Em Minas Gerais: Goleiro Bruno se apresenta ao novo clube

    Bruno foge do caso Eliza e agradece ao Boa na chegada: “Correm de mim”

    Goleiro chegou a Varginha nesta terça e se apresentou ao novo clube. Condenado a 22 anos e 3 meses de prisão, jogador se recusou a responder algumas perguntas

    Por Bruno Giufrida e Regis MeloVarginha, MG

    Bruno Apresentação Boa Esporte (Foto: Nelson Antoine / Estadão conteúdo  )Bruno é apresentado ao Boa Esporte (Foto: Nelson Antoine / Estadão)

    Bruno Fernandes chegou em Varginha, Minas Gerais, no começo da manhã desta terça-feira para se apresentar ao Boa Esporte. O goleiro de 32 anos era esperado na cidade mineira na segunda, mas devido a um atraso na viagem, preferiu dormir na estrada. Condenado a 22 anos e três meses pela morte de Eliza Samudio, Bruno deixou a prisão na semana passada e aguarda em liberdade enquanto o recurso contra sua condenação não é julgado em segunda instância.

    O goleiro chegou para a apresentação vestido com a camisa de seu novo clube. Pouco antes da entrevista, a assessoria do Boa Esporte, que perdeu todos seus patrocinadores desde o anúncio da contratação do goleiro, informou que encerraria a coletiva, caso fosse feita alguma pergunta cujo assunto não fosse futebol. E logo a primeira pergunta gerou mal-estar no goleiro. Questionado por que “se achava digno voltar a vestir a camisa de um clube”, Bruno rebateu:

    – Eu não vou te responder – disse.

    Goleiro Bruno é apresentado pelo Boa Esporte (Foto: Bruno Giufrida)Goleiro Bruno é apresentado pelo Boa Esporte (Foto: Bruno Giufrida)

    Logo depois, se sentiu mais à vontade para responder à pergunta seguinte:

    – Estou muito feliz pela oportunidade dada. Eu venho me preparando há alguns anos. As pessoas correm de mim pelo o que aconteceu no passado. O Boa está abrindo as portas. Estou muito feliz, motivado. Agradeço a vocês por estar aqui. Deus está abrindo as portas para a gente. Tenho certeza que é Deus – disse o goleiro.

    Bruno Apresentação Boa Esporte (Foto: Nelson Antoine / Estadão conteúdo  )Bruno em apresentação no Boa Esporte (Foto: Nelson Antoine / Estadão)

    No decorrer da entrevista, a assessoria do Boa Esporte barrou algumas perguntas. “Isso foge da pauta”, argumentava o clube. Quando o assunto não incomodava, Bruno respondia:

    – Pessoas, como minha esposa, não aceitavam de forma alguma que eu encerrasse a carreira. Ela foi quem mais me motivou. A primeira coisa a fazer é me preparar para jogar. Deus vai guiar meus passos. Enfim, tenho de acreditar em mim mesmo – afirmou.

    Questionado sobre como lida com a possibilidade de ter de voltar à prisão, já que ainda não cumpriu sua pena na íntegra e foi solto pois seu recurso ainda não foi julgado em segunda instância, Bruno disse:

    – Ninguém fecha portas abertas por Deus.

    Segundo Rone Moraes da Costa, presidente do Boa Esporte, o contrato de Bruno, válido por dois anos, já está assinado. Após a apresentação, o goleiro segue para o CT do clube onde fará exames médicos e iniciará os trabalhos físicos.

    +++ Boa perde último patrocinador e fornecedora de material esportivo

    Entenda o caso Bruno

    O goleiro deixou a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), em Santa Luzia, Minas Gerais, no fim de fevereiro. A liberação foi determinada pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão liminar. Bruno aguarda julgamento de recurso após a condenação.

    O jogador foi condenado em 2013 pelo assassinato e ocultação de cadáver de Eliza e também pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. Segundo a decisão do ministro Marco Aurélio, o goleiro poderá ficar em liberdade enquanto o recurso contra a condenação não é julgado em segunda instância.

    Desde quando anunciou a contratação de Bruno, o Boa Esporte perdeu seus três patrocinadores: o Grupo Gois & Silva, a Cardiocenter Varginha e a Nutrend Nutrition, e também sua fornecedora de material esportivo, a Kanxa. Além disso, o site oficial do clube chegou a ser hackeado e teve informações sobre partidas substituídas por dados sobre feminicídio e questionamentos da associação das empresas ao jogador. Fonte: G1.