InícioBrasilCaciques Nacionais Definem Alianças Para Articular As Eleições Distritais

Caciques Nacionais Definem Alianças Para Articular As Eleições Distritais

Diretórios regionais articulam alianças para eleição distrital, mas precisam esperar definições das alianças que visam à presidência da República. Enquanto costura PT e PDT está em um impasse, Rollemberg (PSB) investe na aproximação com o PSDB

Ísis Dantas/Divulgação
Na corrida pela presidência da República, reúne mais chances de vitória o candidato que dispõe de palanques eleitorais no maior número de estados — ainda mais em meio à descrença popular após sucessivos escândalos de corrupção. Para evitar conflitos de interesses, portanto, as alianças regionais têm de ser referendadas pelo alto escalão dos partidos, a nível nacional, antes de se concretizarem. Nesse entrave, podem esbarrar as articulações pelos cargos majoritários no Distrito Federa.

A costura entre PT e PDT, iniciada na última semana, pode não vingar. As siglas pretendem lançar candidatos distintos ao Palácio do Planalto: Luiz Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes, respectivamente. Assim, as tradicionais campanhas em nome dos presidenciáveis, realizadas pelas chapas regionais, se tornariam inviáveis. “Nossa aproximação é natural, por causa da esquerda. Mas o último encontro não significa consolidação de aliança. Conversaremos com outros partidos do campo popular, como PCdoB, PSol, Rede e PV. A certeza é de que nosso grupo fará campanha pelo Ciro”, disse o presidente do diretório regional do PDT, Georges Michel.
As articulações dos pedetistas ganharam força após o rompimento com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). A princípio, o partido flertava com o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) e com o senador Cristovam Buarque (PPS). Depois de algumas conversas, a legenda deu uma guinada à esquerda, pela construção de uma aliança progressista.
Segundo bastidores, pelas conversas entre petistas e pedetistas a nível local, a articulação envolveria o nome do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), como candidato ao Palácio do Buriti, e o da ex-vice-governadora Arlete Sampaio (PT), como vice. Mas, antes de consolidar quaisquer alianças regionais, o PT precisa traçar um plano nacional, que passará pela avaliação da viabilidade jurídica de Lula, condenado pela 13ª Vara Federal, em primeira instância, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do Triplex do Guarujá — o ex-presidente recorreu ao Tribunal Regional Federal (TRF).

Planos socialistas

As costuras do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) também estão ligadas ao cenário nacional. O chefe do Executivo local investiu pesado na aproximação com o PSDB. Ele criou a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos para abrigar Maria de Lourdes Abadia, além de manter conversas com figurões do partido, como o presidente da sigla, Tasso Jereissati, e o governador Geraldo Alckmin. Com as articulações, o comandante do GDF abriu as portas para a candidatura de um tucano ao posto de vice na sua chapa.

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Ainda assim, o PSB não definiu com quem estará em 2018 pela presidência da República. Além do PSDB, que deve ter candidato próprio, a legenda mantém contato com a Rede, de Marina Silva, e o PDT, de Ciro Gomes. “As negociações nacionais têm grande reflexo nos estados. Por isso mesmo, temos mantido conversas semanais com vários partidos no DF. As articulações em Brasília ganharão corpo em 7 de novembro, quando o novo diretório toma posse”, explicou o presidente da Executiva regional socialista, Tiago Coelho.
Apesar de as alianças estarem longe de uma efetivação, a proximidade entre tucanos e socialistas agravou o racha dentro do PSDB, o qual se alastra há semanas devido a uma intervenção que impede eleições internas. Isso porque uma eventual dobradinha minaria os planos do presidente do diretório regional da sigla e pré-candidato ao Palácio do Buriti, Izalci Lucas. O tucano argumenta que o fato de Abadia assumir um posto no governo socialista contraria as disposições do partido. “Foi uma decisão unicamente dela. Isso não significa que um compromisso será firmado mais à frente. A Abadia é fundadora do PSDB, mas não tem a liderança de antes. Tenho conversado com a Executiva Nacional do partido. Eles sabem dos planos que tenho para Brasília; sabem que a esquerda não sabe governar”, atacou.
O deputado federal garante que o estreitamento de laços entre PSDB e PSB não o farão desistir da candidatura ao GDF. Para tanto, o tucano tem colhido assinaturas de correligionários afim de demonstrar o apoio à própria campanha aos líderes do partido, além de peregrinar por cidades para se aproximar da população. Ele também conversa sistematicamente com grandes nomes da sigla, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito de São Paulo, João Dória.

