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Defesa de Filippelli contesta a investigação da Polícia Federal

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Foto: Kléber Lima
Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

As fotografias encontradas no celular apreendido do ex-vice-governador do DF, Tadeu Filippelli (PMDB), irritaram mais a sua defesa do que as várias acusações por corrupção. O aparelho foi levado pela Polícia Federal (PF), no âmbito da operação Panatenaico, que investiga superfaturamento nas obras do Mané Garrincha, e as imagens de maços de dinheiro foram anexadas ao relatório final da corporação.

Para a defesa do político, preso preventivamente em maio último e liberado duas semanas depois, atrelar a figura de Filippelli às fotos arranha ainda mais sua imagem. “São fotos que circularam em rede nacional, em jornais, na televisão. Vão sempre associá-lo ao maço de dinheiro, a isto ou àquilo outro”, reclama o advogado Alexandre Queiroz, que ataca o relatório final, mas diz “respeitar a corporação”.

Fotos que estariam no celular: na verdade, imagens que circulam pelas redes sociais. Foto: Reprodução
Fotos que estariam no celular: na verdade, imagens que circulam pelas redes sociais. Foto: Reprodução
Ele critica a inserção das fotos no documento, que também recomenda o indiciamento de outras 17 pessoas, dentre elas os ex-governadores Agnelo Queiroz (PT) e José Roberto Arruda (PR), por se tratarem de “imagens de reportagens do Rio de Janeiro e encontradas no Twitter”. “No próprio relatório, a PF afirma não saber o contexto dessas fotos. No mínimo, deveriam ter solicitado mais tempo para investigar a questão, ou então não colocassem no texto final”, revolta-se.

Saiba mais
Outros indiciados pela Operação Panatenaico foram: Maruska Holanda, ex-presidente da Terracap; Nilson Martorelli, ex-presidente da Novacap; Fernando Queiroz, dono da Via Engenharia; Jorge Luiz Salomão, apontado como operador de Agnelo no esquema; Sérgio Andrade, apontado como operador de Arruda; Afrânio Roberto de Souza Filho, dado como operador de Filippelli; Wellington Medeiros, cúmplice de Arruda; Rodrigo Leite Vieira, representante da Andrade Gutierrez; Carlos José de Souza, idem; Roberto Xavier de Castro Júnior, operador tanto da Andrade Gutiérrez quanto da Via Engenharia; Gustavo Oliveira, gerente do Consórcio Brasília 2014; dentre outros.
A Operação recebeu o nome Panatenaico em referência a uma antiga arena da Grécia. O espaço, conhecido como Stadium Panatenaico, recebia competições que, segundo registros históricos, antecederam os primeiros Jogos Olímpicos.
Denúncia ainda é grave

O advogado enviou à reportagem do Jbr a suposta origem das fotografias. Uma delas aparece em um tweet de 27 de dezembro de 2016, enquanto outra, dos maços dentro de um carro, podem ser encontradas na galeria de uma rede social, postada em 16 de dezembro do ano passado. A imagem das notas de R$ 100 espalhadas por um gramado também surgiram em uma reportagem de 25 de novembro de 2016 do Portal CM7, de Manaus.

A contestação às fotos, porém, é um dos poucos argumentos contrários que a defesa solidificou até o momento. Queiroz tenta desqualificar as delações dos executivos da Andrade Gutierrez, responsáveis por colocar Filippelli como um dos beneficiários dos esquemas de propina antes, durante e depois do processo licitatório do estádio, mas a PF garante ter confirmado as informações. “Os delatores falam que uma pessoa fez isso, fez aquilo, mas eles mesmos dizem que não podem precisar nada”, rebate a defesa do peemedebista.

O relatório aponta o ex-vice-governador como responsável por fraudar o contrato de construção do estádio, desviar dinheiro e formar uma organização criminosa para receber vantagens de uma licitação fraudulenta. O Estádio Nacional Mané Garrincha foi orçado, a princípio, em cerca de R$ 600 milhões, mas seu valor final ficou entre R$ 1,5 bilhão e R$ 1,7 bilhão. A maior parte do dinheiro veio da Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap), que atualmente passa por dificuldades financeiras.

Tadeu Filippelli foi vice-governador durante o governo Agnelo, entre janeiro de 2011 e dezembro de 2014, e tem a pretensão de lançar candidatura ao Buriti em 2018. Sua situação, porém, pode ficar complicada, especialmente após a prisão temporária decretada em maio deste ano, quando outras sete pessoas, entre elas Agnelo e Arruda, também foram detidas pela PF. Na época, o Ministério Público também atribuía a Filippelli pedido de propina à Via Engenharia, com destino a seu partido.

Acusações focam Agnelo

Conforme o relatório confeccionado pela Polícia Federal e entregue à 10ª Vara de Justiça Federal na última sexta-feira, o ex-governador Agnelo Queiroz foi apontado por executivos da Andrade Gutiérrez como o grande responsável pelo superfaturamento das obras do Estádio Nacional Mané Garrincha.

Segundo o Ministério Público Federal, Agneloserá indiciado por fraude licitatória, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e por fazer parte de organização criminosa. Seu advogado à época, Luiz Carlos Alcoforado, também foi indiciado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As acusações contra os dois e contra os outros 19 indiciados se baseia na coleta de dados conseguidos por meio de mandatos de busca e apreensão e nas delações de executivos das empreiteiras Andrade Gutiérrez e Via Engenharia. O documento final conta com 350 páginas.

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