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Cúpula do PSDB se reúne na sede do governo de SP para discutir apoio a Temer

Encontro organizado pelo governador Geraldo Alckmin teve a participação de FHC, Aécio, Doria, entre outros políticos.

Temer acompanha leitura do relatório sobre sua denúncia no Planalto

A cúpula do PSDB se reúne na noite desta segunda-feira (10) no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, na Zona Sul da cidade, para discutir a manutenção ou não do apoio ao governo de Michel Temer (PMDB).

Segundo o colunista Gerson Camarotti, participam do encontro o senador Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB (e denunciado pela Procuradoria Geral da República no caso JBS), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prefeito João Doria, o senador José Serra, além de todos os governadores tucanos, com exceção de Simão Jatene, do Pará.

A reunião acontece após o presidente ter sido denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime de corrupção passiva, e o deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ), relator da denúncia contra Temer na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Câmara, dar parecer favorável ao prosseguimento do caso.

Deixar de apoiar Temer significaria, também, entregar os cargos em quatro ministérios comandados por tucanos: Aloysio Nunes, ministro de Relações Exteriores; Bruno Araújo, ministro de Cidades; Antonio Imbassahy, ministro da Secretaria de Governo; e Luislinda Valois, ministra dos Direitos Humanos.

Também foram ao encontro, realizado na ala residencial do palácio, o presidente em exercício do partido, Tasso Jereissati (CE), e os senadores Paulo Bauer (SC), Cássio Cunha Lima (PB) e o ex-senador José Aníbal (SP).

Deputados federais que foram ao encontro são Silvio Torres, Samuel Moreira e Ricardo Tripoli, que está em São Paulo desde sexta (7) –ele só retornará a Brasília na manhã de terça, segundo sua assessoria de imprensa.

O Palácio dos Bandeirantes é a residência oficial do governador de São Paulo e o encontro teria sido articulado por Geraldo Alckmin. A assessoria de imprensa de Alckmin, no entanto, não confirma oficialmente a realização do evento e afirma que eventos partidários são atividade particular e não relacionadas ao governo estadual. Já a assessoria do PSDB estadual disse que o evento não é institucional.

Reunião de conversa

Durante inauguração de delegacia em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, nesta segunda (10), Alckmin comentou o encontro. “A reunião não é para decidir se deixa ou não o governo. Isso só quem pode fazer é a Executiva do partido. É uma reunião de conversa, conversa entre a direção partidária, governadores, líderes. Não será tomada nenhuma decisão. É apenas uma avaliação”, disse.

O tucano acrescentou que o objetivo é “colocar a lealdade ao país e ao povo brasileiro acima de qualquer outra coisa”. “Nós precisamos nos preocupar com a população brasileira, com o Brasil. Devemos aguardar o término das reformas. Amanhã deve votar a reforma trabalhista, aí ela vai para a Presidência da República para ser sancionada. Ela é importante porque acho que vai estimular mais emprego para você poder contratar mais gente e vai diminuir a informalidade.”

Alckmin disse, também, que a decisão sobre a saída deve ocorrer apenas após as reformas serem aprovadas. “Devemos aguardar o término das reformas e aí tomar uma decisão, que na minha opinião é não deixar de apoiar as medidas de interesse do país, mas não precisamos de ter cargo no governo para fazer isso”, afirmou o governador.

Reformas

No domingo (9), o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que não há “nenhuma razão” para que o PSDB permaneça na base do governo do presidente Michel Temer após a definição do andamento das reformas trabalhista, previdenciária e política.

A votação da reforma trabalhista no Senado está prevista para a próxima terça-feira (11). A reforma da Previdência chegou a ser votada em comissão especial, mas travou depois do agravamento da crise política.

Já o prefeito João Doria disse não defender que o partido se mantenha no governo. Governador e prefeito participaram na manhã de domingo de evento em comemoração à Revolução Constitucionalista de 1932.

Alckmin destacou que já havia dito anteriormente que o PSDB não deveria ter cargos no governo. Desta vez, o governador disse que o partido “deverá encerrar’ o período de permanência na base aliada.

“Hoje, o que nós devemos fazer? Aguardar o término das reformas. Terça-feira agora é a [votação da] reforma trabalhista, ela poderá ser aprovada no Senado. E aí vai à sanção presidencial. Também a reforma previdenciária a gente vai saber em pouco tempo se ela vai prosperar ou não. E a reforma política também tem data. Depois disso, eu vejo que não tem nenhuma razão para PSDB participar do governo”, declarou.

Temer quer encontro com FHC

Temer convidou FHC para uma reunião para discutir o cenário político em meio à ameaça de desembarque do PSDB do governo. A informação sobre o convite foi antecipado pelo blog da Andréia Sadi.

A assessoria do ex-presidente, porém, informou que o tucano viajará de férias para o exterior nesta terça-feira (10) e ficará três semanas fora do país. Questionada sobre o possível encontro com Temer ainda nesta segunda, sua assessoria disse que ele não tem reunião agendada com o presidente nesta segunda (9).

Preço altíssimo

Na última sexta-feira (7), outro cacique tucano, o senador Cássio Cunha Lima (PB), disse que o PSDB paga um preço “altíssimo” ao manter apoio ao governo “mais impopular da história”. Segundo ele, seis dos sete deputados do PSDB na CCJ vão votar pela admissibilidade da denúncia contra Temer. Para Cunha Lima, o partido deve ficar “ao lado” de seus parlamentares e deixar os “cargos confortáveis” que possui no governo.

Já o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), declarou que Temer estava perdendo a capacidade de governar o país. Tasso também disse que Rodrigo Maia teria condições de reunir os partidos em uma eventual transição até 2018.

Denúncia

No último dia 27, o governador Geraldo Alckmin defendeu que o PSDB haja com “serenidade” sobre a posição do partido depois da denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer (PMDB). “É preciso entender que denúncia não é condenação. Nós não podemos estar antecipando condenação”, disse o tucano.

A declaração tinha sido dada um dia após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pelo crime de corrupção passiva

Além da condenação, Janot pede a perda do mandato de Temer, “principalmente por ter agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade”. É a primeira vez que um presidente da República é denunciado ao STF no exercício do mandato.

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