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Colômbia rompe relações com o Irã; Teerã condena ato

O governo iraniano diz que a decisão diplomática do país sul-americano sofreu influência dos EUA

O governo da Colômbia confirmou nesta quinta-feira (24) o rompimento de relações diplomáticas com o Irã, que entrou em vigor no último dia 19.

– A Chancelaria, em nome do governo da Colômbia, informa que, a partir de 19 de setembro de 2026, rompeu formalmente as relações diplomáticas com a República Islâmica do Irã – disse o Ministério das Relações Exteriores do país sul-americano em comunicado.

De acordo com o ministério, a decisão foi tomada dentro dos “pilares que guiam a política externa do governo em matéria de segurança nacional e hemisférica, e luta contra o crime transnacional”.

A decisão não implica, contudo, a ruptura das relações consulares, segundo detalhou a Chancelaria colombiana, que citou o artigo 45 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 e o inciso 3 do artigo 2º da Convenção de Viena sobre Relações Consulares de 1963.

Por isso, a Direção de Protocolo da Chancelaria declarou que comunicará às autoridades iranianas o procedimento a ser seguido após a decisão.

As relações diplomáticas entre Colômbia e Irã remontam a 28 de abril de 1975 e, embora tenham tido interrupções no nível de representação, os países mantiveram vínculos diplomáticos e assinaram acordos de cooperação em setores como cultura e assuntos consulares.

O Irã mantém uma embaixada em Bogotá, e a Colômbia atende suas relações com o país por meio da embaixada na Turquia.

Durante o governo de Gustavo Petro, os contatos bilaterais se mantiveram e, em fevereiro de 2023, o ex-presidente recebeu as cartas credenciais do então embaixador iraniano, Ahmad Reza Kheirmand, e nesse mesmo mês o vice-ministro das Relações Exteriores colombiano se reuniu com o vice-chanceler iraniano, Ali Bagheri.

No entanto, a ruptura ocorre em meio à guinada na política externa do governo colombiano, agora com Abelardo de la Espriella na presidência. Ele aprofundou vínculos com os Estados Unidos e reestabeleceu a relação diplomática com Israel, depois que Petro rompeu os laços com o Estado judeu em maio de 2024, devido ao conflito na Faixa de Gaza.

O novo governo colombiano anunciou em julho, antes de assumir o poder, que restabeleceria as relações com Israel e abriria uma embaixada em Jerusalém.

A aproximação também se refletiu na relação com os EUA. De la Espriella assinou acordos com o governo do presidente americano, Donald Trump, e recebeu em visita oficial o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

No comunicado, a Chancelaria colombiana destacou que, além dos supostos vínculos do governo iraniano com “grupos terroristas internacionais e outros grupos narcoterroristas”, levou em consideração as violações de direitos humanos que atribui às autoridades iranianas e os ataques contra países alheios ao conflito no Oriente Médio.

O órgão também citou como fatores para a ruptura de relações o bloqueio do estreito de Ormuz e a obstrução aos trabalhos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para verificar o alcance do programa nuclear iraniano.

TEERÃ CONDENA DECISÃO
O Irã condenou nesta sexta-feira (25) o rompimento das relações diplomáticas por parte da Colômbia e acusou o governo do país sul-americano de estar sob a influência dos Estados Unidos e de Israel e de ter laços com o narcoterrorismo.

– É evidente que nenhuma das acusações apresentadas pelo governo colombiano para justificar a decisão é válida ou lógica, e que ela foi imposta unicamente por influência do regime sionista e dos EUA – afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Irã em comunicado.

A Chancelaria iraniana afirmou que o rompimento das relações diplomáticas de mais de meio século atua contra o princípio de respeito mútuo e dos interesses de ambos os povos.

Além disso, o órgão acusou Bogotá de ser fortemente influenciado pelos cartéis de produção e distribuição de drogas e de fazer parte da rede de narcoterrorismo que opera no continente americano e além.

Por tudo isso, o Irã atualmente que não se encontra em posição alguma para dar lições a outros sobre terrorismo e drogas e chamou a medida de hipócrita tentativa de desviar a atenção de sua suposta responsabilidade internacional por participar no tráfico de grandes carregamentos de drogas para diferentes lugares do mundo, incluindo o país.

– A República Islâmica do Irã adotará as medidas necessárias para proteger seus interesses nacionais diante dessa atitude injustificada e hostil do governo colombiano – anunciou Teerã.

*EFE

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