Caso Master e figuras do PT: Jaques Wagner entra no radar da PF e escândalo se aproxima de Lula
Jaques Wagner vira alvo da PF; ligação com Mantega e encontro com Vorcaro no Planalto ampliam pressão sobre o governo Lula.
A nova fase da Operação Compliance Zero colocou no centro das atenções o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e um dos homens mais próximos do presidente. O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação financeira e passou a ser uma crise política que bate na porta do governo Lula.
A Polícia Federal realizou buscas em endereços ligados ao parlamentar, investigando possíveis relações com o grupo de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Wagner nega irregularidades.
O que aumenta a pressão sobre o PT são as conexões reveladas durante a apuração. Segundo informações divulgadas sobre o caso, após uma articulação atribuída a Wagner, o ex-ministro Guido Mantega foi contratado pelo Master para prestar assessoria. Mantega receberia cerca de R$ 1 milhão por mês pelo trabalho.
Vorcaro e encontro com Lula fora da agenda oficial
O banqueiro esteve no Palácio do Planalto em reunião com Lula, fora da agenda oficial, segundo reportagens que passaram a questionar o nível de proximidade entre o empresário e integrantes do governo.
No encontro com o presidente Lula e o banqueiro Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), ocorrido no Palácio do Planalto, também estavam presentes o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o assessor especial da presidência Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), o ministro da Casa Civil Rui Costa e o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) pediu a contratação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega pelo Banco Master. Mantega foi contratado como consultor com salário próximo a R$ 1 milhão mensal após o mercado rejeitar sua indicação para o conselho da Vale. Wagner negou de forma categórica que tenha sido o “padrinho” da relação.
A pergunta que começa a ecoar em Brasília é: até onde chegavam as relações entre o banco, empresários e integrantes do círculo político do governo Lula?
Para adversários de Lula, o episódio abre uma nova frente de desgaste: um governo que chegou ao poder prometendo combate à corrupção agora precisa explicar a proximidade de figuras ligadas ao governo com um dos maiores escândalos financeiros recentes.
O caso também coloca Jaques Wagner em uma situação delicada. Além de ser um dos principais articuladores políticos do presidente Lula, o senador é peça-chave nas estratégias do PT para o Congresso e para o próximo ciclo eleitoral. Qualquer avanço da investigação pode transformar um problema em uma crise política de grandes proporções.
O discurso de defesa é que a investigação deve seguir seu curso e que não há condenação antecipada. Mas no ambiente político, o dano já começou: o escândalo chegou ao coração do governo.





