Decisão do governo federal de criar uma trava no crescimento do Fundo Constitucional gera reação no Distrito Federal e levanta críticas sobre a relação de Brasília com a União
O presidente petista Lula da Silva (PT), voltou a colocar o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) no centro de uma disputa política e fiscal que pode trazer consequências diretas para a população de Brasília. O petista sancionou a Lei Complementar nº 235/2026, que cria uma trava que pode limitar o crescimento do repasse do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) em anos de déficit fiscal da União. A lei não altera diretamente a Lei nº 10.633/2002, que rege o FCDF, mas estabelece uma condição, no art. 14, que pode suspender a aplicação da regra de correção que o fundo usa hoje.
Ao sancionar a Lei Complementar nº 235/2026, Lula manteve no texto uma regra que pode limitar o crescimento dos repasses do Fundo Constitucional em períodos de déficit fiscal da União. Na prática, a mudança abre espaço para que o Distrito Federal tenha menos recursos para financiar áreas fundamentais como segurança pública, saúde e educação.

Governadora do DF Celina Leão aciona STF contra lei federal que pode gerar corte bilionário no Fundo Constitucional
A governadora do DF, Celina Leão, reagiu por meio da Procuradoria Geral do DF, entrando, nesta tarde, com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a lei no Supremo Tribunal Federal.
A medida é vista no DF como mais uma tentativa de mexer em uma fonte de recursos que não é um favor do governo federal, mas um mecanismo constitucional criado justamente para garantir as condições necessárias para o funcionamento da capital da República.
Fundo Constitucional
O Fundo Constitucional do Distrito Federal é um montante enviado à capital pela União para custear infraestrutura, segurança, saúde e outros gastos públicos. Ele é previsto na legislação brasileira desde 2003 e é fiscalizado pelo Tribunal de Contas da União.
Brasília não pode pagar a conta do desequilíbrio da União
A principal crítica à decisão é justamente esta: se o governo federal enfrenta dificuldades fiscais, por que Brasília deveria ser chamada a pagar a conta?
O Distrito Federal possui características completamente diferentes de outros estados. Além de atender à própria população, Brasília concentra órgãos federais, recebe diariamente milhares de pessoas de outras unidades da Federação e abriga as estruturas dos três Poderes da República.
A segurança da capital, por exemplo, não interessa apenas aos moradores do DF. Trata-se de uma questão de interesse nacional.
Por isso, reduzir ou limitar a previsibilidade dos recursos do FCDF significa colocar pressão justamente sobre serviços que precisam funcionar permanentemente.
Uma decisão que chega em momento político delicado
A decisão de Lula também ocorre em um momento de forte disputa política no Distrito Federal.
A governadora Celina Leão reagiu imediatamente e levou a discussão ao Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a constitucionalidade da medida. O GDF sustenta que a nova regra interfere na sistemática de atualização dos recursos do Fundo Constitucional.
É inevitável, portanto, que a decisão presidencial seja interpretada também sob a ótica política.
Lula sabe da importância do FCDF para Brasília. Sabe também que qualquer redução na capacidade financeira do Distrito Federal pode atingir diretamente áreas sensíveis e, consequentemente, a população.
Não é a primeira vez que Brasília precisa se defender
O episódio reacende uma discussão antiga: até onde a União pode avançar sobre os recursos destinados constitucionalmente ao Distrito Federal?
O FCDF foi criado para assegurar recursos necessários à organização e manutenção da segurança pública, além da assistência financeira para saúde e educação. Alterar sua dinâmica de crescimento significa mexer no planejamento de longo prazo do DF.
É uma discussão sobre o futuro de Brasília.
O que causa indignação é a sensação de que o Distrito Federal pode acabar sendo utilizado como variável de ajuste das contas federais.
Lula precisa explicar à sociedade por que decidiu sancionar uma regra que pode retirar bilhões de reais da capacidade financeira do DF.
Brasília não pode ser tratada como uma simples unidade administrativa da União.
É a capital do país. É onde funcionam os Poderes da República. É onde estão as instituições que representam todos os brasileiros.
Se o governo federal quer fazer ajuste fiscal, que apresente sua estratégia de forma transparente e enfrente os próprios problemas de orçamento.
A população do Distrito Federal precisa ficar atenta. Porque quando se mexe no Fundo Constitucional, a conta não fica apenas nos cofres do GDF. Ela pode chegar à segurança, à saúde, à educação e aos serviços públicos utilizados diariamente pelos cidadãos.
E, nesse caso, a pergunta que fica para o governo Lula é simples:
Quem vai pagar a conta dessa decisão?





