O Governo do Distrito Federal (GDF) está próximo de alcançar uma solução considerada decisiva para a recuperação do Banco de Brasília
A expectativa do Palácio do Buriti é cumprir, até a próxima sexta-feira (29/5), cerca de 70% do programa de recuperação apresentado ao Banco Central, garantindo reforço de capital e liquidez à instituição financeira.
O avanço ocorre após o GDF captar os primeiros recursos da securitização da dívida ativa do Distrito Federal em operação estruturada pelo BTG Pactual.
A primeira ‘tranche’ (divisão de um grande pacote de investimentos ou contratos financeiros em pedaços menores), no valor de R$ 1 bilhão, já foi transferida aos cofres do governo distrital e será destinada ao fortalecimento do BRB.
O banco precisou reforçar sua estrutura financeira após registrar prejuízos relacionados à aquisição de carteiras de crédito falsas vinculadas ao Banco Master.
Como acionista majoritário da instituição, o GDF assumiu a responsabilidade de liderar o processo de recuperação e capitalização do banco público.
Segundo o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, a operação de securitização prevê três etapas de captação. O valor de cada tranche dependerá do fluxo de recebimento da dívida ativa e do rating das operações, calculado conforme o perfil dos devedores e a possibilidade de recuperação dos créditos.
Na prática, o governo transforma créditos da dívida ativa, valores devidos por pessoas físicas e empresas ao Tesouro do DF, em ativos financeiros negociáveis no mercado. A dívida ativa do Distrito Federal está estimada em cerca de R$ 52 bilhões.
Por meio da operação, o GDF poderá levantar aproximadamente R$ 22 bilhões ao longo do tempo. Inicialmente, a expectativa é obter cerca de R$ 4 bilhões referentes à chamada cota sênior da operação.
Em entrevista recente ao Metrópoles, Valdivino explicou que os Certificados de Dívida Ativa (CDA) serão convertidos em papéis aceitos pelo mercado financeiro, como debêntures, dentro de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).
“O governo está transformando créditos da dívida ativa em ativos financeiros com maior liquidez e aceitação no mercado, permitindo antecipar receitas importantes para fortalecer o BRB e preservar a estabilidade do banco”, destacou o secretário.
Além do aumento de capital, o plano de recuperação do BRB também prevê medidas para ampliar a liquidez da instituição.
O banco já iniciou a venda de ativos considerados saudáveis oriundos do Banco Master, em operação conduzida pela Quadra Capital.
A expectativa é que o BRB receba até R$ 3 bilhões até o final deste mês com a negociação desses ativos.
A estratégia montada pelo GDF busca restaurar rapidamente os indicadores financeiros do banco, reforçar a confiança do mercado e garantir a continuidade das operações da instituição, considerada estratégica para o desenvolvimento econômico do Distrito Federal.
Nos bastidores do governo, a avaliação é de que o avanço da capitalização e a venda de ativos saudáveis colocam o BRB em trajetória de estabilização, reduzindo riscos e aproximando o banco de uma recuperação definitiva.





