Como a polícia desvendou morte de corretora sem o corpo

Corretora dentro de elevador antes de desaparecer Foto: Reprodução/Câmeras de Segurança
Corretora dentro de elevador antes de desaparecer Foto: Reprodução/Câmeras de Segurança

Queda de luz levou a polícia a suspeitar do síndico

A Polícia Civil de Goiás esclareceu o assassinato da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, mesmo sem ter, inicialmente, corpo, cena de crime ou imagens claras do autor deixando o prédio. A elucidação veio a partir do cruzamento de horários, análise da rotina do condomínio e reconstrução dos últimos passos da vítima.

O desaparecimento foi comunicado em um cenário considerado atípico: não havia registros de Daiane saindo do edifício, nem de terceiros deixando o local logo depois. Ainda assim, diante da ausência de pistas concretas, a polícia passou a tratar o caso como homicídio. Ao todo, 32 pessoas foram ouvidas.

As investigações se concentraram no subsolo, onde Daiane foi vista pela última vez. As imagens mostraram que ela entrou no local às 19h em ponto, e somente oito minutos depois outra pessoa acessou a área. Nesse intervalo, ninguém entrou ou saiu, o que, segundo os investigadores, indicava que o autor precisava ter livre acesso ao prédio e conhecer bem sua rotina.

Outro elemento decisivo foi o desligamento da energia do apartamento da corretora. Horas antes de desaparecer, Daiane gravou um vídeo mostrando que apenas sua unidade estava sem luz e enviou a uma amiga. Às 18h58, ela voltou ao subsolo, registrando o trajeto em outro vídeo. Um terceiro chegou a ser gravado, mas não foi enviado. Testemunhas relataram que o corte de energia era uma prática recorrente do síndico em situações anteriores.

A polícia concluiu que o crime só poderia ter sido cometido por alguém com controle dos acessos e conhecimento do sistema de câmeras. Entre todos os depoentes, apenas o síndico reunia essas condições. Embora não houvesse imagens claras da saída do autor, registros externos mostraram o carro dele deixando o condomínio com a capota fechada e retornando cerca de 48 minutos depois, já com a capota aberta.

Confrontado com as provas, o síndico passou a colaborar e indicou onde havia deixado o corpo. Ele levou os policiais até uma estrada rural, a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas, onde os restos mortais de Daiane foram encontrados em uma vala, em avançado estado de decomposição.

O filho do síndico, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso. A investigação apurou que ele comprou um celular novo no dia do desaparecimento, possivelmente para entregar ao pai, o que levantou suspeitas de tentativa de ocultar provas. Perícias foram feitas tanto no local do crime quanto no veículo usado para transportar o corpo.