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Caciques Nacionais Definem Alianças Para Articular As Eleições Distritais

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25/10/2017 Crédito: Ed Alves/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Governador Rodrigo Rollemberg, assina aliança com o PSDB. Na Foto Maria de Lourdes Abadia, secretária especial de assuntos estratégicos com o governador Rodrigo Rollemberg.

Diretórios regionais articulam alianças para eleição distrital, mas precisam esperar definições das alianças que visam à presidência da República. Enquanto costura PT e PDT está em um impasse, Rollemberg (PSB) investe na aproximação com o PSDB

Ísis Dantas/Divulgação
Na corrida pela presidência da República, reúne mais chances de vitória o candidato que dispõe de palanques eleitorais no maior número de estados — ainda mais em meio à descrença popular após sucessivos escândalos de corrupção. Para evitar conflitos de interesses, portanto, as alianças regionais têm de ser referendadas pelo alto escalão dos partidos, a nível nacional, antes de se concretizarem. Nesse entrave, podem esbarrar as articulações pelos cargos majoritários no Distrito Federa.

A costura entre PT e PDT, iniciada na última semana, pode não vingar. As siglas pretendem lançar candidatos distintos ao Palácio do Planalto: Luiz Inácio Lula da Silva e Ciro Gomes, respectivamente. Assim, as tradicionais campanhas em nome dos presidenciáveis, realizadas pelas chapas regionais, se tornariam inviáveis. “Nossa aproximação é natural, por causa da esquerda. Mas o último encontro não significa consolidação de aliança. Conversaremos com outros partidos do campo popular, como PCdoB, PSol, Rede e PV. A certeza é de que nosso grupo fará campanha pelo Ciro”, disse o presidente do diretório regional do PDT, Georges Michel.
As articulações dos pedetistas ganharam força após o rompimento com o governador Rodrigo Rollemberg (PSB). A princípio, o partido flertava com o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR) e com o senador Cristovam Buarque (PPS). Depois de algumas conversas, a legenda deu uma guinada à esquerda, pela construção de uma aliança progressista.
Segundo bastidores, pelas conversas entre petistas e pedetistas a nível local, a articulação envolveria o nome do presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), como candidato ao Palácio do Buriti, e o da ex-vice-governadora Arlete Sampaio (PT), como vice. Mas, antes de consolidar quaisquer alianças regionais, o PT precisa traçar um plano nacional, que passará pela avaliação da viabilidade jurídica de Lula, condenado pela 13ª Vara Federal, em primeira instância, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do Triplex do Guarujá — o ex-presidente recorreu ao Tribunal Regional Federal (TRF).

Planos socialistas

As costuras do governador Rodrigo Rollemberg (PSB) também estão ligadas ao cenário nacional. O chefe do Executivo local investiu pesado na aproximação com o PSDB. Ele criou a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos para abrigar Maria de Lourdes Abadia, além de manter conversas com figurões do partido, como o presidente da sigla, Tasso Jereissati, e o governador Geraldo Alckmin. Com as articulações, o comandante do GDF abriu as portas para a candidatura de um tucano ao posto de vice na sua chapa.

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Ainda assim, o PSB não definiu com quem estará em 2018 pela presidência da República. Além do PSDB, que deve ter candidato próprio, a legenda mantém contato com a Rede, de Marina Silva, e o PDT, de Ciro Gomes. “As negociações nacionais têm grande reflexo nos estados. Por isso mesmo, temos mantido conversas semanais com vários partidos no DF. As articulações em Brasília ganharão corpo em 7 de novembro, quando o novo diretório toma posse”, explicou o presidente da Executiva regional socialista, Tiago Coelho.
Apesar de as alianças estarem longe de uma efetivação, a proximidade entre tucanos e socialistas agravou o racha dentro do PSDB, o qual se alastra há semanas devido a uma intervenção que impede eleições internas. Isso porque uma eventual dobradinha minaria os planos do presidente do diretório regional da sigla e pré-candidato ao Palácio do Buriti, Izalci Lucas. O tucano argumenta que o fato de Abadia assumir um posto no governo socialista contraria as disposições do partido. “Foi uma decisão unicamente dela. Isso não significa que um compromisso será firmado mais à frente. A Abadia é fundadora do PSDB, mas não tem a liderança de antes. Tenho conversado com a Executiva Nacional do partido. Eles sabem dos planos que tenho para Brasília; sabem que a esquerda não sabe governar”, atacou.
O deputado federal garante que o estreitamento de laços entre PSDB e PSB não o farão desistir da candidatura ao GDF. Para tanto, o tucano tem colhido assinaturas de correligionários afim de demonstrar o apoio à própria campanha aos líderes do partido, além de peregrinar por cidades para se aproximar da população. Ele também conversa sistematicamente com grandes nomes da sigla, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito de São Paulo, João Dória.

