vésperas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o governo decidiu mudar radicalmente de posição e anunciou medidas para proibir as bets.

A estratégia, porém, teria provocado reação negativa até mesmo entre aliados, segundo críticas e avaliações divulgadas nos últimos dias. A oposição também acusa o governo de tentar transformar em pauta eleitoral um problema que já era conhecido quando o mercado foi regulamentado.

A contradição é difícil de ignorar: durante anos, o governo tratou as apostas como uma atividade que poderia ser controlada pelo Estado, regulamentada e tributada. Agora, apresenta o setor como uma ameaça que exige uma resposta radical.

O eleitor fica diante de uma pergunta simples: se o problema era tão grave, por que o governo demorou tanto para agir?

A discussão sobre os efeitos das apostas e o vício em jogos é legítima e envolve questões de saúde pública, endividamento e proteção das famílias. O que está em debate é a oportunidade e a coerência da mudança de postura do governo.

Para os críticos, a iniciativa chega tarde demais e tem forte componente eleitoral. Depois de explorar a arrecadação proporcionada pelo setor, o governo tentaria agora se apresentar como defensor das famílias contra as próprias bets que ajudou a colocar dentro de um mercado regulado.

O tiro, nesse caso, pode ter saído pela culatra.

A súbita transformação do governo, de regulador e arrecadador para crítico e proibidor, abre espaço para uma interpretação incômoda: mais do que uma mudança de política pública, a medida poderia representar uma tentativa de controlar a narrativa política às vésperas das urnas.

No fim, permanece a pergunta: trata-se de uma preocupação genuína com o vício em apostas ou de mais um movimento de um governo preocupado em preservar o poder?

Crédito: com informações do Luiz Bacci, post abaixo:

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