Web Analytics
banner
Início Brasil MPDFT apura se deputado Cristiano Araújo usa laranja em empresa

MPDFT apura se deputado Cristiano Araújo usa laranja em empresa

Promotoria investiga suspeita de que Cristiano Araújo é o verdadeiro dono de firma que funciona em imóvel da família do distrital e tem um tio como proprietário. Por ser parlamentar, ele não pode comandar negócios diretamemte

Helena Mader 2
“Em face à fragilidade e inconsistência da denúncia da Drácon, o Ministério Público tenta criar um clima de condenação. Porém, o deputado aguarda o julgamento com serenidade”, disse a assessoria de Imprensa do deputado Cristiano Araújo – Foto: Minervino Junior/CB/D.A Press – 21/2/17
Denunciado por corrupção passiva no âmbito da Operação Drácon e réu por fraude à Lei de Licitações, o distrital Cristiano Araújo (PSD) é alvo de outra investigação do Ministério Público do Distrito Federal. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep) abriu um procedimento no mês passado para apurar denúncias de que o distrital seria o real proprietário de uma empresa prestadora de serviços que mantém contratos com o governo — a legislação proíbe deputados de serem sócios de firmas. A família do parlamentar é do ramo de vigilância e Limpeza…
A empresa que está na mira do Ministério Público é a Pontual Serviços Gerais Ltda. Ela foi registrada em nome de Thiago Melo Wanzeller. De acordo com a denúncia apurada pelo Ministério Pùblico, o sócio seria “um laranja do parlamentar e, por meio da sociedade na empresa Pontual, estaria lucrando com procedimentos licitatórios em órgãos públicos”.
Um fato chamou a atenção durante a análise do caso: a Pontual Serviços Gerais funciona em uma casa, na QS 7 de Águas Claras, que pertence ao espólio de Luiz Vicente Araújo, pai do deputado distrital. A reportagem obteve uma certidão do imóvel junto ao 3º Cartório de Registro de Imóveis, que comprova que o terreno foi comprado por Vicente e pela Fiança Empresa de Segurança. Atualmente, a casa está penhorada para o pagamento de dívidas trabalhistas da firma da família de Cristiano Araújo.
A Pontual Serviços Gerais já obteve um contrato de vigilância com as Centrais de Abastecimento do Distrito Federal (Ceasa), empresa pública ligada ao GDF, no valor de R$ 272 mil. O Ministério Público do DF enviou ofícios ao governo, questionando se a prestadora de serviços tem outros contratos com órgãos públicos distritais.
“Em face à fragilidade e inconsistência da denúncia da Drácon, o Ministério Público tenta criar um clima de condenação. Porém, o deputado aguarda o julgamento com serenidade”, disse a assessoria de Imprensa do deputado Cristiano Araújo – Foto: Minervino Junior/CB/D.A Press – 21/2/17
Além de Thiago Wanzeller, a Pontual Serviços Gerais ganhou recentemente um outro sócio: Arthur da Cunha Nogueira, tio materno de Cristiano Araújo. A família do parlamentar está no centro de outro escândalo recente protagonizado por ele: no ano passado, o Ministério Público do DF entrou com uma ação civil de improbidade contra o distrital e Ana Lúcia Melo. Ela é tia do deputado, casada com Arthur Nogueira, e foi contratada como servidora do gabinete do parlamentar. No momento da posse, ela assinou documentos garantindo que não tinha nenhum grau de parentesco com o chefe. Descoberta, Ana Lúcia teve de responder a uma ação junto com o sobrinho.
Os interesses empresariais de Cristiano Araújo sempre causaram controvérsia. Em 2016, em uma gravação feita pela distrital Liliane Roriz (PTB), o ex-senador Luiz Estevão fez referências ao que chamou de “bancada da fatura”. Ele citou nominalmente, além de Cristiano, os deputados Robério Negreiros (PSDB) e Rafael Prudente (PMDB), cujas famílias também mantêm negócios lucrativos com o Governo do Distrito Federal. Desde 2009, a Ipanema, firma ligada à família do deputado Cristiano Araújo, recebeu R$ 882 milhões do GDF.
Em escutas ambientais instaladas durante a Operação Drácon, há uma conversa em que Cristiano Araújo fala com um interlocutor sobre dívidas com empresas prestadoras de serviço. Uma pessoa relata uma reunião realizada com empresários sobre o assunto. “Eu falei na questão de você (empresário) ter um deputado que vai fazer aquele trabalho por você ali. Você apoiou o cara na eleição, que não é o caso, mas tem uma grana presa na saúde. O cara tem que ir lá viabilizar o lado do empresário”, diz. Cristiano responde: “Isso é republicano, é legítimo”.


Denúncias

Na última terça-feira, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF instaurou ação penal contra Cristiano por fraude a licitação. A acusação é de que o deputado intercedeu para que a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP) concedesse bolsas de pesquisa sem critérios técnicos, para atender a apadrinhados políticos.  Amanhã, outra acusação contra Cristiano será analisada pela Justiça do DF. Os desembargadores vão decidir se recebem denúncia contra Cristiano e contra os deputados Celina Leão (PPS), Raimundo Ribeiro (PPS), Júlio César (PRB) e Bispo Renato (PR) no âmbito da Operação Drácon. O Ministério Público do DF pediu também o afastamento dos distritais denunciados de seus respectivos mandatos.
A assessoria de imprensa de Cristiano Araújo refutou as suspeitas investigadas pelo Ministério Público sobre a empresa Pontual. “O parlamentar não possui quaisquer ligações com empresas, mesmo porque, a condição feriria a legislação”. E acrescentou: “Não é crime que a família do distrital toque empreendimentos. O tio materno dele realmente possui ligação com a Pontual e Cristiano tinha conhecimento disso, fato que não influi sobre o mandato dele ou descumpre a lei”.
Em relação ao local de funcionamento da empresa, a defesa do parlamentar declarou que “não se manifestaria sobre bens que não lhe pertencem”. A assessoria de Cristiano ainda identifica relações entre a referida investigação e a Operação Drácon. “Em face à fragilidade e inconsistência da denúncia da Drácon, o Ministério Público tenta criar um clima de condenação. Porém, o deputado aguarda o julgamento com serenidade”, pontua a assessoria de imprensa. O Correio não conseguiu contato com Thiago Melo Wanzeller, proprietário da empresa
Fonte: Correio Braziliense.