Por Silvano Lima
A decisão de Celina Leão de não participar de determinados debates eleitorais pode estar incomodando seus adversários, mas encontra uma explicação bastante simples: o que deveria ser um espaço para discutir o futuro do Distrito Federal tem se transformado em uma verdadeira operação coletiva de ataques à governadora.
O debate eleitoral deveria servir para o eleitor comparar propostas, conhecer projetos e avaliar o que cada candidato pretende fazer pela saúde, educação, segurança, mobilidade, geração de empregos e desenvolvimento econômico do DF.
Mas não foi exatamente isso que se viu nos últimos encontros.
Nos últimos debates, por exemplo, a cobertura da imprensa registrou uma sucessão de acusações, cobranças com ilações e até fakes contendo inverdades ou informações distorcidas dirigidas a Celina. A própria governadora classificou o formato como um “debate bem ensaiado” e afirmou que havia se tornado alvo dos adversários.
Com o debate do “todos contra ela” a campanha de Celina fez bem em abandonar alguns encontros justamente após essa experiência. Segundo publicado, aliados da governadora consideravam que o formato gera mais desgaste do que benefício eleitoral e reclamavam de ataques nominais sem direito de resposta em determinados momentos.
Debate ou tribunal político?
O problema não é criticar a governadora. Quem ocupa o Palácio do Buriti precisa ser cobrado. O eleitor tem todo o direito de conhecer as críticas e os questionamentos. O problema começa quando o debate deixa de ser confronto de ideias e passa a funcionar como uma espécie de tribunal político, no qual todos os outros candidatos encontram um ponto comum: atacar quem está liderando a corrida eleitoral.
E, nesse cenário, Celina percebeu que não precisa necessariamente entrar nesse “jogo de cartas marcadas”.
É legítimo que a governadora escolha os ambientes em que pretende apresentar suas propostas e defender sua administração.
O eleitor, entretanto, merece mais. Merece saber o que os demais candidatos pretende fazer na saúde, quais são suas propostas para a segurança, como pretende administrar as contas públicas e quais políticas pretende implementar para melhorar a vida dos brasilienses.
Se a maior parte do tempo de um debate é consumida por acusações, provocações e ataques pessoais, sobra pouco espaço para aquilo que realmente interessa: propostas concretas para o Distrito Federal.
As pesquisas explicam o incômodo de adversários, e mostram que Celina acerta
A decisão de Celina também ocorre em um momento em que diferentes pesquisas registram sua liderança.
O levantamento RealTime Big Data divulgado nesta terça-feira (29) aponta Celina com 47% das intenções de voto no primeiro turno, contra 26% de Leandro Grass, 10% de Paula Belmonte e 4% de Ricardo Cappelli. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores entre 24 e 28 de setembro e está registrada no TSE sob o número DF-04637/2026.
O Datafolha, em pesquisa realizada entre 8 e 10 de setembro, também registrou crescimento de Celina. No cenário sem José Roberto Arruda, ela aparecia com 45%, contra 19% de Grass. O levantamento está registrado no TSE sob o número DF-06055/2026.
Nesse contexto, não participar de um debate que tenha como principal característica o confronto pessoal e a queimação de reputação pode ser uma decisão estratégica.
Celina tem outra alternativa: mostrar obras, apresentar resultados, divulgar propostas e conversar diretamente com a população.
O desafio da governadora passa a ser, transformar o que seriam os debates em presença nas ruas, nas comunidades e na comunicação direta com o eleitor.
Porque, no final das contas, o eleitor não quer saber quem grita mais alto ou quem consegue fazer a acusação mais contundente.
Isso é uma verdade.
Por essas e por outras, Celina faz muito bem em não ir a debate do “todos contra ela”.






