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ELEIÇÕES 2018 » Trajetória surpreendente – (Apresentando-se como um não político, ex-presidente da OAB-DF Ibaneis Rocha (MDB)

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Ibaneis durante caminhada na Rodoviária do Plano: o novato tomou gosto pelo contato com o povo nas ruas

Apresentando-se como um não político, o ex-presidente da OAB-DF Ibaneis Rocha (MDB) saiu dos 2% nas primeiras pesquisas de intenção de votos para governador do Distrito Federal e alcançou, com folga, a liderança no primeiro turno

No início da campanha, nem o analista mais ousado seria capaz de prever a trajetória de Ibaneis Rocha (MDB), 47 anos, no primeiro turno, que terminou com ele como o mais votado, escolhido por 634.008 brasilienses. Desconhecido da maior parte da população, o ex-presidente da OAB-DF,, lançou a candidatura perto do prazo final. Os números das primeiras pesquisas não eram animadores para o estreante na política: 2%. O percentual era muito distante dos 41,97% alcançados nas urnas ontem.

O grupo de Ibaneis, no entanto, acreditava desde o início no crescimento. Em 27 de agosto, em caminhada pela Rodoviária do Plano Piloto, o candidato a vice, Paco Britto (Avante), afirmou que chegariam logo aos 7%, depois, começariam a crescer mais e estariam garantidos no primeiro turno. No momento, Ibaneis ainda marcava os 2% e o otimismo soava utópico. O concorrente ideal, ainda disse Paco, seria o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) — o segundo mais votado ontem.

Impulsionado por um dos maiores tempos de televisão entre todos os candidatos e pela volumosa campanha nas ruas, o emedebista começou a subir e a incomodar adversários. Deixado de lado nos primeiros ataques, passou a receber acusações e denúncias dos concorrentes. Respondeu à maioria deles de maneira enérgica, seja em debates e entrevistas, seja na própria Justiça, em que protocolou diversas representações contra adversários.

Ao longo do primeiro turno, Ibaneis tomou gosto pelo contato com o povo nas ruas. Peregrinou por várias regiões do Distrito Federal. Nelas, se apresentava, abraçava a população, conversava, comia de tudo, de pastel a comidas típicas do nordeste nas inúmeras feiras que visitou. O candidato, que passou por uma cirurgia bariátrica para perder peso, deixou a dieta de lado. Nas ruas, costumava falar da trajetória de vida, dos pais piauienses.

Nordestinos
O pai e a mãe de Ibaneis deixaram Corrente (PI) e vieram morar no Distrito Federal em 1959. Aqui tiveram três filhos, mas voltaram à terra natal. O advogado, que nasceu no Hospital de Base em 1971, passou boa parte da infância e da adolescência na cidade nordestina, onde trabalhou como vendedor de feira no comércio do pai. Voltou para Brasília para estudar. Morou em Sobradinho e se formou em direito no UniCeub.

Ibaneis é também mestrando em gestão pública pela Universidade de Lisboa. Teve dois filhos, Caio e João Pedro, no primeiro casamento, com Luzineide Getro, e espera mais um, Mateus, com a atual mulher, Mayara Noronha. Apaixonado por culinária, é especialista, segundo amigos, em pratos nordestinos. Faz, uma vez por ano, uma feijoada para dezenas de convidados.

Uma característica física chamou a atenção de eleitores durante programas de televisão e aparições públicas de Ibaneis. O olho esquerdo do advogado está sempre mais fechado do que o outro. O problema se deve à Paralisia de Bell, causada por uma inflamação no nervo facial que deixa um dos lados do rosto com fraqueza súbita. O mal também acometeu famosos como o piloto Ayrton Senna e a atriz Angelina Jolie.

Fortuna
Candidato mais rico na disputa ao GDF, Ibaneis foi acusado inúmeras vezes pelos adversários de abusar do poder econômico. Declarou ao TSE um patrimônio de R$ 94 milhões. O dinheiro, porém, nunca foi vergonha para o advogado. Ele se orgulha do que obteve e disse isso abertamente algumas vezes. Abriu o próprio escritório de advocacia em 1994 e trabalhou em muitas causas ligadas a sindicatos e a servidores públicos.

Desde o início da candidatura, Ibaneis afirmou que usaria recursos próprios para bancar a campanha e usaria até o limite permitido pela Justiça Eleitoral, de R$ 5,6 milhões. Argumentou que não havia nada de errado nisso e que fazia parte do jogo. Não consta, nas receitas declaradas ao TSE, qualquer doação do partido.

Articulador
Ibaneis presidiu a OAB-DF de 2013 a 2015. Depois de sair do cargo, manteve influência na política da Ordem. Neste ano, mesmo ensaiando entrar na disputa eleitoral, comandou a articulação para que as candidaturas de Jacques Veloso e Cleber Lopes se unissem e sugeriu uma votação para a escolha do candidato à presidência entre eles. Ganhou Jacques Veloso, apadrinhado do atual presidente Juliano Costa Couto. As eleições ocorrem em novembro. Em 2012, quando foi eleito, Ibaneis derrotou o então presidente da Ordem, Francisco Caputo. Teve 7.225 votos. Cerca de 15 mil advogados participaram da eleição.

