Uma noite histórica para a nação quadrilheira de Brasília
Após 14 anos, o SESI-DF voltou a promover uma iniciativa regional às quadrilhas juninas.
A Mostra de Quadrilhas Juninas foi realizada no último sábado, 22 de agosto, na unidade do SESI Taguatinga, e marcou o reencontro do Movimento Junino com o consagrado tablado.
A noite reuniu cerca de 3.400 pessoas, 720 dançarinos e 100 profissionais envolvidos na realização do evento. Seis quadrilhas juninas participaram da mostra, apresentando diferentes propostas, pesquisas, repertórios, coreografias, temáticas e interpretações cênicas. O retorno desta disputa ao calendário junino do nosso quadradinho representa a retomada de uma iniciativa que, em suas edições anteriores, se tornou referência nacional.

Ao final da noite, a Arroxa o Nó, da Região Administrativa do Paranoá, conquistou o título de campeã da mostra.
A Pau Melado, de Samambaia, ficou com o segundo lugar. A Sabugo de Milho, de Taguatinga, conquistou a terceira colocação, seguida pela Sanfona Lascada, de Ceilândia, em quarto lugar. A Matulão, de Taguatinga, ficou na quinta colocação, enquanto a Santo Afonso, de São Sebastião, terminou em sexto lugar.
Entre as premiações individuais, Hamilton Teixeira “Tatu”, da Pau Melado, recebeu o troféu de melhor marcador. A Arroxa o Nó conquistou o prêmio de melhor casal de noivos, com o casal de branco Walter Júnior e Ingrid Lohani. A Sabugo de Milho levou o título de melhor torcida.
Em entrevista, Marco Secco, superintendente regional do SESI-DF, destacou a importância da mostra para o movimento junino do Distrito Federal e reforçou o interesse da instituição em fazer com que a iniciativa seja contínua e cada vez melhor para os quadrilheiros.

Arroxa o Nó, do Paranoá, se consagra campeã da Mostra de Quadrilhas Juninas do SESI-DF 2026
Tema: “A resistência. A cidade que não se rendeu.” — Mossoró
Um dos melhores marcadores do Brasil é o grande Waguinho, da Arroxa. Preciso, didático, cantante, maestro da banda, ele rima e faz questão de ser a voz de todos os personagens, além de ocupar o espaço com muito conhecimento. É, sem dúvidas, um mestre da marcação.
O casal de noivos esteve totalmente entregue ao momento temático, com sorriso, conexão cênica e dosagem nos momentos de muita emoção. Existe entrega constante e, acima de tudo, muito respeito por estarem à frente do grupo.
O ponto alto do casal foi o momento da cegueira e da cura, embalado pela canção “Luz, Senhoras das Candeias” (Fiadeira), de Maria Bethânia, com a letra totalmente ligada à cena e à história: “Limpa os olhos das areias, tira a dor de cada espinho”.
É importante falar dos personagens: o padre, nesta apresentação, convida o público a rezar junto: “Santa Luzia nos proteja”. Com uma energia tocante e que, de fato, nos emociona.

Outra personagem que se destaca é a mãe do noivo. É nítida a condução de proteção e cuidado com o filho que a personagem apresenta.
Ambos também se destacam pela dança contínua ao longo de toda a apresentação.
O traje da junina pode parecer simples ou sem contexto, mas apenas pode parecer. O mesmo é ligado à temática, funciona como uma extensão da narrativa. As cores são vivas e remetem a Santa Luzia, protagonista do conto. É lindo!
As coreografias foram extremamente bem alinhadas e executadas, com desenhos tradicionais como a roda, balancê e o indispensável X. É de uma sincronia irretocável.

A quadrilha é harmônica e evolui com muita naturalidade de acordo com as passagens. Um dos momentos que mais gosto é quando o marcador declara “dança livre”. Ali é o livre reinando.
O repertório junino está ligado à temática e à construção do desenvolvimento da pesquisa. Além de ser entoado ao vivo, a banda/regional sabe exatamente o que faz.
O figurino dos cangaceiros é fiel à história. A interpretação do bando é digna de aplausos.
Fonte: SESI-DF







