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Folha pede renúncia de Moraes do cargo de ministro do Supremo

Alexandre de Moraes.
Alexandre de Moraes.

Jornal reforça que situação do magistrado ficou insustentável após novas revelações

Em editorial publicado nesta terça-feira (1°), o jornal Folha de S.Paulo afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria renunciar ao cargo diante das novas revelações envolvendo sua relação com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Intitulado “A Moraes cabe a renúncia”, o editorial diz em seu subtítulo que as informações reunidas pela Polícia Federal (PF) “acabam com as dúvidas sobre a incompatibilidade do ministro com a Corte”. Para a Folha, caso Moraes não deixe o cargo por iniciativa própria, caberia ao Senado analisar os pedidos de impeachment apresentados contra o ministro.

Editorial da Folha sobre Moraes Foto: Reprodução/Folha de S.Paulo

O texto foi publicado na esteira de uma série de revelações sobre a relação entre Moraes, sua família e Vorcaro. Entre os elementos citados está o contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo dados extraídos pela PF do celular de Vorcaro, Moraes teria acessado e editado uma versão do contrato em janeiro de 2024. O escritório de Viviane confirmou que o ministro teve acesso ao documento, afirmando que o setor de compliance pediu informações a ele sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação.

As investigações também revelaram mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes nos meses que antecederam a prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Em uma delas, Vorcaro afirma ter “uma dívida de vida” com o ministro e sua família.

Em outras, pede ajuda para tentar evitar ou retardar medidas que poderiam atingir o Banco Master e menciona possíveis contatos com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A PF também identificou mensagens que indicam encontros entre Vorcaro e Moraes. Em dezembro de 2023, o banqueiro teria ido ao endereço do ministro em São Paulo. Posteriormente, novas mensagens apontaram para outro encontro e para uma viagem a Campos do Jordão.

Para a Folha, o conjunto das revelações agravou uma situação que já era considerada preocupante. O jornal afirma que o contrato milionário e as comunicações entre Vorcaro e Moraes já levantavam dúvidas sobre a relação entre o magistrado e o banqueiro, mas que os novos elementos tornaram, na avaliação do editorial, insustentável a permanência do ministro no STF.

– A torrente de situações abomináveis que acaba de desaguar sobre a opinião pública sepulta qualquer incerteza restante sobre a incompatibilidade de Moraes com o exercício da magistratura no STF. O fraudador, enquanto enriquecia a família Moraes com dinheiro roubado, tinha o ministro como um conselheiro e um informante – diz.

O editorial também faz críticas à atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) diante das informações levantadas pela PF. A Folha afirma que “não há muito o que esperar” do órgão e cita o procurador-geral Paulo Gonet, que questionou a validade do relatório policial.

Segundo o jornal, Gonet também aparece relacionado à rede de contatos de Vorcaro. O procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, participaram de uma degustação de uísque promovida pelo banqueiro em Londres, em 2024.

Diante desse cenário, a Folha afirma que a questão deixou de ser apenas a conduta individual de Moraes e passou a envolver a própria credibilidade do Supremo.

– Entretanto agora cabe escolher entre Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal, entre um indivíduo de má conduta e a República. Enquanto o ministro permanecer na sua cadeira, a desonra e o descrédito se acumularão sobre o tribunal – declara o jornal.

Na avaliação do veículo, a permanência do ministro no cargo tende a ampliar o desgaste da Corte. A Folha considera que a renúncia seria a alternativa “mais digna e rápida” e afirma que a saída voluntária de Moraes evitaria um processo prolongado de desgaste institucional. Caso isso não ocorra, o jornal defende que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), dê andamento aos pedidos já feitos.

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