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Primeira-dama Márcia Rollemberg revela batalha contra o câncer

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A primeira-dama do Distrito Federal fala ao Correio sobre como tem vivido após o diagnóstico do câncer de endométrio

Ana Dubeux Ana Maria Campos16/11/2017 06:00 – Atualizado em 16/11/2017 07:41
“Estou mais estável do ponto de vista emocional. Para o Rodrigo também. Imagina, em um momento de tantas dificuldades ainda tem mais essa. Então, traz a dimensão de quais são os verdadeiros problemas” – Foto: Breno Fortes/CB/DA Press
Com um lenço de seda no cabelo, a primeira-dama do DF, Márcia Rollemberg, pode até transparecer uma certa fragilidade. Na última segunda-feira, ela se submeteu à 11ª sessão de quimioterapia. Está se tratando para evitar uma recidiva do câncer de endométrio, o tecido que reveste a parede do útero, descoberto em julho. No dia da medicação, sente náuseas, cansaço e passa algumas horas internada no Hospital Santa Lúcia. Perdeu parte do paladar e prefere “massas e pães, um copo de leite, porque as carnes estão sem sabor”.
Em meio à batalha, Márcia, aos 56 anos, mantém a disposição. Tem vários projetos em andamento, vai a eventos e, de vez em quando, toma uma taça de espumante. Vive a vida, como diz, a cada dia, agradecendo por se sentir bem. Márcia Rollemberg fez uma histerectomia total, em agosto. Retirou o útero, o ovário e os linfonodos (glánglios linfáticos) da região afetada. A biopsia indicou que não houve contaminação e as chances de cura são de 95%. Mas a luta é diária.
A primeira-dama recebeu o diagnóstico numa semana de festas na família, véspera do aniversário de 58 anos do marido, o governador Rodrigo Rollemberg. Guardou o segredo para não atrapalhar a alegria na casa. Aos poucos, foi conversando com cada um. Chegou a pensar em não fazer a quimioterapia porque se sentia muito bem e não queria passar pelos efeitos do tratamento. Mas decidiu seguir os conselhos de seu oncologista, Fernando Maluf. Depois das quimios, vai tirar férias, descansar um pouco e se submeter a uma nova fase, da radioterapia, em 2018.
Com o câncer, Márcia vive uma relação ainda mais próxima com o mundo espiritual. Faz orações, meditação e, assim que soube da doença, esteve em Abadiânia com o médium João de Deus, amigo da família. Ele prometeu acompanhá-la. Para Márcia, essa ajuda já tem surtido efeito. A cirurgia para retirada dos órgãos reprodutores foi um sucesso e levou duas horas a menos do que o normal. O mais difícil foi se despedir do útero, um sentimento de perda para quem gestou quatro filhos. Agora, os cabelos. Hoje, no entanto, ela se sente em processo de cura e disposta a enfrentar todos os desafios.
Agora, sentindo-se mais forte, decidiu contar a sua história, em entrevista exclusiva ao Correio.

Como foi receber o diagnóstico de câncer?
Difícil, não tem jeito de não ser. Mas acho que o pior pra mim já passou que foi o diagnóstico e a cirurgia.
Como começou?
Tive um pequeno sangramento. Fiz alguns exames mais apurados, que é uma curetagem e uma primeira biópsia. E, no dia 10 de julho, recebi o diagnóstico. Era uma semana de aniversários da família. Estávamos todos reunidos, cheguei com aquilo entalado e não pude falar. Fiquei a semana inteira quietinha. Só fui contar para o Rodrigo (Rollemberg) quando a gente viajou para o Ceará. E contei para os meninos só depois da cirurgia. Era muito difícil ter que lidar com o sofrimento dos outros, você já está lidando com o seu e por isso adiei tudo.
Como foi a conversa com a família?
Falei que ia fazer uma cirurgia e tirar o útero, pois estava com mioma. Até tudo normal, porque conhecia pessoas que tinham feito. Mas, depois que veio o laudo, viram que era mesmo só no endométrio. Depois, veio a segunda parte que é o tratamento. Você não está doente, tirou a parte ruim e tem que fazer um tratamento que te deixa doente. Aí você fala: ‘para que eu vou fazer isso?’ Eu odeio tomar remédio, sempre fui muito saudável. Eu resisti e dizia que ia me apegar a Deus. Mas, quando eu fui conversar com os meninos, vi o peso.
