Governo Lula manteve em sigilo durante as eleições, e agora enfrenta críticas após cálculo de nova alíquota da CBS que supera estimativas anteriores
Passadas as eleições, o brasileiro se depara com mais uma notícia que merece atenção: a alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novo tributo federal previsto na reforma tributária, foi aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na quarta-feira (28). A cobrança está prevista para começar em 2027.
Enquanto o contribuinte se prepara para pagar impostos, bilhões em empréstimos e garantias públicas ampliam o debate sobre a política econômica do governo.
A divulgação após o segundo turno alimenta críticas sobre a comunicação do governo Lula. Uma mudança tributária dessa dimensão deveria ser amplamente debatida com a população, especialmente porque afeta empresas, comércio, prestadores de serviços e, indiretamente, os consumidores.
11,3%: uma alíquota que exige explicações
O percentual calculado pelo TCU foi de 11,3468%, arredondado para 11,3%. A CBS substituirá gradualmente o PIS/Pasep e a Cofins, tributos federais que incidem sobre o consumo. O objetivo oficial é preservar a arrecadação durante a transição.
O índice ficou acima de estimativas anteriores, aumentando a preocupação de representantes do comércio e dos serviços. Entidades empresariais já se mobilizam para tentar reduzir o percentual e questionam os riscos operacionais da implementação da reforma.
Enquanto isso, bilhões em empréstimos e garantias
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A política econômica do governo Lula também está sob pressão pelo volume de operações de crédito e garantias públicas envolvidas em empresas e instituições em dificuldades financeiras.
Um dos exemplos mais recentes são os Correios. Em dezembro de 2025, a estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União. Em fevereiro de 2026, o Conselho Monetário Nacional autorizou mais R$ 8 bilhões, completando o plano de financiamento de R$ 20 bilhões. Em outubro, o governo concedeu garantia para uma nova operação de R$ 7 bilhões.
Somadas, as três operações chegam a R$ 27 bilhões em crédito. Isso não significa que todo esse valor seja dinheiro já perdido pelo governo, mas significa que há compromissos financeiros expressivos e exposição do Tesouro ao risco de inadimplência.
O brasileiro merece saber o que vem pela frente
A alíquota de referência de 11,3% ainda depende da definição do Senado, mas o calendário da reforma já exige preparação. A CBS começará a ser cobrada em 2027, inicialmente em caráter de teste, e a transição do sistema tributário seguirá até 2033.
O governo Lula precisa explicar com clareza como a mudança afetará os diferentes setores, quais mecanismos impedirão aumentos indevidos de preços e como pretende conciliar a arrecadação com a responsabilidade fiscal.
Também precisa prestar contas sobre os riscos dos empréstimos garantidos pela União e demonstrar que o dinheiro público está sendo empregado em planos capazes de produzir resultados concretos.
A crítica central é esta: o cidadão não pode ser chamado a pagar cada vez mais sem receber explicações claras sobre a destinação dos recursos e os resultados das decisões econômicas do governo.
Porque, no fim das contas, quando a arrecadação é preservada e os riscos financeiros aumentam, o brasileiro tem todo o direito de perguntar: quem paga a conta quando os planos do governo não dão certo?
Assista o vídeo:





