Web Analytics
banner
Início Brasil MPF imputa indícios de participação ativa de Witzel  no comando das contratações...

MPF imputa indícios de participação ativa de Witzel  no comando das contratações de empresas investigadas

Governador e a mulher devem ser ouvidos pela PF
Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo do Rio de Janeiro, alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (26) — Foto: GloboNews

Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo do Rio de Janeiro, alvo de busca e apreensão nesta terça-feira (26) — Foto: GloboNews

O Ministério Público Federal (MPF) afirma, no pedido de busca e apreensão da Operação Placebo, realizada nesta terça-feira contra o governador Wilson Witzel (PSC) e outros 10 alvos, que há “provável envolvimento da cúpula do Poder Executivo fluminense” em supostos desvios na área da saúde.

A informação consta na decisão do STJ que autorizou a ação, assinada pelo ministro Benedito Gonçalves. A busca ocorre no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e também contra a primeira-dama Helena Witzel, entre outros endereços.

A operação tem como um dos alvos a organização social (OS) Iabas, responsável pela construção dos hospitais de campanha — que ainda não foram entregues — ao custo de R$ 835 milhões.

“O MPF imputa indícios de participação ativa do governador do Estado quanto ao conhecimento e ao comando das contratações realizadas com as empresas ora investigadas”, narra o ministro.

Witzel nega qualquer irregularidade e afirma que todos os seus sigilos estão abertos. A Iabas diz que forneceu às autoridades todas informações e que o objetivo é salvar vidas (veja íntegra das notas ao fim da reportagem).

Ainda de acordo com a decisão do STJ, com base no relato do Ministério Público Federal, as investigações “confirmam a existência de fraudes e o provável envolvimento da cúpula do Poder Executivo fluminense”.

Escritório da primeira-dama

A investigação aponta ainda “vínculo bastante estreito e suspeito” entre a primeira dama Helena Witzel e as empresas do empresário Mário Peixoto, preso no início do mês. Ele nega qualquer relação ilícita com o governador (veja nota no fim da reportagem).

De acordo com a apuração, o escritório de advocacia de Helena Witzel tem um contrato de prestação de serviços com a empresa DPAD Serviços Diagnósticos, ligada a Peixoto.

Documentos relacionados a pagamentos para a esposa do governador teriam sido encontrados no endereço eletrônico de dois homens apontados como operadores financeiros do empresário preso.

As empresas de Peixoto têm contrato com o governo desde a gestão de Sérgio Cabral (MDB) e os mantêm na de Witzel. Segundo o Ministério Público Federal, a manutenção dos acordos se deu por meio do pagamento de propina.

Outra suspeita é que Peixoto estivesse interessado em fornecer serviços para a administração pública em contratos dos hospitais de campanha para Covid-19.

Estrutura hierárquica

Segundo o MPF, Wilson Witzel mantinha o comando das ações auxiliado por Helena Witzel. O ex-secretário Edmar Santos delegava funções ao ex-subsecretário Gabriell Neves, criando a estrutura hierárquica que deu suporte aos contratos fraudulentos.

A estrutura, diz a investigação, indica que no núcleo do Poder Executivo foi criada “a estrutura hierárquica, devidamente escalonada a partir do Governador, que propiciou as contratações sobre as quais pesam fortes indícios de fraudes”.

Hospitais de campanha

Ainda de acordo com o ministro do STJ, os procuradores “afirmam a existência de prova robusta de fraudes nos processos que levaram a contratação do Iabas para gerir os hospitais de campanha no Rio de Janeiro, tudo com anuência e comando da cúpula do Executivo”.

O acerto teria ocorrido, conforme a investigação, com orçamentos fraudados para serviços de montagem e desmontagem de tendas, instalação de caixas d’água, geradores de energia e piso para a formação da estrutura das unidades.

A investigação é feita em conjunto pelo MPF e pelo Ministério Público estadual. Outra suspeita, como mostrou o G1 há duas semanas, é a decisão de Witzel que permitiu o poder público voltar a contratar a Organização Social (OS) Unir Saúde, que seria ligada a Peixoto.

A empresa havia sido desqualificada, mas o governador assinou a revogação da desqualificação. O MPF afirma que há “indicativo de possível ajuste ilícito entre M.P. (Mário Peixoto) com o Governador”, com base numa interceptação telefônica.

O que diz o governador

“Não há absolutamente nenhuma participação ou autoria minha em nenhum tipo de irregularidade nas questões que envolvem as denúncias apresentadas pelo Ministério Público Federal. Estranha-me e indigna-me sobremaneira o fato absolutamente claro de que deputados bolsonaristas tenham anunciado em redes sociais nos últimos dias uma operação da Polícia Federal direcionada a mim, o que demonstra limpidamente que houve vazamento, com a construção de uma narrativa que jamais se confirmará. A interferência anunciada pelo presidente da república está devidamente oficializada. Estou à disposição da Justiça, meus sigilos abertos e estou tranquilo sobre o desdobramento dos fatos. Sigo em alinhamento com a Justiça para que se apure rapidamente os fatos. Não abandonarei meus princípios e muito menos o Estado do Rio de Janeiro”.

O que diz o Iabas

“A direção do IABAS esclarece que forneceu às autoridades todas as informações e documentos solicitados e está à disposição para quaisquer novos esclarecimentos. O objetivo do IABAS é promover o melhor atendimento às vítimas da COVID-19 e salvar vidas”.

O que diz Mário Peixoto

“Não existe relação ilícita entre Mario Peixoto e o Governador Wilson Witzel. Qualquer acusação neste sentido é absolutamente descabida e irreal. Questões políticas não se misturam com questões jurídicas. Investigações policiais devem ter como norte a imparcialidade. Nenhuma empresa vinculada a Mario Peixoto contratou com o Governo do Estado, na área de saúde, durante a epidemia de Covid-19. Mário Peixoto não possui nenhuma relação com o IABAS. Alessandro Duarte é consultor da empresa Atrio, da qual Mario Peixoto já foi sócio (não é mais). No entanto, Alessandro possui empresas próprias, com atividades próprias, sem vinculação alguma com Mario Peixoto. Mario e o advogado Lucas Tristão são amigos, sendo que o escritório de Tristão já prestou serviços jurídicos à empresa ligada à família de Peixoto”.