E como está sendo o tratamento?
Comecei o tratamento logo duas semanas depois. Deveria até ter esperado um pouco mais depois da cirurgia. Mas, achei bom começar para terminar logo. Toda segunda-feira, faço quimioterapia. Já fiz 11 (sessões) e são 18. Mas, eu estou bem. Falam que eu estou na estatística dos pacientes de sucesso porque meu nível de reação é pequeno. No início, o cabelo não caiu. Veio a cair já na metade. No geral, você toma o remédio para náuseas, não posso vacilar com a comida, como fazer jejum de mais de três horas.
Como você recebe a medicação?
É uma quimio no catéter. A cirurgia em si, me deixou três pontos mínimos de cicatriz. No catéter, a cicatriz foi enorme e vai ter que abrir para tirar. Na hora da quimio, eu apago, parece que tomei “Boa noite Cinderela”. Segunda-feira é um dia off.
E como está se sentindo?
Estou trabalhando e fazendo tudo. Sinto mais um pouco de cansaço e indisposição, mas eu também cumpro agenda. Mas quando não estou bem, não vou. Agora a dificuldade é a perda do cabelo.
Falta muito para concluir o tratamento?
Faltam sete (sessões de quimioterapia). Mas, na verdade, coloquei a possibilidade de 12 a 18. Depois, eu faço uma pausa, viajo, tiro umas férias e, quando voltar, faço a parte da rádio. Sigo dois meses na radioterapia.
Você é uma pessoa pública. Como tem sido a reação das pessoas?
As pessoas ainda não sacaram. Agora, por causa dos lenços, há alguns cochichos. Brasília é um ovo e até acho um milagre não ter vindo até à mídia agora.
E como é a sua dieta?
É impressionante que eu só queira comer biscoito, pão, arroz tudo que mais tem carboidrato. Mas, depois, entendi que ajudam nas náuseas, pois são alimentos mais neutros. Leite é importante pra mim agora. Às vezes, eu acordo de madrugada e é o que me salva. Tenho um monte de indicação de coisa para comer e é bom que a gente siga uma dieta, mas no fim das contas a realidade do seu organismo é outra. Hoje, eu não estou olhando muito para a balança. A carne tem muito a questão do paladar. Pois, sem gosto fica uma coisa estranha.
Pelo que a gente conhece, você é uma mulher forte, líder da família. Essa sua força te ajuda?
Ela me ajuda, mas acho que esse encontro a partir dessa experiência que a gente está vivenciando, nessa condição de plenitude e permanência, há vários aprendizados. Acho que um deles é lidar com a minha fragilidade. Todo mundo tem um pouco de forte, mas também tem suas fraquezas. É um momento de eu me permitir, pedir colo, coisas que eu não faço. Então, tem sido um aprendizado. A família toda não sabe ainda.
No primeiro momento, você sentiu medo?
Medo, não. Mas, te falta o chão e você faz perguntas clássicas: “por que eu?” Depois relativiza. Veio como um destino. E a aceitação é um processo que se vai a cada dia, conversando com Deus e fazendo um exercício de “não é por que e para que, mas o que isso vai me ajudar?” E tem me ajudado no sentido de percepção de vida, de valores, de significados.
“Todo mundo tem um pouco de forte, mas também tem suas fraquezas. É um momento de eu me permitir, pedir colo, coisas que eu não faço. Então, tem sido um aprendizado” – Foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press
Você se aproximou mais da questão espiritual? 