Independência

Após o desembarque do PDT do governo — o qual dirigentes garantem que será efetivo, posto que a sigla terá autonomia para manter, no DF, o distanciamento —, Rollemberg vê o afastamento da Rede. Durante o congresso regional da sigla, em novembro, serão discutidos três cenários: a permanência na base aliada; o rompimento; e, opção mais provável, a declaração de independência, com a entrega de cargos.

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O desejo da Rede pela autonomia cresce gradativamente há meses. Mas o partido está especialmente descontente com a aproximação entre PSB e PSDB, por meio da entrada de Abadia no governo. “Num momento crítico de contenção de despesas e sacrifícios da população, criar uma secretaria só por acordo político é contra nossos princípios. Está na hora de acabar com essa velha política”, cutucou o porta-voz da legenda em Brasília, Pedro Ivo.

Mas a relação entre o PSB e Marina Silva, líder nacional da Rede, é harmoniosa. Ela disputou, pelo partido socialista, as eleições de 2014, após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, com quem integrava a chapa como candidata a vice-presidente.
No fim, as costuras por cargos majoritários no DF se moldarão aos interesses e necessidades dos presidenciáveis.

Calendário eleitoral

» 20 de julho a 5 de agosto de 2018: período em que os partidos estão autorizados a promover convenções para a definição dos candidatos
» 15 de agosto de 2018: fim do prazo para partidos políticos e coligações registrarem candidaturas
» 16 de agosto de 2018: início da propaganda eleitoral
» 26 de agosto de 2018: começa a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão
» 29 de setembro de 2018: fim da propaganda eleitoral gratuita veiculada no rádio e na televisão
» 30 de setembro de 2018: termina o período de exibição de propaganda eleitoral paga
» 2 de outubro de 2018: primeiro turno das eleições

Articulações

PSB
O partido dificilmente terá candidato próprio ao Palácio do Planalto em 2018. Por isso, negocia apoio às campanhas de Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e do candidato do PSDB, que tem nomes como Geraldo Alckmin e João Doria. Nos últimos dias, os esforços de Rodrigo Rollemberg (PSB) centraram-se na aproximação com os tucanos. O chefe do Executivo local viajou a São Paulo, onde encontrou Alckmin; criou uma Secretaria que abrigará Maria de Lourdes Abadia e o suplente de distrital Virgílio Neto; e sobrevoou a Chapada dos Veadeiros ao lado do governador de Goiás e candidato à presidência nacional do PSDB,
Marconi Perillo.
REDE
Marina Silva não oficializou a candidatura à presidência. Ainda assim, internamente, a Rede dá como certa a possibilidade de a ex-ministra integrar a disputa pelo Palácio do Planalto pela terceira vez. Ela mantém conversas com o PSB, partido pelo qual disputou as eleições em 2014, quando angariou 22,2 milhões de votos. Em Brasília, a sigla integra a coligação que emplacou Rollemberg no Executivo local e lançará o distrital Chico Leite ao Senado.
PT
A candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva é a prioridade dos petistas. Entretanto, o partido trabalha com a possibilidade da inviabilidade jurídica do ex-presidente. Nesse caso, a sigla esquerdita teria opções como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-ministro Jaques Wagner.
Com candidatos próprios ao Palácio do Planalto, algumas alianças no DF — como com a do PDT — poderiam ser inviabilizadas. A legenda mantém conversas com o histórico aliado PC do B.
PDT
Com o pré-candidato ao Palácio do Planalto, Ciro Gomes, a sigla busca alianças no campo da esquerda. No caso da inviabilidade jurídica de Lula, o partido acredita que poderia contar com o apoio petista e, assim, ampliar a projeção de votos. A sigla conversa com PC do B e PSB. No DFde , a relação com os socialistas azedou e os pedetistas desembarcaram do governo. Integrantes do diretório regional, inclusive, garantem que mesmo com a concretização da aliança nacional, terão um candidato próprio ao Palácio do Buriti.
PSDB
Os tucanos ainda avaliam quem será o postulante à presidência da República — nomes fortes como o do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito da capital paulista, João Dória, estão na disputa. Caso a aliança com o PSB a nível nacional seja concretizada, a tendência é que exista uma dobradinha pelo Executivo local e os planos do pré-candidato ao Palácio
do Buriti Izalci Lucas (PSDB) cheguem ao fim.
PMDB
É o maior partido do Brasil, com sete governadores e as maiores bancadas no Senado e na Câmara dos Deputados. Ainda assim, o partido não deve ter um candidato à presidência da República, frente à impopularidade de Michel Temer. No DF, as perspectivas também não são positivas. Principal nome do partido, o ex-vice-governador, Tadeu Filippelli, acabou preso temporariamente, neste ano, devido ao superfaturamento na construção do Estádio Nacional Mané Garrincha. Apesar disso, uma aliança com a legenda, que detém influência e um bom tempo de propaganda partidária, é valorizada.
Fonte: Correio Braziliense

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