Jungmann estava internado no Hospital DF Star e lutava contra um câncer no pâncreas
Morreu neste domingo (18), o ex-ministro Raul Jungmann, aos 73 anos. Ele estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, e morreu após anos de luta contra um câncer no pâncreas.
Nascido no Recife (PE), em 3 de abril de 1952, ele teve passagens por diversos cargos de administrações estaduais e federais. A primeira delas quando secretário de Estado de Planejamento no governo de Pernambuco, entre 1990 e 1991.
Jungmann começou a atuar na política no Partido Comunista Brasileiro (PCB), com a legenda ainda na clandestinidade. Ainda no regime militar, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Depois, ajudou a fundar o Partido Popular Socialista (PPS), onde ficou, entre idas e vindas, até 2018. O PPS foi rebatizado para Cidadania, atual nomenclatura.
Ele foi ministro em quatro oportunidades, primeiro durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e depois no governo de Michel Temer (MDB): Política Fundiária (1996-1999), Reforma Agrária (1999-2002), Defesa (2016-2018) e Segurança Pública (2018).
Ocupou mandato como deputado federal três vezes: 2003-2006 (PMDB), 2007-2010 (PPS) e 2015-2018 (PPS). Também presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), fundou e presidiu ONGs e integrou diversos conselhos de administração de organizações.
Ele presidia desde março de 2022 o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), organização privada, sem fins lucrativos, com mais de 300 associados, responsáveis por 85% da produção mineral do Brasil.
SEGURANÇA PÚBLICA
Entre as ações tomadas quando esteve à frente do Ministério da Segurança Pública, uma das mais relevantes foi a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) – que a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública elaborada pelo governo Lula (PT) tenta hoje incluir na Constituição Federal.
O Susp prevê que as polícias devem aprimorar o sistema de troca de informações entre os estados e agir de forma conjunta no combate ao crime.
A criação do sistema também estabeleceu que o cumprimento das metas estabelecidas pelo governo passasse a contar com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), além dos os fundos estaduais, distrital e municipais, asseguradas as transferências fundo a fundo.
A medida representou um ponto da virada na influência federal na área da segurança pública – cuja prerrogativa é dos governos estaduais, segundo a Constituição.
Em junho, durante um seminário na Universidade de Santo Amaro, em São Paulo, Jungmann fez coro ao então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ao discursar sobre a fragilidade institucional da segurança pública no Brasil e defender a necessidade de mudanças estruturais no setor.
– A segurança pública não é estruturada em sistema. É o mais frágil comando constitucional. Como é possível confrontar o crime organizado, transnacionalizado, se nós não temos integração de inteligência, se nós não temos integração de coordenação de operações, o que é que os senhores acham que vai acontecer? – questionou.
*AE
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