Sem dúvidas. Acho que uma das portas que se abrem de uma maneira muito extensa é essa. De que a gente está como passagem e de que temos que valorizar mesmo aquele dia que acorda porque você não sabe o que acontece amanhã. O sentimento do dia a dia está muito mais real. Em um primeiro momento, eu também pensei que estava envolvida com tanta coisa e se tinha que ser logo agora. Como eu ia lidar com isso? E me deu um certo desespero. Mas, depois que eu comecei a conviver e ver que não estava eliminando o trabalho e a vida social, foi me tranquilizando. Estou mais estável do ponto de vista emocional. Para o Rodrigo também. Imagina, em um momento de tantas dificuldades ainda tem mais essa. Então, traz a dimensão de quais são os verdadeiros problemas. Para ele, foi um super desafio, se entregou e tem sido um super parceirão. Está hiper atencioso, liga, se preocupa, enche minha bola.
E os filhos?
Temos uma família muito próxima. Super solidários. Segunda (dia da quimio), eu chego baqueada, perguntam se eu quero comida, trazem a Mel (neta). Ela me distrai. Fazem muito esse movimento. Já viajei, fui à Paraíba, passei o fim de semana e foi quando eu contei pra minha mãe. Como isso podia surgir a qualquer momento, imagina ela não saber ou saber pela imprensa? Tenho quatro irmãs e elas só souberam agora.
Preferiu não expor para esperar o momento certo?
É muito intuitivo. Por onde eu vou começar isso? Nessa semana, algumas pessoas comentaram porque, nas fotos, os lenços estavam frequentes. Começaram a perguntar e eu disse que estava na hora. E eu sempre tive comigo que as coisas vão acontecer naturalmente pela minha intuição. O câncer de endométrio tem 95% de chances de cura. Foi precoce o diagnóstico, fiz muita prevenção e isso é um alerta importante. E tem todo esse suporte da família, de bons médicos, de não esmorecer.
Como é lidar com uma doença como essa, sendo alguém que conhece e já trabalhou na área de saúde?
Eu trabalhei muito com informação e saúde e com a memória da saúde. Câncer, HIV, doenças mentais, a gente abordava isso e, de repente, você se vê vivendo aquilo. É viver as coisas de outro ângulo. Tudo foi muito profundo. Mas, acho que toda a minha vivência na área da saúde ajudou muito. A gente percebe a importância de ampliar os horizontes sobre essas questões todas. Tudo fica em um nuvenzinha e, na verdade, a gente não tem mais que trabalhar assim. Tem que ter graus de risco, mais complicados. Mas, hoje temos muito mais possibilidades.
Falar agora alivia? É importante por você ser uma pessoa pública?
Eu precisava me sentir confortável, assim como estou agora. Acho que vai me fazer bem e me tira um pouco o peso. Doutor Fernando (Maluf) fala que eu sou uma paciente fora da curva e, como ele me viu no pós-operatório, me olha agora e fala que estou mil vezes melhor. Tirar o útero é uma coisa complicada. Imagina: eu sou mãe, a relação que tenho com a maternidade… Tem um simbolismo muito forte. Mas, depois que os resultados vieram e falaram que estava tudo limpinho, que não espalhou, que estava tudo localizado…
Qual a próxima fase? Está com projetos? 
Eu estou trabalhando. A gente vai fazer a segunda etapa aqui na Residência Oficial, que está aberta desde sempre. E têm sido feito visitas, com crianças e agora, estou fazendo a parte de esculturas no jardim. Estou trazendo com o diretor do Museu da República, 21 obras que são esculturas que tem a ver como proposta do Parque da Paz, um parque com o corpo diplomático. Agora estamos na fase bem adiantada da negociação. E, nesse espaço, eu tenho trabalhado muito essa dimensão de compartilhar. Uma dimensão de trabalho, paisagística porque esse lugar já deu uma primeira entrega que é o Parque de Águas Claras. Além da cultural, da memória. Então, já tivemos aqui homenagem às pioneiras. Lúcia Garófalo esteve aqui. Fiquei tão lisonjeada de estar com ela aqui. Outro projeto que vai de vento em popa é o Embaixada de Portas Abertas. Já fizemos 25 embaixadas. O Criança Candanga também. Estou muito mobilizada com essa pauta.
Você já pensou em candidatar para as próximas eleições?
O mandato do Rodrigo ainda está sendo concluído. Tem muitas pessoas que falam dessa minha vertente política, de defender mais o espaço da mulher. Sou uma pessoa muito executiva, não sei se talvez um mandato. Seria interessante, mas não é uma ambição. Sou mais de estar lidando com as pessoas, essa coisa de conectar projetos e isso tem sido real. O Portal do Voluntariado tem dado um retorno tão grande em relação a isso. Ele já teve um reconhecimento muito importante. Em um ano, mobilizou mais de 12 mil voluntários. É a participação social. Eu acredito muito no processo de qualificar a democracia pela participação da sociedade. Acho que o Brasil só tem esse caminho. A gente só vai dar freio nas coisas que a gente assiste, quando a sociedade dominar os processos de controle social de uma maneira mais efetiva. O país tem que acordar porque está tudo na mão de todo mundo. Quando a gente se apropria desse poder, apropria de soluções e encaminhamentos. Acho que o Rodrigo tem uma linha muito forte nas rodas de conversa desse contato com a população.
Como você enxerga o cenário para o Brasil e para Brasília?
Acho que o Brasil vive um momento com poucas opções. O perfil que a sociedade quer é pouco ligado à questão da carreira política tradicional. Para lidar com esse mundo, é preciso também ter experiência com esse mundo. Não sei, não tenho grandes expectativas. Não vejo nenhum candidato forte para a Presidência. Não queria que o país vivesse uma coisa de ficar preso ao que a gente já viveu, queria que a gente desse novas opções. A democracia é saudável para a renovação dos quadros.
E o DF?
Brasília é uma cidade que é muito presa, tem uma cultura muito difícil, a cultura do poder como ela foi construída no próprio Governo do Distrito Federal. Acho que é o momento de a gente modernizar a cidade, de a gente dar um salto civilizatório. Um momento de pensar mais na cidade. Acho que as pessoas pensam muito nos seus projetos partidários, e a cidade fica, às vezes, muito na segunda pauta. Seria saudável que a gente colocasse a cidade como a principal pauta.
Você se incomoda com a agressividade nas redes sociais?
Tive muito problema com essa agressividade nas redes sociais. Circulando pela cidade, muito raramente isso aconteceu. Eu tenho uma relação bem direta. Eu trabalhei muito com informação, então, eu gosto de trabalhar com evidências. As pessoas que vêm e falam “Tá tudo um caos”, e eu pergunto: “caos onde?”. Vamos materializar. A gente percebe que a cidade melhorou em várias questões. A gente ter saído da Lei de Responsabilidade Fiscal é um resultado fantástico. As escolas que foram implementadas. Eu acho que isso já tem os indicadores que mostram esses resultados. Você tem maior participação dos alunos das escolas públicas nas universidades; você tem a redução da violência. A gente recebeu um prêmio, em Madrid, pela redução da violência. Mas tem resultados que demoram um pouco a mais. O campo da saúde é complexo. Agora, (o governo) fez um ato importante de investimento no Hospital Oncológico, com investimento de recursos do Ministério da Saúde. A Caixa Econômica já recebeu o projeto, a licitação vai sair.
E a saúde?
Havia uma secretaria que não tinha contratos, até fazer esses contratos, repor medicamentos… Aí falha uma coisa. Aquele que não recebeu e não quer atender… Mas, eu já vejo diferenças. A gente zerou a mamografia; no ano passado, a fila estava lá e os mamógrafos estavam com problemas. Tem ainda questões, como a falta de anestesistas. Agora, está sendo contratado um quadro de novos funcionários. É uma engenharia, né?
A saúde e a cultura são seus xodós?
A cultura é um componente que a gente ainda não se apropriou. Acho que o mundo, porque quando a gente fala nos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), a cultura não é colocada como o quarto pilar. No Ministério da Cultura, a gente defendia a cultura como quarto pilar desse processo. Até porque é ela que lê os outros três. Cultura tem que ter mais significado. E a saúde, para mim, é o conjunto das políticas e também da sociedade. Porque, se eu deixo a água da minha casa no fundo do quintal, eu provoco a dengue. Então, todo mundo participa. Em alguma medida, a saúde é o resultado do conjunto das políticas. Ela é um termômetro de sociedade. Eu acompanhei muito a implementação do SUS. Eu sou uma militante que acha que é a política mais importante que o Brasil fez, nos últimos 30 anos. Acho que não teve mais de justiça social. Eu estava no Ministério quando a gente fez 20 anos de SUS. É uma política super correta, mas tem que ter algumas discussões que são de fundo. O país tem recurso para essa política total, universal? Como é que a gente faz um recorte? E a questão da gestão? Parceria público-privada? A gente vê o Hospital da Criança, por exemplo, com um funcionamento muito melhor, eficiente e profissional. E é uma gestão em parceria com a sociedade.
