Contrato de 12 meses previa opiniões supostamente espontâneas da influenciadora
A jornalista declarou, indiretamente, seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Novas mensagens encontradas nos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro revelaram que a jornalista e influenciadora Gabriela Prioli firmou um contrato de 12 meses com o Banco Master para publicar opiniões supostamente espontâneas sobre a empresa. Fazer publicidade nas redes sociais sem a devida identificação é ilegal no Brasil.
Desde o início do ano, Prioli rebate acusações e afirma categoricamente que não teve nenhum vínculo com o Master ou com Daniel Vorcaro. Esta semana, ela reforçou a posição e acusou o candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). A jornalista declarou, indiretamente, seu voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
As conversas divulgadas nesta sexta-feira (16) pelo Estadão mostram diálogos entre Ana Matos, superintendente de Comunicação e Marketing do Master, e Daniel Vorcaro, confirmando a parceria pelo período de um ano e revelando esboços de textos enviados a Prioli.
Em 5 de abril de 2025, Matos conta a Vorcaro sobre a conversa que selou o acordo com a jornalista e indica que outros influenciadores também seriam contratados. Na véspera, Vorcaro havia celebrado a escolha de Gabriela Prioli, a qual chamou de “ótima tacada” e a “melhor estratégia de todas disparado”.
— A conversa com a Prioli foi excelente. Estamos finalizando o roteiro do post que irá ao ar. Ela é firme, tem opiniões claras. Também sou. Foi uma reunião boa. De forma prática: o contrato está assinado por 12 meses. Além disso, por três meses (renováveis ou não), teremos cerca de 15 influenciadores com alto engajamento. Estou avaliando os perfis disponíveis e incluindo gradualmente — afirmou.
O primeiro vídeo publicado por Prioli em suas redes ocorreu também em abril de 2025. No conteúdo, que não está mais disponível em suas contas, Prioli rebatia críticas sobre a recém-anunciada compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). À época, a negociação levantou suspeitas sobre ter sido uma estratégia para esconder os problemas pelos quais passava o banco de Vorcaro.
Após a divulgação do material, Ana Matos disse que recebeu parabéns pela contratação da influenciadora, mas afirmou ao executivo ter desconversado sobre qualquer acordo. Ela disse que Prioli mantinha a mesma postura.
— Thiago do Léo me perguntando sobre a Prioli. Não tô abrindo, tá? Pra ninguém. Segredo de três não é segredo, né? Quando alguém dá parabéns, faço de tonta. Ela, idem. Recebeu até gente querendo sondar via FSB. Fez de louca — afirmou.
As últimas mensagens divulgadas pelo Estadão são datadas do final de julho de 2025. Nelas, Ana manda um vídeo de Prioli para publicação, mas Vorcaro não gosta do conteúdo e pede alterações. Segundo a marqueteira da instituição, a influenciadora atendeu aos pedidos do empresário.
— Oioi. A Prioli está pronta pra soltar o vídeo. Ela absorveu nosso pedido. Tô sem margem de pedir mais alteração. Posso soltar? Ela está com mais de 6 milhões de seguidores. Vamos nessa. Tamo precisando de ajuda nessa guerra — respondeu.
Vorcaro acabou suspendendo a publicação naquele dia, alegando que o assunto do momento era a Lei Magnitsky. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado o uso dela contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. A decisão foi divulgada em 30 de julho de 2025.
A Magnitsky consiste em aplicar punições financeiras a estrangeiros que tenham envolvimento com esquemas de corrupção ou que violem gravemente os direitos humanos. Moraes e sua esposa, Viviane Barci, também foram proibidos de ingressar no país norte-americano.
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