Sigla que integra o nome do site Diário do Centro do Mundo aparece em conversa de Vorcaro
A Polícia Federal (PF) apura a suspeita de que o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria autorizado repasses financeiros com a finalidade de influenciar a cobertura de um veículo de comunicação de viés de esquerda e de profissionais ligados a ele. A hipótese é de que os pagamentos buscariam evitar reportagens negativas e estimular publicações favoráveis ao banqueiro.
A suspeita aparece em mensagens trocadas entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário, reproduzidas na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prisão tanto do empresário quanto de Mourão nesta quarta-feira (4).
Em um dos trechos citados na decisão, Mourão explica como dividiria cerca de R$ 1 milhão mensais que, segundo ele, recebia para atuar em favor de Vorcaro. Na conversa, ele menciona o repasse de valores a integrantes de uma “turma”, incluindo a sigla “DCM” e dois editores. A mensagem é anterior à primeira prisão do banqueiro, ocorrida em novembro.

Investigadores ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo afirmaram que a sigla seria uma referência ao site Diário do Centro do Mundo, publicação de linha editorial de esquerda e alinhada ao governo Lula. O veículo, no entanto, divulgou nota negando qualquer vínculo com os fatos investigados.
No comunicado, o portal diz que a decisão apenas cita a sigla “DCM”, sem identificar formalmente o site, sua razão social ou integrantes da equipe. O veículo afirmou não ter recebido recursos ou qualquer tipo de benefício das pessoas investigadas e declarou que tem publicado conteúdos críticos a Vorcaro. Para o Diário do Centro do Mundo, não faria sentido que alguém financiasse um meio de comunicação que atua como seu crítico.
– No documento judicial, há a transcrição de uma conversa privada em que aparece a sigla “DCM”. Em nenhum momento a decisão identifica essa sigla como sendo o Diário do Centro do Mundo, tampouco menciona o nome do veículo, sua razão social (NN&A Produções Artísticas Ltda.) ou qualquer integrante de sua equipe – diz a nota.
A defesa de Daniel Vorcaro declarou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e negou qualquer tentativa de obstruir investigações ou interferir na atuação da Justiça.