Márcia, essa luta é a mais difícil que você teve?
Eu tive momentos. Eu perdi a minha primeira filha, tive uma gravidez prematura. Na verdade, eu me casei por conta da filha e, depois, ela não existia. Jovem, de 19 anos, eu perdi no primeiro ano. Grávida, de seis meses, ela nasceu prematura e viveu só três horas. O nome dela era Lua, mas foi batizada como Marta por uma freira. Eu estava no Ceará. Foi o primeiro desafio muito grande. Depois, na sequência, o Rodrigo teve o acidente do irmão. Em 12 de dezembro eu perdi a minha filha. E dia 2 de janeiro o irmão, que era muito próximo, sofre um acidente e fica 40 dias em coma. Então, o início da minha relação com o Rodrigo foi de muito sofrimento. Hoje, é um grande desafio também, mas eu acho que o maior já passou, que é o desafio inicial, ser resolutiva com a doença. Eu me sinto muito confortável, sinto que estou atravessando uma fase que vai passar. E tenho muita fé que eu não vou ter nenhum outro problema novamente. E, se tiver, a gente enfrenta novamente, mas acredito que o tratamento vai ser efetivo.
O Fernando Maluf é o seu médico? 
Foi um grande encontro. Na verdade, eu cheguei ao doutor pela Dra. Valquíria, da UnB. E médico tem essa coisa de vínculo que é muito interessante. Desde o primeiro momento, o acolhimento do Dr. Fernando, a minha empatia com ele foi muito grande. Ele até fala que eu sou uma paciente que filosofa. Eu mando zaps, ele quer sempre notícias. A gente tenta levar as coisas com humor. Ele mora em São Paulo e vem a Brasília praticamente toda semana. Ele é uma referência nacional e internacional, é um médico muito humano e atencioso.
Sobre a agressividade da oposição ao Rollemberg, você está mais sensível a isso?
Acho que tem uma questão que é a ofensa pessoal, que me incomoda, mas que hoje já tenho um filtro. Antigamente eu me sentia mais agredida e, hoje, eu tenha uma compreensão, porque acho que o Brasil vive essa linguagem de ódio e dedo na cara. Um momento de gente virar juiz, de todo mundo ter opinião sobre tudo e tudo radical. Eu vejo pessoas que são amigos e piram por causa de questão política. Então, assim, acho que a gente tem que dar um salto. Muitas vezes, quando a pessoa vem muito agressiva, eu vou lá no inbox e converso com ela. Às vezes, faço uma empatia e “se candidata, entra aí na arena”, porque tem que ter coragem. Então, eu provoco. Não existe mágica, ninguém pega um estado na situação que pegamos o DF, com a dívida…. Um estado precarizado em informação e sistemas, corporativismo acentuado. Na verdade, eu acho importante que tenha o espírito corporativo, de time. Mas, hoje o que é mais importante, quando a gente vê a situação do país? Medidas amargas que devem ser tomadas. Eu acho que o Rodrigo hoje está bem maduro. Acho que ele tem frutos do trabalho e pode sair de cabeça erguida. Acho que ele fez muita coisa bacana e reacendeu muito a esperança na cidade. Brasília está numa nova etapa, de mais responsabilidade.
Mas a tentativa de reeleição é fato, né?
É um caminho natural. Eu não me antecipo, vamos ver como as coisas ficam. Até porque há o movimento agora de uns partidos se afastando. Eu acho até que é o momento da gente estar mais unidos ainda, porque as coisas estão melhorando, a gente tem bons resultados. Mas é uma disputa de poder. O país vive uma política muito pouco colaborativa. Mas eu acho que o Rodrigo está bem e forte. As pesquisas têm mostrado que o nível de rejeição diminuiu e que, se ele fosse candidato, estaria bem colocado.
