InícioBrasil“Gato” é a causa de gastança milionária de água no Mané Garrincha

“Gato” é a causa de gastança milionária de água no Mané Garrincha

Descoberto o motivo para conta de água de R$ 2,2 milhões, agora uma sindicância apontará os responsáveis

Foto: Reprodução

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

O desperdício faraônico de água no Estádio Nacional Mané Garrincha é consequência da abertura de uma ligação irregular entre a rede pública de abastecimento e os reservatórios para a captação das chuvas. Esta é a conclusão do grupo técnico coordenado pela Casa Civil para investigar as causas deste novo capítulo polêmico na história da arena em tempos de racionamento de água. O governo do Distrito Federal agora vai instaurar uma sindicância para descobrir os responsáveis pela interligação indevida e pela liberação do registro.

Segundo o secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio, a água perdida escoou para o Lago Paranoá e não se refere apenas à conta do mês de maio, cobrada em junho. O problema teve início em fevereiro e prolongava-se até hoje. Pelo fato de as correntes não terem trilhado a rede de esgoto da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), o valor do prejuízo não será mais de R$ 2,2 milhões, conforme divulgado inicialmente. Sem o custo do tratamento, o rombo encolherá para R$ 1,1 milhão. A Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) arcará com a despesa.

“Tudo se inicia com um problema da execução da obra. Nós tivemos uma ligação indevida na instalação hidráulica do estádio. Foi feito um bypass na ligação, que permitiu uma conexão entre o sistema que captava a água da chuva, coletada no teto do estádio para a irrigação com a rede hidráulica da Caesb”, detalha Sampaio. Com a abertura da válvula, a pressão do sistema da Caesb impulsionou a água para o sistema pluvial com quatro reservatórios. Uma vez cheios, eles jogaram o volume para o Paranoá.

A partir de hoje, o GDF eliminará a interligação irregular. Respaldado por uma outorga da Agência Reguladora de águas, Energia e Saneamento do DF (Adasa), o governo também fará um poço artesiano para exclusivamente irrigar o gramado e manter o sistema de combate a incêndio do Mané.

Sabotagem ou erro?

Erro humano, sabotagem. Todas as possibilidades passam pela cabeça do governo. Conforme o discurso de Sérgio Sampaio, o Executivo não fará pré-julgamentos, mas também não deixará o incidente passar em branco sem as devida responsabilização dos envolvidos.

“O governo não descarta nenhuma hipótese. A gente não pode entrar em uma sindicância descartando algumas hipóteses. Nós vamos tentar identificar os motivos pelos quais isso aconteceu. Se foi um erro por desconhecimento técnico ou se houve alguma intenção por trás disso aí, deliberada no sentido de gerar esse prejuízo ao estado”, afirma o chefe da Casa Civil.

Sampaio conta que, em fevereiro, o técnico responsável pela medição do consumo da arena não conseguiu fazer a leitura devida no hidrômetro, em função de uma manifestação contra o Governo Federal. Pela legislação, ele podia estipular o consumo com base nos meses anteriores, o que fez com que o GDF demorasse mais para descobrir o problema.

Saiba mais

Em meses normais, a conta do Mané é de R$ 37 mil. Para descobrir o problema, os técnicos precisaram mergulhar nos reservatórios pluviais da arena. Apenas em maio, a falha consumiu 94,2 milhões de litros de água. Volume capaz de abastecer os 20 mil moradores da Candangolândia por um mês. O governo intensificará a fiscalização do consumo de água no estádio. Do jornal de Brasilia.

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