Banqueiro estaria ciente de que sua situação se agravou e que não há espaço para colaboração seletiva
Em meio às tratativas sobre uma possível delação premiada por parte do banqueiro Daniel Vorcaro, aliados do empresário asseguraram que ele responderá a todas as perguntas dos investigadores caso o acordo seja firmado.
Segundo apuração do comentarista político da GloboNews, Valdo Cruz, interlocutores do dono do Banco Master afirmaram que ele até gostaria de uma delação seletiva, entretanto, está ciente de que não tem outra opção se não entregar todas as informações porque sua situação se agravou muito com o desenrolar das investigações.
Relator do caso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), já indicou exigir que tudo seja esclarecido e que não há espaço para uma colaboração seletiva.
O advogado de Vorcaro, José de Oliveira Lima, o visitou neste sábado (21) e domingo (22) para ajudá-lo a montar seu plano de delação. Segundo a colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar, Lima afirma que seu cliente fará uma “delação séria”, ou seja, não poupará nomes.
ENTENDA
Vorcaro está preso acusado de liderar um esquema de fraude financeira ligado ao Banco Master. As autoridades veem indícios de crimes como organização criminosa, corrupção, ameaça, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Também suspeitam que diversas figuras da política, empresariado e do judiciário estejam envolvidas.
Segundo as investigações, o esquema consistia na criação e comercialização de títulos de crédito sem lastro – ou seja, ativos e dívidas que não tinham garantia real ou sequer existiam – usados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. O objetivo era fazer a instituição parecer mais sólida e lucrativa do que realmente era, esconder fragilidades financeiras e continuar captando dinheiro no mercado.
Com esse patrimônio inflado, o banco passou a oferecer investimentos com rendimentos até 40% superiores aos praticados no mercado, o que atraía investidores em busca de retornos mais altos. Segundo as investigações, porém, o banco não tinha base financeira real para sustentar esses pagamentos. O esquema começou a ruir quando o Banco Central do Brasil identificou inconsistências nos balanços da instituição e determinou a liquidação extrajudicial do Master.






