Segundo governador de Goiás, acesso é necessário para que estados aprofundem investigações e identifiquem as diferentes formas de lavagem de dinheiro usadas pelo crime organizado
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, avaliou como positiva a megaoperação deflagrada pela Polícia Federal contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e seu esquema de lavagem de dinheiro pelo país. “Eu sou uma pessoa que parabeniza todos aqueles que têm como objetivo punir, prender e confiscar 100% de tudo aquilo que é fruto do narcotráfico”, afirmou. Ele reiterou sua defesa de que as polícias estaduais tenham acesso aos relatórios de inteligência produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), conforme consta na proposta alternativa à PEC da Segurança que elaborou e apresentou, ainda em dezembro, a governadores e Ministério da Justiça.
“Hoje só o governo federal tem acesso a essas informações. E você só pode fazer uma operação dessas se tiver os dados do Coaf. Os estados precisam dessas informações para rastrear o dinheiro do crime organizado. Essa é exatamente a minha grande luta para que a gente possa ter esses resultados”, destacou Caiado. “O compartilhamento de informações é fundamental para que os estados possam entender cada vez mais a maneira das facções de moldar, de desviar e lavar dinheiro de diferentes formas. Se nós, Estados, tivéssemos acesso, é lógico que teríamos como chegar muito mais rápido às pessoas que transformam o Caixa 2 em verdadeiros impérios imobiliários, industriais, de refinaria, ou, amanhã, em investimento em criptomoedas”, completou.
Atuação limitada
Conforme enfatizou o governador, a atuação das forças de segurança estaduais hoje se restringe a operações de inteligência e de barreiras policiais. Mesmo com fartos indícios de enriquecimento ilícito por uma pessoa ou organização, é impossível rastrear o caminho do dinheiro. “Na parte financeira, ficamos de mãos atadas. Temos toda a suspeita, mas precisamos provar. Por isso insisto que uma autoridade do estado precisa ter acesso ao Coaf, para combater esse crime que é diferente do que conseguimos enfrentar hoje”, concluiu.
A proposta de emenda à Constituição na área de Segurança Pública apresentada por Caiado reforça a autonomia dos estados para definir a melhor estratégica de combate às práticas criminosas mais comuns em seus territórios e prevê a colaboração entre as forças de segurança estaduais, a Polícia Federal e outras instâncias federais.