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Denúncia contra Temer divide bancada do DF

Foto: Reprodução

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Após ser torpedeado pelas delações dos executivos da JBS, o governo de Michel Temer (PMDB) não consegue consolidar maioria entre os oito deputados federais brasilienses para barrar a primeira denúncia da Procuradoria Geral da Republica (PGR). Augusto Carvalho (SD) e Erika Kokay (PT) já estão decididos e votarão pelo avanço do processo no plenário da Câmara dos Deputados. Laerte Bessa (PR) e Alberto Fraga (DEM) cerrarão fileiras ao lado do Palácio do Planalto para barrar a ação. Os demais parlamentares ainda não definiram posição, ao menos de público.

“O presidente deveria renunciar. Assim o País não ficaria mais sangrando. Em vez disso, ele transformou o Planalto em balcão de emendas e cargos para permanecer no poder”, afirma Augusto Carvalho. Érika Kokay apresenta argumentos semelhantes. “A denúncia da PGR é extremamente consistente. A mala de dinheiro não é uma ilação. Temer é indefensável. Por isso, a única preocupação do governo passou a ser manter Michel. Ele precificou a compra de parlamentares e faz toda sorte de manobras às custas do erário público”, dispara a deputada.

Segundo Alberto Fraga, a denúncia da PGR é muito fraca. “O País não pode sair dos trilhos. Não vejo dados suficientes para votar a favor dela. Entre a dúvida de quem fez a denúncia e a permanência do presidente, eu prefiro ficar com Michel”, argumenta. Em negociações para filiar-se no PMDB, Laerte Bessa classifica a denúncia como inepta. “Aceitar a denúncia é aceitar que o Brasil continue na recessão. E nas gravações da denúncia fica claro que colocaram palavras na boca do presidente. Foi um flagrante armado”, retruca.

Rogério Rosso (PSD) e Izalci Lucas (PSDB) ainda avaliam como irão votar. De acordo com seu gabinete, Rôney Nemer (PP) também pondera sobre a questão. Ronaldo Fonseca (PROS) passou a tarde de ontem lendo a denúncia da PGR. “Ainda estou indeciso. Mas, já posso adiantar que meu voto não será só político, será justificado. Minha responsabilidade será com o Brasil”, promete o parlamentar.

Saiba mais

  • Em maio do ano passado, quando assumiu interinamente a presidência da República, Temer conseguiria sem esforço maior a maioria na bancada do Distrito Federal, para questões triviais ou desafios hercúleos. Sete dos oito o apoiavam.
  • Para naufragar a denúncia, assinada pelo procurador-geral da Republica Rodrigo Janot, o presidente precisa evitar que a oposição consolide 342 votos pelo avanço da peça no plenário da Casa.
  • Os desdobramentos da operação Lava Jato pesam significativamente no posicionamento dos parlamentares. A cada fato novo, Temer enfraquece ainda mais. É um dos efeitos da prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB).
  • A permanência de Temer depende da continuidade da aliança com PSDB. A sigla está rachada e vem sendo pressionada pelas bases a abandonar o governo.

Mais tempo para reforma trabalhista

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), admitiu ontem que a votação da reforma trabalhista no plenário da Casa pode ficar para a próxima semana. Jucá não descarta que o tema seja analisado nesta quinta-feira, em uma sessão extraordinária, mas disse que, se for necessário fazer um acordo de procedimento com a oposição para garantir mais tranquilidade na votação, ele aceitará fazer a votação na terça-feira.

“Não descarto nada, mas acho que se a gente puder construir um clima para ter um debate civilizado, para ter uma condução em que todos possam falar e que efetivamente a maioria possa escolher o seu voto com tranquilidade, é melhor para o País”, disse.

Hoje os senadores vão votar o requerimento de urgência para o projeto. Se o requerimento for aprovado, são necessárias ainda duas sessões de interstício antes da votação. Para que a reforma seja votada ainda esta semana, seria necessária uma sessão deliberativa extraordinária na quinta-feira.

Outra questão que precisa ser definida é qual relatório será apreciado em plenário. O projeto passou por três comissões e teve aprovados dois relatórios favoráveis e um contrário à reforma. O governo opta pelo parecer do senador Ricardo Ferraço na Comissão de Assuntos Econômicos, avisou Jucá.

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