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Calcanhar de Aquiles: Os erros de Rollemberg. O PSB quer mais espaço

Marcos Dantas pede compreensão dos companheiros de partido

Mesmo com toda a crise financeira, a ausência de quadros expressivos e de interlocutores com a sociedade é apontada por membros do partido como o calcanhar de Aquiles do GDF. A falta de base na comunidade dificulta a aprovação da população sobre o modo de governar de Rollemberg. Um aliado lembra que Eduardo Campos, morto durante a corrida presidencial do ano passado e ex-governador de Pernambuco, era o exemplo para o chefe do Executivo local. Campos fez boas gestões, mas em outro contexto… “Ele era neto de Miguel Arraes, maior liderança da história daquele estado. Só isso era suficiente para o projeto dele ter capilaridade na sociedade, diferentemente do que ocorre em Brasília”, analisa o correligionário.

O erro na tomada de decisão é uma falha de Rollemberg, opina outro aliado. Na disputa para cargos proporcionais na última eleição, o PSB coligou-se com PDT e Solidariedade. “Era preciso sair com chapa própria. O SD concorria com um e o PDT tinha três candidatos mais fortes que os do PSB”, lembra. Para deputado federal, ele também errou, analisa o aliado. “O governador apostou todas as fichas no Jaime Recena e o resultado das urnas provou que estava errado. O candidato foi apenas o terceiro mais votado do partido, que no fim não elegeu ninguém”.

O presidente do PSB, Marcos Dantas, afirma que os companheiros de legenda devem entender que, em um governo de coalizão, é necessário compartilhar espaços. “Nós temos que respeitar a opinião dos colegas. É legítimo que a gente também queira ampliar nosso espaço”, ressalta. Ele prevê um crescimento do PSB no próximo pleito. “É um amadurecimento da sigla que se comprovará nas próximas disputas”.

O PSB quer mais espaço

Partido tem cargos importantes, mas está afoito atrás de mais postos no GDF. O governador Rodrigo Rollemberg é pressionado para ampliar os poderes da legenda. Aliados dizem que o socialista não aceita alguém que faça sombra a ele

 

Sem uma base forte que o sustente perante a sociedade e o meio político, o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) tem nos quatro anos à frente da máquina pública distrital a oportunidade de fortalecer o partido, ao qual é filiado há 30 anos. Coadjuvantes na história brasiliense, nos 25 anos de eleições diretas na capital, os socialistas elegeram, além de Rollemberg, apenas dois candidatos a cargos proporcionais. Agora no Palácio do Buriti, o governador nomeou correligionários em postos estratégicos, mas não foi o suficiente para agradar a todos da legenda. Além das queixas de siglas aliadas sobre a falta de diálogo com o chefe do Executivo local, críticas sobre a condução do governo partem também de integrantes do próprio PSB, insatisfeitos com a falta de protagonismo da sigla na gestão.

As reclamações vêm desde a formação do secretariado, quando Hélio Doyle, que nunca militou no partido, foi escolhido para a posição de maior destaque. Em áreas prioritárias, como educação, saúde, segurança e transporte, nenhuma indicação atendeu aos anseios do PSB. Na Secretaria de Saúde, o médico Paulo Feitosa, filiado à legenda há décadas e autor do plano de governo da área, era o preferido, mas não foi escolhido. No Transporte, a preferência era por Marcelo Dourado, que também foi preterido — ele acabou na presidência do Metrô-DF.

A chefia da pasta de Transporte ficou com Carlos Tomé. Apesar de ser filiado ao PSB, ele é neófito na sigla e não tem muita ligação com a base da legenda, diferentemente de Dourado. Leany Lemos, secretária de Planejamento, é um caso parecido. Embora seja a única representante socialista na Governança, equipe criada por Rollemberg para tocar toda a gestão do GDF, ela está há poucos anos no partido e não tem proximidade com a base. Na Secretaria de Cultura, Nanan Catalão era a favorita do PSB, mas ficou como adjunta no órgão. Ao todo, a legenda comanda quatro secretarias e seis administradores regionais (leia Para saber mais).

Principal líder do partido no DF desde 1990, impossível não recaírem sobre Rollemberg as críticas em relação ao tamanho do PSB na capital e ao fato de não ter surgido nenhum outro nome forte na legenda. Pessoas próximas ao governador afirmam que ele nunca lidou bem com quadros políticos que pudessem ameaçar sua liderança internamente. O distrital Rogério Ulysses, primeiro socialista a se eleger no DF após Rollemberg, foi expulso da sigla por envolvimento na Caixa de Pandora, mas, nos bastidores, diz-se que ambos já vinham se desentendendo há algum tempo.

 

O mesmo ocorreu com Joe Valle, que deixou o partido para ingressar no PDT, de olho em cargos no então governo de Agnelo Queiroz (PT), mas também motivado por rusgas internas com o atual governador. Um socialista antigo faz duras críticas a Rollemberg. “Coronelismo puro. Quando alguém cresce ao lado dele, (Rollemberg) tem as asas cortadas. Qualquer um que pudesse alçar voos mais altos tinha de ser exterminado. Ele é a única estrela. Valle e Ulysses nunca foram prestigiados dentro do PSB”, recorda.

Número de secretarias no GDF que estão nas mãos de filiados ao PSB

Os nomes da sigla

O PSB tem sete secretários: Paulo Salles, chefe de Ciência e Tecnologia; Jaime Recena, de Turismo; Marcos Pacco, de Desenvolvimento Social; Carlos Tomé, de Transporte; Leany Lemos, de Planejamento; Rômulo Neves, na chefia de gabinete; e José Guilherme Leal, na Agricultura, que, embora seja filiado, também contou com a indicação do distrital Joe Valle, de quem é muito próximo. Nas regiões administrativos, o PSB indicou seis nomes: Igor Tokarski (Plano Piloto), Roosevelt Vilela (Park Way, Candangolândia e Núcleo Bandeirante), Evanildo Santos (Estrutural), Eduardo Rodrigues (Paranoá) e Paulo Feitosa (Sudoeste, Octogonal e Cruzeiro).

Fonte: Por Matheus Teixeira, Correio Braziliense
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