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Mulher que se curou em seis dias, “identifica” quatro células de defesa capazes de aniquilar o coronavírus

Reação do corpo à Covid-19 é mapeada por pesquisadores

Ao analisar amostras de sangue de mulher que se curou da doença em seis dias, cientistas identificam quatro células de defesa capazes de aniquilar o novo coronavírus. A descoberta poderá ajudar no desenvolvimento de vacinas


Amostra do novo coronavírus: micro-organismo provoca reações parecidas com as da gripe. Similaridades ajudam na definição de estratégias(foto: WOLFGANG RATTAY)

Entender como o organismo humano reage à presença de um vírus é informação-chave para se chegar a formas de prevenção e tratamento de uma doença infecciosa. Esse é um dos principais alvos de cientistas que têm se dedicado à luta contra a disseminação da Covid-19. Nesta terça-feira (17/3), uma equipe da Austrália anunciou um passo importante nesse sentido. Eles analisaram amostras de sangue de uma mulher hospitalizada em decorrência da infecção pelo Sars-Cov-2 e conseguiram mapear como o corpo dela se recuperou da doença. Um relatório com detalhes do trabalho foi divulgado na revista Nature Medicine.

A equipe da Universidade de Melbourne conseguiu testar amostras de sangue em quatro momentos diferentes da infecção. A voluntária era uma mulher de 40 anos, saudável e com sintomas leves a moderados da Covid-19. Ao longo da análise, foram identificados quatro tipos de células imunológicas na paciente. “Três dias após a internação, vimos grandes populações de várias células imunológicas, que geralmente são um sinal revelador de recuperação durante a infecção sazonal por influenza. Por isso, previmos que ela se recuperaria em três dias. Foi o que aconteceu”, relata, em comunicado, Oanh Nguyen.
A similaridade com a reação à influenza e o perfil da paciente são condições que podem impulsionar o combate ao novo coronavírus, segundo os pesquisadores. “Mostramos que, embora a Covid-19 seja causada por um novo vírus, em uma pessoa saudável, uma resposta imunológica robusta em diferentes tipos de células estava associada à recuperação clínica semelhante à que vemos na gripe”, explica Katherine Kedzierska.
A cientista lembra ainda que mais de 80% dos casos de Covid-19 têm perfis parecidos com a da paciente estudada: apresentam sintomas leves a moderados em decorrência da infecção. “Agora, podemos nos perguntar: qual é a diferença com pessoas infectadas que morrem?”, cogita Katherine, considerada uma das líderes mundiais no combate ao novo coronavírus. Estudos sinalizam que a doença tem taxa de mortalidade em torno de 3%, mas há uma variação significativa conforme a idade do infectado.
Aplicações
Para Katherine Kedzierska, uma das aplicações práticas da descoberta é ajudar virologistas a desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus, já que o objetivo da imunização é replicar a resposta imune natural do corpo a um patógeno. “As pessoas podem usar nossos métodos para entender as respostas imunes em coortes maiores de Covid-19, além de entender o que está faltando naqueles que têm resultados fatais”, ilustra. Atualmente, há, pelo mundo, cerca de 50 de estudos que buscam encontrar uma vacina contra o Sars-Cov-2.
A segunda aplicação é a possibilidade de ajudar autoridades de saúde a avaliar melhor, em futuros surtos, quais pessoas seriam mais vulneráveis. Os quatro tipos de células imunológicas podem funcionar como marcadores do sistema de defesa. Dessa forma, ajudariam a prever com mais precisão quais pacientes podem desenvolver sintomas moderados e correm risco de morrer.
Na epidemia atual, a maioria expressiva das mortes é de idosos e/ou pessoas com problemas de saúde preexistentes, como doenças cardíacas e diabetes. As crianças, por outro lado, costumam apresentar sintomas mais moderados ou são assintomáticas. Kedzierska enfatiza a necessidade de mais pesquisas para encontrar uma explicação para essas particularidades e ressalta que o sistema imunológico enfraquece com a idade.
Para Sharon Lewin, diretora do Instituto Doherty e uma das especialistas em doenças infecciosas mais conceituadas do mundo, os resultados do estudo australiano são promissores. “Ele mostra que o corpo pode produzir uma resposta imune muito positiva e poderosa contra o vírus e que está associada ao desaparecimento dos sintomas”, explica à agência France-Presse de notícias (AFP). Fonte: correio Braziliense
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