Bolsa tem pior semana com pressão externa e fiscal
O Ibovespa encerrou a semana sob forte pressão, em um movimento que combinou a reprecificação dos ativos após as eleições, piora das expectativas para os juros e o quadro fiscal no Brasil e um ambiente externo de maior aversão ao risco. A correção ganhou força com a desmontagem de posições construídas antes do segundo turno, com a redução do apetite por ativos brasileiros.
No fim dos negócios, o Ibovespa até chegou a se afastar da mínima do dia em 167.007,57 pontos, mas não se sustentou nos 168 mil pontos e encerrou em queda de 0,75%, aos 167.921,80 pontos. Na semana, o índice acumulou queda de 18,12%, maior baixa desde março de 2020, quando cedeu 18,88%.
No mês, o Ibovespa teve baixa acumulada de 9,88%, pior desempenho desde junho de 2022, quando caiu 11,5%. A expressiva desvalorização das ações já levou o índice a devolver boa parte dos ganhos do ano, agora em 4,22%. O giro da sessão foi de R$ 31 bilhões.
A queda de 18,12% do Ibovespa ocorre na primeira semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa foi a quinta maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994, conforme um levantamento da consultoria Elos Ayta.
ESPECIALISTAS
O sócio-cofundador e head de renda variável da Lince Investimentos, Lucas Castro, avaliou que o mercado ainda busca um novo ponto de equilíbrio diante da incerteza sobre a política econômica brasileira a partir do ano que vem.
– O mercado brasileiro segue pressionado pelos reflexos do resultado das eleições, que provocou uma forte reprecificação dos ativos diante das incertezas sobre a condução da política econômica e fiscal. Esse movimento é agravado pelo desmonte de posições de investidores que apostavam em uma vitória da oposição, provocando saída de recursos e mudanças nas expectativas para a trajetória dos juros – disse.
A economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, afirmou que a pressão doméstica encontrou um exterior também desfavorável, com petróleo em alta, preocupações renovadas com a inflação e juros globalmente e cautela com ações de tecnologia, após balanços decepcionantes, como se viu no caso da Amazon e da Intel. O petróleo Brent já é negociado na casa dos 113 dólares (R$ 614,57) o barril, com avanço de 15,7% no mês.
O economista e head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, também vê o cenário fiscal como condição para uma estabilização mais consistente dos ativos.
– O que o mercado vai cobrar, independentemente de quem assumisse o país, é um plano crível para a questão fiscal. Enquanto isso não vier, acredito que o prêmio de risco continuará elevado – falou.
Na avaliação de Bertotti, novembro ainda deve exigir cautela, sobretudo em empresas mais sensíveis ao custo do dinheiro. Para ele, se a curva de juros se mantiver nos níveis atuais, empresas cíclicas e mais endividadas tendem a continuar sofrendo.
– O mercado deve se voltar para ativos mais defensivos, empresas com fundamentos sólidos, previsibilidade de receita e, em alguns casos, receitas atreladas ao dólar – apontou.
O gestor de portfólio do Banco Sofisa, Rafael Pastorello, destaca que o ambiente internacional também reduziu o apetite por risco ao longo da semana. Apesar da manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos, na zona do euro e no Japão, afirma ele, os bancos centrais reforçaram preocupações com os impactos da guerra no Oriente Médio e seus potenciais efeitos inflacionários.
*Com informações da Agência Estadão e Poder360.





