Ministro havia pedido que conteúdo fosse compartilhado antes do julgamento desta terça-feira
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu nesta segunda-feira (14) a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O material foi encaminhado pela Polícia Federal (PF) após um pedido de Zanin para que o conteúdo fosse compartilhado antes do julgamento marcado para terça-feira (15).
O aparelho de Vorcaro foi apreendido em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero. A extração dos dados deu origem ao relatório da PF que identificou 52 mensagens enviadas pelo banqueiro ao ministro Alexandre de Moraes. O documento está no centro da discussão que será levada ao plenário do Supremo.
Zanin havia solicitado acesso irrestrito ao conteúdo na última sexta (11), por meio do presidente da Corte, Edson Fachin. Inicialmente, Fachin pediu ao ministro André Mendonça que disponibilizasse os dados. Mendonça, porém, informou que o celular não estava em seu gabinete, mas permanecia sob custódia da Polícia Federal.
Segundo Mendonça, o aparelho é um iPhone 17 Pro e está nas dependências da PF por determinação judicial de 19 de fevereiro de 2026. O gabinete do ministro possui apenas uma cópia de segurança dos dados extraídos, armazenada em um HD criptografado que teria sido entregue voluntariamente pela corporação em março deste ano.
Mendonça afirmou que o disco permanece intacto, lacrado e sem qualquer manuseio desde que foi entregue. Neste domingo (13), o ministro também se manifestou contra a abertura e o compartilhamento integral do conteúdo, argumentando que a medida poderia “tumultuar o julgamento” e colocar em risco o andamento das investigações.
O plenário do STF discutirá nesta terça a validade do relatório produzido pela Polícia Federal a partir dos dados do aparelho. A discussão foi levada ao colegiado por Fachin e envolve, entre outros pontos, a controvérsia sobre a possibilidade de um ministro do Supremo determinar a investigação de outro integrante da Corte sem uma deliberação prévia do plenário.
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