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Governo do DF suspende vistorias em ônibus após prisão de 4 servidores

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 Operação apura cobrança de propina em troca de licença a coletivos. Grupo cobrava até R$ 800 para liberar veículos irregulares.

Por Gabriel Luiz e Bianca Marinho, G1 DF

01/09/2017 11h35  Atualizado há 4 horas

População do DF na Rodoviária do Plano Piloto (Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília)

A Secretaria de Mobilidade do Distrito Federal decidiu suspender todas as vistorias em ônibus e micro-ônibus previstas para esta sexta-feira (1º). A medida ocorre após a prisão de quatro servidores da pasta em uma operaçãoda Polícia Civil e do Ministério Público que apura cobrança de propina em troca de licença a ônibus de cooperativas que não tinham condição sequer de circular.

De acordo com as investigações, o preço da propina variava de R$ 400 a R$ 800, de acordo com o tipo de irregularidade. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos R$ 10.770, duas armas de fogo e um veículo que foi apontado como “fruto de propina”.

Segundo o delegado Robson Rui, da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a princípio são três as cooperativas envolvidas no esquema: Coopertran, Cootarde e Cootransp. Os envolvidos vão desde o presidente até os motoristas, afirma.

G1 tenta contato com as cooperativas. O vice-presidente do sindicato que representa as cooperativas, João de Jesus, afirmou ter recebido as denúncias com “surpresa” e que ainda terão de avaliar as repercussões.

Alvo da operação Checklist em carro com investigadores (Foto: TV Globo/Reprodução)

Alvo da operação Checklist em carro com investigadores (Foto: TV Globo/Reprodução)

A Justiça tinha determinado a prisão temporária de 14 pessoas. Apenas dez foram localizados, e o restante é considerado foragido. Entre os dez detidos estão os vistoriadores William Ney Rosa, Edson Sousa de Oliveira e Carlos Pereira Rosa e o auditor fiscal Willians Fonseca.

Segundo a polícia, cada um ficava responsável pelo setor e, na medida em que os carros chegavam na garagem, aquele vistoriador que estivesse no local recebia a propina, que era entregue até no local ou depois.

O promtotor Fábio Nascimento, em entrevista (Foto: Bianca Marinho/G1)

O promtotor Fábio Nascimento, em entrevista (Foto: Bianca Marinho/G1)

Também foi preso Valdir Luiz França, que estaria explorando o serviço de transporte. Ele, a esposa e a filha estavam explorando o transporte rural em Planaltina. A esposa não foi localizada e a filha foi alvo de condução coercitiva. O G1 não conseguiu localizar a defesa deles.

Parte dos alvos prestou depoimento já nesta sexta. Alguns confirmaram e deram detalhes. Outro preso preferiu ficar calado. O MP informou que não descarta a possibilidade de aceitar acordo de delação premiada.

Entenda

Segundo os investigadores, o dinheiro era pedido para liberar o “selo de vistoria” a cooperativas que quisessem manter os automóveis rodando e livres de fiscalização. Na prática, o selo dizia que o veículo tinha perfeita condição de circular, mesmo sem ser o caso.

Alvo da operação Checklist, Edson Sousa de Oliveira saindo de casa ao ser abordado (Foto: TV Globo/Reprodução)

Alvo da operação Checklist, Edson Sousa de Oliveira saindo de casa ao ser abordado (Foto: TV Globo/Reprodução)

As fraudes ocorriam em duas etapas da vistoria, em uma primeira etapa é avaliado eixo, motor, pneu e óleo e, na segunda, o auditor fiscal dá o aval da primeira vistoria e avalia outros itens de segurança.

Os envolvidos no esquema supostamente escolhiam horários específicos para que os ônibus chegassem na garagem e encontrassem o vistoriador que recebia a propina.

O Ministério Público estima que quatro ou cinco ônibus não passavam por vistoria diariamente. O número, entretanto, pode ser superior porque são vistoriados cerca de 54 ônibus por dia.

Segundo o MP, em um dos casos um vistoriador encontra um ônibus com vazamento de óleo e diz que, se fosse preciso, ele mesmo limparia e ironiza a situação dizendo: “Pagando bem, quem mal tem?”. Depois, o mesmo vistoriador encontra um ônibus com defeito no elevador e diz que “era só tirar o elevador que estava resolvido”.

Batizada de “Checklist”, a operação ocorreu de forma simultânea em Planaltina, Samambaia, Park Way, Ceilândia, Vicente Pires, Paranoá e Recanto das Emas.

O delegado Robson Rui, em entrevista (Foto: Bianca Marinho/G1)

O delegado Robson Rui, em entrevista (Foto: Bianca Marinho/G1)

Próximos passos

O Ministério Público vai analisar as provas colhidas e verificar se há elementos para oferecer a denúncia. A partir daí, pode ser decretada a prisão preventiva dos envolvidos – por tempo indeterminado.

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