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Picadas de escorpião no DF crescem 25,6% este ano; aprenda a se proteger

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Há 10 dias, um menino de 4 anos morreu após ser picado, mesmo recebendo seis doses de soro em um hospital. É o primeiro registro fatal do ano

(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)

O número de pessoas atendidas na rede pública de saúde do Distrito Federal por acidentes com escorpião em 2019 cresceu 25,6% em relação ao ano passado. Até 22 de junho, houve 618 casos, enquanto que, no mesmo período de 2018, foram 495. Há 10 dias, um menino de 4 anos morreu após ser picado, mesmo recebendo seis doses de soro em um hospital. É o primeiro registro fatal do ano. Os dados são da Secretaria de Saúde.

A infestação de escorpiões tem deixado moradores em alerta. Temendo uma fatalidade, alguns até mudam de endereço, como Karla Machado, 39 anos. Ela decidiu se mudar do Conjunto L da QNM 7, em Ceilândia Sul, por causa da alta incidência dos aracnídeos peçonhentos na casa onde morava de aluguel com a filha de 14 anos, e uma neta de 3. “Vivi durante cinco meses na residência e, nessa temporada, matei 10 escorpiões. Eu e a minha família ficamos afugentados, sem sabermos o que fazer para evitar que o animal entrasse em casa. Vedamos portas e janelas, mas eles saíam dos ralos do banheiro e da cozinha”, relata a dona de casa.
Karla começou a notar que o terreno tinha restos de material para construção, onde escorpiões poderiam estar se escondendo. Em uma limpeza com moradores do local, encontrou outros quatro animais. “Na última semana, a minha neta quase pisou em um escorpião filhote. Vi a vida dela ser salva pelo meu cachorro, que a empurrou. Como meu cão é de porte grande, tudo ficou bem. Foi a mão de Deus que nos livrou”, lembra a dona de casa, que se mudou no fim do ano passado.

Esconderijos

Especialista em veneno de escorpiões, a bióloga Elisabeth Ferroni conta que o bicho se esconde em locais escuros, entulhos e materiais de construção. “Tratam-se de ambientes calmos, propícios para os peçonhentos, que gostam de locais secos. Entre as prevenções está, sobretudo, a limpeza do apartamento e das residências, sendo que no último caso, nas áreas externas e internas”, destaca Ferroni, pesquisadora do laboratório de Neurofarmacologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Brasília (UnB).
A estudiosa diz ser preciso ter cuidado ao manusear móveis, livros e até na hora de vestir peças de roupas e calçar os sapatos. “O escorpião pode se esconder nos mais variados espaços. A atenção tem que ser redobrada na hora de usar aquele casaco de inverno que estava há mais tempo no guarda-roupa”, salienta Elisabeth Ferroni.

Biólogo da Vigilância Ambiental, Israel Martins Moreira diz que para prevenir o aparecimento dos invertebrados em casa, é necessário vedar as entradas. “Não é apenas usar proteção nas frestas das portas, mas usar telas nas janelas e nos ralos da cozinha, do tanque de lavar roupa e do banheiro. Esses animais usam as tubulações de esgoto e água, assim como os conduítes de energia, para ter acesso ao ambiente que procuram”, adverte o profissional.

Ambos os especialistas frisam que os escorpiões estão em áreas onde há alimento para a espécie, ou seja, insetos. A principal presa destes deles é a barata. “Recomenda-se a dedetização. No entanto, deve-se utilizar insecticidas sólidos, que exterminam parte da população de baratas e não agride o escorpião. Os fumacentos, como os sprays, irritam o animal e, consequentemente, ele sairá do abrigo”, esclarece Israel Moreira. “O sólido não fará o escorpião deixar a tubulação de esgoto, por exemplo. Então, a tendência é que ele morra”, completa.

Caso uma pessoa seja picada, ele tem de procurar imediatamente um hospital público (confira a lista acima). A rede particular não tem soro antiescorpiônicoou contra o veneno de qualquer outro bicho peçonhento. “Se possível, leve uma foto do escorpião, para que o médico faça a melhor avaliação do quadro. A vigilância também pode ser acionada para coletar o cadáver (do bicho), que será levado para estudos técnicos”, finaliza o biólogo.

Socorro

Onde há soro antiescorpiônico:

Hospital Materno Infantil de Brasília
Hospital Regional da Asa Norte
Hospital Regional de Brazlândia
Hospital Regional de Ceilândia
Hospital Regional do Gama
Hospital Regional do Guará
Hospital Regional do Paranoá
Hospital Regional de Planaltina
Hospital Regional de Samambaia
Hospital Regional de Santa Maria
Hospital Regional de Sobradinho
Hospital Regional de Taguatinga

Memória

Christian Silva de Jesus, 4 anos, morreu após ser picado por um escorpião enquanto dormia em casa, na última sexta-feira, em Taguatinga Norte. Os pais do garoto, o serralheiro Juliano de Jesus, 33 anos, e a autônoma Lorraine de Jesus, 27, relataram ao Correio que Christian acordou na madrugada com fortes dores. “Ele estava gritando e balançando a perninha. Eu imaginei que poderia ter sido uma picada de escorpião, porque já fui picado uma vez. Quando eu o tirei da cama, o bicho saiu correndo”, lembrou o pai. Eles moravam na QNF 20, onde há grande reclamações da incidência do animal por parte dos moradores. Os pais decidiram se mudar da região.

Medidas para evitar escorpiões em casa

– Não deixar roupas de cama em contato com o chão

– Colocar telas nas aberturas de ralos, pias ou tanques

– Fechar portas e janelas ao entardecer

– Vedar soleiras de portas e frestas em janelas

– Rebocar paredes e muros, para fechar vãos ou frestas

– Fechar bem o lixo

– Dedetizar para eliminar fontes de alimento do escorpião

– Remover folhagens, arbustos e trepadeiras das paredes externas e dos muros

 

Fonte: Secretaria de Saúde do Distrito Federal  

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