Você terá uma dedicação especial à área de oncologia?
Não tenha dúvidas. Eu já era super dedicada, desde o início, ao Outubro Rosa e esses movimentos. A área da saúde é um xodó, então, estarei mais dedicada ainda. Tive o momento de estar com as crianças, agora na campanha da Abrace, de ver todas essas crianças carequinhas. Você vê uma menina jovem superando. E todas as emoções guardadas, eu vivendo aquilo de uma maneira muito particular. Eu me sinto mais forte e muito solidária, mais solidária ainda com as pessoas que são acometidas por essa doença e que vivem uma vulnerabilidade.
Você já se sente como se tivesse vencido o câncer?
Eu me sinto no processo de vencer. Para mim, vencer vai ser o concluir. Eu não tenho mais câncer, isso é importante. Eu estou trabalhando essa prevenção, porque essa recidiva é estatística. Então, eles trabalham em cima de um cálculo. Em função disso, a gente tem que tomar essa medicação para garantir que a gente não tenha nenhuma reincidência. Mas eu me sinto sem estar doente, no sentido de não ter mais a doença, mas a prevenção é um tratamento que traz um pouquinho de efeitos colaterais. Então, a gente se sente ainda vencendo essa etapa.
O brasileiro hoje tem condições de enfrentar um câncer com esse no sistema público de saúde?
Eu acho que há gargalos no SUS, mas ainda é ele que garante esse acesso. Eu conheci muito o Inca. Por dois anos, eu ia até lá todos os meses, por causa da proposta do Inca de virar uma OS, inclusive. Eu acredito que a gente tem que investir novamente na política do SUS. Acho que é uma questão de financiamento que é séria, a retirada da previdência, em 1993, tirou muitos recursos. A gente falava da universalização tirando dinheiro, né? Hoje, quando a gente vê a per capita da saúde, de investimentos para com outros países, acho que o Brasil tem resultados muito concretos no SUS. Só não tem mais porque a gente tem uma política de prioridade geral, porque o SUS vive um momento de crise histórica. Mas eu ainda acredito que seja esse o melhor rumo. Na verdade, uma parte dos brasileiros têm acesso aos planos de saúde, que é o meu caso. Mas eu também já me tratei no SUS. A gente acha que não usa o SUS, mas a gente usa todo o tempo. O SUS está na vigilância sanitária, epidemiológica e de saúde, nos fármacos e no acesso aos medicamentos. Agora, tem a política da fila, porque não tem a atenção básica. Então, é um conjunto de fatores. Eu acredito nessa política e que a sociedade tem que perceber o valor da política do SUS. Antigamente, você só ia com a carteirinha assinada. Hoje é um direito de todo mundo. No DF, a gente tem o maior número de testes de criança quando nascem. Você tem o HRAN, que é referência em queimados. A gente tem o maior banco de leite no mundo.

Câncer endometrial

É o 6º tipo mais frequente entre as mulheres. Somente em 2008, houve o registro de aproximadamente 287 mil novos casos no mundo. A incidência acontece, principalmente, entre as mulheres com idade superior a 50 anos. Apenas 20%, ou menos, estão na fase de pré-menopausa. Menos de 5% têm menos de 40 anos de idade. Em 2016, o número de novos casos de câncer no corpo do útero, no Brasil, chegou a 6.950, o equivalente a 3,4% do total dos demais tipos registrados no mesmo período. Também no ano passado, a taxa estimada foi de 9 casos para cada 100 mil mulheres do Distrito Federal. O câncer de endométrio é um tumor altamente curável na maioria das mulheres.

Sintomas

Em mais de 95% das vezes, o sangramento vaginal é o sinal de alerta. Nas mulheres em menopausa, costuma ser identificado rapidamente como digno de atenção. Nas que ainda não chegaram a essa fase da vida, pode ser confundido com menstruações irregulares e, portanto, ser negligenciado. Outros sintomas são: dor pélvica, massa pélvica, além de diminuição do apetite, cansaço e palidez.
 
Fonte: Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca)

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