Luís Pablo denunciou supostas fraudes de Flávio Dino
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta terça-feira (11) uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão. A ação ocorreu porque ele foi apontado pela Polícia Federal (PF) como a principal fonte do jornalista Luís Pablo em reportagens recentes.
As matérias publicadas no final do ano passado por Luís Pablo, profissional de imprensa independente, revelaram que a família do ministro Flávio Dino utilizava carros do Tribunal de Justiça do Maranhão. Segundo as publicações feitas, até mesmo o combustível dos veículos era pago com verbas públicas locais.
Por causa dessas reportagens, Luís Pablo foi enquadrado pelo crime de perseguição e incluído no inquérito das fake news. Entidades de defesa do jornalismo repudiaram a ação contra o profissional, alertando para a intimidação e para o claro risco de quebra do sigilo da sua fonte.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) expressou apoio aos comunicadores durante um evento com jornalistas em Brasília. O candidato à Presidência levou picanha e refrigerante para os profissionais da comunicação e criticou a postura de Moraes contra a liberdade de expressão.
— Venho me solidarizar com vocês. Minha solidariedade, porque o sigilo da fonte é sagrado. Que todos se conscientizem da gravidade do que está acontecendo — disse.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também utilizou suas redes sociais para repercutir a ação policial e cobrou uma reação mais firme da classe jornalística contra o caso.
— É um ataque frontal ao trabalho de vocês — destacou o parlamentar sobre a quebra do sigilo profissional.
RELEMBRE O CASO
O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, autor do site Blog do Luís Pablo, é investigado pela Polícia Federal por “monitoramento ilegal” contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Ele entrou na mira do inquérito das fake news, do STF, depois de publicar reportagens sobre veículo oficial usado por Dino e familiares durante deslocamentos no Maranhão.
Em reportagens publicadas a partir de novembro, Luís Pablo afirma que Flávio Dino estaria utilizando, em São Luís, um veículo oficial pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) adquirido com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (Funseg-JE), destinado à proteção institucional de magistrados e às atividades do Judiciário estadual.
Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram preocupação quanto a decisão de Moraes.
As entidades apontam que a atividade jornalística possui proteção constitucional do sigilo da fonte. Segundo a nota, qualquer medida que viole essa garantia representa ameaça ao livre exercício do jornalismo. Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a determinação de Moraes por avaliar que ela coloca toda a categoria em risco.
Relacionado:






