Chega o período eleitoral e acontece um verdadeiro milagre na política brasileira
Quem nunca viu “certas pessoas” caminhando pelas ruas, cumprimentando desconhecidos e enfrentando o calor do Distrito Federal, do nada: passam a encontrá-las em todos os cantos. Abraçam pessoas quem nunca abraçaram, beijam crianças catarrentas, pegam bebês desconhecidos no colo, entram em pequenos comércios que nunca foram lá, comem em locais populares e claro, fazem questão de registrar tudo para as redes sociais.
Candidatos que passaram anos distantes do povo, protegidos pelo conforto dos altos muros de condomínios fechados ou gabinetes climatizados e dos carros de luxo, importados oficiais ou pessoais de vidros escuros, de repente, descobrem que adoram feira livre, pasteis das rodoviárias, caldo de cana e conversa com ambulantes.
É impressionante como alguns políticos mudam de hábitos quando a eleição se aproxima.
O objetivo é sempre o mesmo: tentar convencer o eleitor de que são simples, querendo passar por humildes e que vivem a mesma realidade da população. O que na verdade é uma enganação.
A pergunta que fica é: onde estavam essas demonstrações de simplicidade durante os últimos anos?
Quando se fala das ruas, alguns pré-candidatos podem não estar preparados para essa realidade, principalmente aqueles que, fora do período eleitoral, não têm o hábito de frequentar esses ambientes, participar de atividades populares ou manter contato constante com a população.
Nesta semana, o ex-governador José Roberto Arruda passou por um procedimento médico para tratar uma arritmia cardíaca. Segundo sua assessoria, a condição provocava episódios de tontura e oscilações da pressão arterial, sendo necessário um período de repouso.
Não há qualquer informação que o relacione à alimentação durante caminhada e agendas nas ruas ao quadro médico. Mas o episódio escancara outra realidade: não basta vestir a fantasia de candidato popular de quatro em quatro anos. O que se sabe é que, pessoas com histórico de hipertensão não podem fazer exageros e devem evitar ao máximo o consumo de frituras. Na verdade, humildade não se coloca como figurino de campanha. Não nasce na conveniência eleitoral, nem aparece apenas quando é preciso pedir voto. Ela é demonstrada ao longo de toda a vida pública.
O eleitor de hoje está muito mais atento. Sabe distinguir quem frequenta as comunidades porque acredita no contato com as pessoas e quem aparece apenas quando as eleições começam a se aproximar.
Pastel das rodoviárias, feira livre, abraço em desconhecido e caminhada em bairro popular rendem boas fotografias. Mas não passam confiança ao eleitor que deseja ver coerência. O que algumas figuras politicas nunca aprendem.
No fim das contas, o maior risco para alguns políticos talvez nem seja comida gordurosa frituras nem tão pouco o pastel ou o caldo de cana. É tentar convencer o eleitor de que é o que não é. E isso apenas quando é preciso pedir voto.
Em política, personagem até pode render boas fotos. Mas dificilmente convence quem acompanha os candidatos fora do período eleitoral.





