O mercado financeiro reagiu de forma negativa com a vitória do PT
Nesta segunda-feira (26), o mercado financeiro registrou fortes quedas na Bolsa de Valores brasileira, no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. As ações de empresas do varejo e da construção civil lideraram as perdas, em meio à alta dos juros futuros e do dólar.
O Ibovespa encerrou o dia em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, após recuar mais de 17% durante a manhã. O volume financeiro chegou a R$ 88,6 bilhões, acima da média diária de aproximadamente R$ 25 bilhões.
Entre as empresas mais afetadas, o Magazine Luiza registrou baixa de 58,23%. O Assaí também sofreu perdas, com recuo de cerca de 48% por volta do meio-dia. Renner e Azzas 2154, dona das marcas Arezzo e Schutz, caíam aproximadamente 38% e 37%, respectivamente, no início do pregão.
No setor imobiliário, Cyrela e MRV tiveram quedas de 43,4% e 40,5%, respectivamente, por volta das 11h10. Cury recuava 27,4%, enquanto Direcional e Tenda registravam perdas de 22,5% e 21,6%.
A reação ocorreu após Lula ser reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que aguardavam uma mudança no comando do governo federal.
Durante a manhã, a Bolsa acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações diante de quedas acentuadas. O episódio foi o primeiro em seis anos. Ao longo do pregão, o índice recuperou parte das perdas, mas terminou no menor nível de preços desde 31 de agosto.
As taxas dos contratos de juros futuros subiram cerca de 250 pontos-base, e os vencimentos mais longos ultrapassaram 16% durante a manhã. A alta indica que os investidores passaram a exigir juros maiores para emprestar dinheiro no futuro.
O encarecimento do crédito afeta empresas e consumidores. No varejo, pode reduzir as compras parceladas e pressionar as vendas de produtos como eletrodomésticos, eletrônicos e roupas. No caso do Assaí, juros elevados também podem aumentar as despesas financeiras e comprometer parte do orçamento das famílias.
Na construção civil, o cenário eleva os custos de financiamento das empresas e dificulta o acesso dos consumidores ao crédito imobiliário. Programas habitacionais e linhas de financiamento voltadas à população de baixa renda podem amenizar parte dos efeitos, mas não eliminam a pressão provocada pela alta generalizada dos juros.