Como presidente da OAB-DF, Ibaneis foi responsável, em 2014, por tentar negar o pedido de registro do ex-ministro Joaquim Barbosa na Ordem. Ibaneis justificou que Barbosa havia desrespeitado advogados repetidamente durante o processo do Mensalão. A solicitação de Barbosa, a despeito da posição de Ibaneis, foi aceita pelo conselho da OAB.

Antes de entrar para a política local, o advogado tinha domicílio eleitoral no Piauí. No estado, contava com o apoio de Ciro Nogueira (PP) para tentar uma cadeira no Senado, mas preferiu transferir o título para o DF.

Quando decidiu tentar a candidatura ao Palácio do Buriti, negociou com alguns partidos, entre eles o PDT, mas a conversa não foi para frente. Acabou fechando com o MDB, comandado em Brasília pelo ex-vice-governador Tadeu Filippelli, envolvido no escândalo da Operação Panatenaico, que investiga desvios na construção do Mané Garrincha. A aliança foi usada por adversários para atacar o advogado. O tempo de tevê, disse Ibaneis em algumas ocasiões, foi preponderante para a decisão. Ele repetiu durante a campanha que corruptos são pessoas e não partidos, para justificar a filiação ao MDB.

Depois de entrar para o MDB, Ibaneis recuou da candidatura para compor com Jofran Frejat (PR). Foi tido, por muito tempo, como um dos nomes mais fortes para ser vice do médico. Frejat, porém, desistiu da disputa, quando liderava com folga as pesquisas. Naquele momento, Ibaneis estava na Rússia. Foi ao país para assistir à Copa do Mundo em meio ao turbilhão das negociações.

O grupo formado ao redor de Frejat se desmantelou e deu chance a novas candidaturas. A de Ibaneis foi uma das que se concretizou. Sem Frejat, buscou apoio de partidos como o PP, comandado regionalmente pelo deputado federal Rôney Nemer. A sigla foi disputada até o fim também por Fraga (candidato do DEM), mas Ibaneis ganhou a queda de braço. A proximidade com Ciro Nogueira facilitou a negociação. A coligação — formada também por Avante, PSL e PPL — deu estofo para o fortalecimento da candidatura de Ibaneis, que alcançou ontem sucesso no primeiro turno.

Cinco perguntas para Ibaneis Rocha (MDB), candidato ao GDF

A campanha foi muito acirrada no primeiro turno. A que atribui o resultado nas urnas?
A insatisfação do eleitor com os políticos profissionais ficou evidente. Não sou político e apresentei uma proposta diferente, voltada para a sociedade. Mostrei ser possível fazer o DF funcionar em todas as áreas que estão abandonadas pelo atual governo.

Quais alianças são viáveis para o segundo turno? Com quem vai dialogar em busca de apoio?
Eu fui talhado no diálogo. Foi assim que eu administrei a OAB. Mas não admito as velhas práticas políticas, como do toma lá, da cá, indicações meramente partidárias e vícios de gestão. A partir desses termos, eu converso com todos.

Quais serão as estratégias de campanha para o segundo turno?
Vou continuar conversando com a sociedade, abraçando as pessoas, ouvindo o povo. As pessoas querem soluções e é o que vou apresentar, propostas que atendam às demandas da população e que façam com que os serviços públicos funcionem.

Qual será a principal bandeira nesta segunda etapa?
A minha bandeira é a recuperação do DF. É possível ter serviços públicos de qualidade na saúde, segurança, transportes, educação e com oportunidades para todos, na forma de geração de mais empregos e renda.

Como será o diálogo com a nova Câmara Legislativa? Os distritais terão influências na escolha de cargos do eventual governo?
Repito: estou pronto para o diálogo, mas sem as velhas práticas políticas. Quero que a Câmara Legislativa participe e contribua com o governo, mas de forma aberta e sempre em benefício da população.

Propostas: Confira alguns dos projetos mais citados pelo candidato durante a campanha:

SAÚDE
Ampliação da cobertura de saúde da família e aumento do horário de atendimento nas unidades básicas. Parcerias com iniciativa privada para atender à demanda reprimida.

SEGURANÇA
Delegacias abertas 24h, novos concursos para contratação de efetivo e estruturação dos planos de carreira para os servidores públicos da área de segurança pública.

MOBILIDADE URBANA
Aumento da frota de ônibus e criação de mais itinerários. Criação de túnel no centro de Taguatinga e conclusão de obras na EPTG.

REGULARIZAÇÃO
Reforçar o processo de regularização de imóveis urbanos e rurais e facilitar o acesso a políticas públicas.

EDUCAÇÃO
Reforma de todas as escolas e ampliação de vagas em creches para atender à população de baixa renda. Integração de ações de esporte, cultura e lazer às agendas escolares.

 

Ana Viriato – Pedro Grigori – Alexandre de Paula – Fotos: Arthur Menescal /CB/D.A.Press -Marcelo Ferreiara /CB/D.A.Press – Correio Braziliense

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