Independência

Após o desembarque do PDT do governo — o qual dirigentes garantem que será efetivo, posto que a sigla terá autonomia para manter, no DF, o distanciamento —, Rollemberg vê o afastamento da Rede. Durante o congresso regional da sigla, em novembro, serão discutidos três cenários: a permanência na base aliada; o rompimento; e, opção mais provável, a declaração de independência, com a entrega de cargos.

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O desejo da Rede pela autonomia cresce gradativamente há meses. Mas o partido está especialmente descontente com a aproximação entre PSB e PSDB, por meio da entrada de Abadia no governo. “Num momento crítico de contenção de despesas e sacrifícios da população, criar uma secretaria só por acordo político é contra nossos princípios. Está na hora de acabar com essa velha política”, cutucou o porta-voz da legenda em Brasília, Pedro Ivo.

Mas a relação entre o PSB e Marina Silva, líder nacional da Rede, é harmoniosa. Ela disputou, pelo partido socialista, as eleições de 2014, após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, com quem integrava a chapa como candidata a vice-presidente.
No fim, as costuras por cargos majoritários no DF se moldarão aos interesses e necessidades dos presidenciáveis.

Calendário eleitoral

» 20 de julho a 5 de agosto de 2018: período em que os partidos estão autorizados a promover convenções para a definição dos candidatos
» 15 de agosto de 2018: fim do prazo para partidos políticos e coligações registrarem candidaturas
» 16 de agosto de 2018: início da propaganda eleitoral
» 26 de agosto de 2018: começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão
» 29 de setembro de 2018: fim da propaganda eleitoral gratuita veiculada no rádio e na televisão
» 30 de setembro de 2018: termina o período de exibição de propaganda eleitoral paga
» 2 de outubro de 2018: primeiro turno das eleições

Articulações

PSB
O partido dificilmente terá candidato próprio ao Palácio do Planalto em 2018. Por isso, negocia apoio às campanhas de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e do candidato do PSDB, que tem nomes como Geraldo Alckmin e João Doria. Nos últimos dias, os esforços de Rodrigo Rollemberg (PSB) centraram-se na aproximação com os tucanos. O chefe do Executivo local viajou a São Paulo, onde encontrou Alckmin; criou uma Secretaria que abrigará Maria de Lourdes Abadia e o suplente de distrital Virgílio Neto; e sobrevoou a Chapada dos Veadeiros ao lado do governador de Goiás e candidato à presidência nacional do PSDB,
Marconi Perillo.
REDE
Marina Silva não oficializou a candidatura à presidência. Ainda assim, internamente, a Rede dá como certa a possibilidade de a ex-ministra integrar a disputa pelo Palácio do Planalto pela terceira vez. Ela mantém conversas com o PSB, partido pelo qual disputou as eleições em 2014, quando angariou 22,2 milhões de votos. Em Brasília, a sigla integra a coligação que emplacou Rollemberg no Executivo local e lançará o distrital Chico Leite ao Senado.
PT
A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva é a prioridade dos petistas. Entretanto, o partido trabalha com a possibilidade da inviabilidade jurídica do ex-presidente. Nesse caso, a sigla esquerdita teria opções como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-ministro Jaques Wagner.
Com candidatos próprios ao Palácio do Planalto, algumas alianças no DF — como com a do PDT — poderiam ser inviabilizadas. A legenda mantém conversas com o histórico aliado PC do B.
PDT
Com o pré-candidato ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes, a sigla busca alianças no campo da esquerda. No caso da inviabilidade jurídica de Lula, o partido acredita que poderia contar com o apoio petista e, assim, ampliar a projeção de votos. A sigla conversa com PC do B e PSB. No DFde , a relação com os socialistas azedou e os pedetistas desembarcaram do governo. Integrantes do diretório regional, inclusive, garantem que mesmo com a concretização da aliança nacional, terão um candidato próprio ao Palácio do Buriti.
PSDB
Os tucanos ainda avaliam quem será o postulante à presidência da República — nomes fortes como o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito da capital paulista, João Dória, estão na disputa. Caso a aliança com o PSB a nível nacional seja concretizada, a tendência é que exista uma dobradinha pelo Executivo local e os planos do pré-candidato ao Palácio
do Buriti Izalci Lucas (PSDB) cheguem ao fim.
PMDB
É o maior partido do Brasil, com sete governadores e as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados. Ainda assim, o partido não deve ter um candidato à presidência da República, frente à impopularidade de Michel Temer. No DF, as perspectivas também não são positivas. Principal nome do partido, o ex-vice-governador, Tadeu Filippelli, acabou preso temporariamente, neste ano, devido ao superfaturamento na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha. Apesar disso, uma aliança com a legenda, que detém influência e um bom tempo de propaganda partidária, é valorizada.
Fonte: Correio Braziliense
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