O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), deu mais um passo concreto na construção de uma possível candidatura à Presidência da República ao afirmar que não “decepcionará” caso seja o nome escolhido pelo Partido Social Democrático para disputar o Palácio do Planalto nas eleições de outubro. A declaração foi feita nesta segunda-feira (9), durante o evento Diálogos da Saúde, realizado em São Paulo, e reforça o movimento de nacionalização de seu projeto político.
“Quero entrar em campo. Se me deixarem jogar, eu garanto que não vou decepcionar ninguém aqui”, disse Caiado, recorrendo a uma metáfora esportiva para demonstrar disposição, preparo e confiança diante de um eventual desafio presidencial.
A fala ocorre em um momento estratégico para o PSD, comandado nacionalmente por Gilberto Kassab, que deve definir no próximo 15 de abril qual será o seu candidato à Presidência da República. Além de Caiado, o partido avalia os nomes dos governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) — todos com bom desempenho eleitoral em seus estados e projeção nacional crescente.
A decisão de Caiado de se filiar ao PSD foi precedida por uma ruptura significativa com o União Brasil, legenda à qual esteve vinculado desde os tempos do antigo PFL. O rompimento ocorreu após o partido formalizar federação com o Progressistas (PP), movimento que, segundo o governador, inviabilizou qualquer pretensão presidencial dentro da sigla.
Durante o evento em São Paulo, Caiado relatou que ouviu da cúpula partidária do seu antigo partido que não haveria candidatura própria ao Planalto. “Eles disseram: ‘nós não vamos lançar candidato próprio’. Eu respondi: ‘bom, então vocês vão fazer com que eu saia do partido que eu venho desde que comecei minha vida política’”, afirmou.
A mudança de legenda, portanto, não foi apenas partidária, mas estratégica. No PSD, Caiado encontrou um ambiente favorável à construção de um projeto presidencial próprio, algo inédito na história recente do partido, que tradicionalmente optou por alianças nacionais em vez de candidaturas próprias.
Com discurso afinado ao campo do centro e da centro-direita, Caiado também demonstrou leitura estratégica do atual cenário eleitoral. Para ele, a fragmentação de candidaturas no primeiro turno pode ser um fator decisivo para enfraquecer o governo federal e evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentre ataques em um único adversário.
“Se você tem sete meses pela frente, com três ou quatro candidatos, você consegue desviar desses tiros. O que o Lula quer é um candidato só no primeiro turno para mirar”, avaliou. Segundo Caiado, a estratégia do atual presidente seria liquidar a disputa já na primeira etapa. “A certeza dele é ganhar no primeiro turno e aí, sim, ele ameaça o governador”, completou.
Ronaldo Caiado chega à disputa interna do PSD respaldado por números expressivos em seu estado. De acordo com pesquisa Real Big Data realizada em dezembro de 2025, o governador possui 85% de aprovação entre os goianos, um dos índices mais altos do país entre chefes do Executivo estadual.
Esse desempenho tem sido apresentado por aliados como prova de sua capacidade administrativa, especialmente nas áreas de segurança pública, saúde e equilíbrio fiscal — temas que o próprio Caiado tem levado para o debate nacional em eventos e encontros setoriais.
Apesar da concorrência interna, Caiado fez questão de destacar que o ambiente dentro do PSD é de respeito e unidade. Segundo ele, a definição do candidato será construída de forma consensual, com compromisso de apoio mútuo.
“A relação entre nós três é de respeito. Aquele que sair candidato terá o apoio dos demais, e aquele que for para o segundo turno terá o apoio de todos os outros”, afirmou.
A escolha do nome presidencial marcará um momento histórico para o PSD, que, pela primeira vez, deverá lançar um candidato próprio ao Palácio do Planalto. Até lá, Caiado segue ampliando sua presença nacional, consolidando discurso e se apresentando como um dos principais nomes do campo oposicionista para 2026.






