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PM mata PM: Família acredita em crime premeditado

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Uma das suspeitas é de que disputa por terreno tenha motivado o crime. PM alega legítima defesa

Daniel Cardozo
Especial para o Jornal de Brasília

Uma briga entre policiais militares terminou em homicídio no Lago Norte. A causa da disputa seria um terreno na MI 10 e o sargento Raimundo Ribeiro dos Santos acabou morto pelo subtenente reformado Osvaldo Arcanjo de Souza. A família da vítima acredita em crime premeditado.

Antes das 6h, Raimundo teria escutado um barulho e ido em direção ao fundo do terreno. Ali, ele encontrou Arcanjo, dono do lote vizinho, com quem a vítima travava uma disputa judicial. Segundo os investigadores, os dois teriam discutido e o suspeito sacou arma para atirar no peito de Raimundo.

O policial baleado levaria o filho de 15 anos para a escola e o menino encontrou o pai sangrando no quintal. Segundo a família, Osvaldo Arcanjo não prestou socorro e até impediu que a mulher de Raimundo buscasse o ferido de carro, dentro do terreno vizinho. O policial foi levado ao Hospital Regional do Paranoá, mas não resistiu.

Em depoimento aos agentes da 6ª DP (Paranoá), o suspeito disse ter atirado porque pensou que a vítima sacaria uma arma, quando, na verdade, estaria tirando um celular do bolso. Mesmo ao suspeitar de ladrões na propriedade, Raimundo saiu de casa desarmado. A arma usada foi um revólver calibre 38.

A disputa entre os dois era conhecida pelos vizinhos. Existem hipóteses consideradas pela Polícia Civil e pela vizinhança, entre elas de que teria havido uma parcelamento do lote de Raimundo que não havia sido pago pelo autor dos disparos. A defesa, por sua vez, sustenta que a vítima teria interesse na área que passou a ser ocupada pelo suspeito. A questão parou na Justiça e um desentendimento anterior estaria sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar. Nenhum dos lotes teria escritura ou seria legalizado.

Um dos primeiros a chegar à cena do crime, Camilo Yago Ribeiro, 22, filho de Raimundo, garante que o pai não tinha intenções de atirar no rival. “Arcanjo chegou ao terreno depois da gente e foi meu pai que fez a ligação de água no poço para ele. Mesmo com as ações judiciais, meu pai não tirou a ligação. Isso só prova que ele era pacífico e nunca procurou confusão”, disse.

Cunhada do PM morto, a também policial militar Cinara dos Santos acusa Arcanjo de usar a situação como um pretexto para acertar as contas: “Acredito que ele armou para o meu cunhado, a sangue frio. A gente espera que um policial morra na rua, trocando tiros com um bandido, e não com um vizinho, irmão de farda. Meu cunhado foi desarmado, porque ele nunca imaginou que isso aconteceria”.

Cinara dos Santos Foto: Breno Esaki
Cinara dos Santos
Foto: Breno Esaki

“Ele pensou que fosse uma invasão”
A Polícia Civil indiciará Osvaldo Arcanjo por homicídio. Ele foi preso em flagrante e levado à carceragem da Polícia Militar. O delegado Érico Vinícius Mendes, chefe da 6ª DP, descartou a premeditação do crime por ora. “Não finalizamos a investigação, portanto não podemos ficar especulando”, resumiu.

A defesa de Arcanjo minimiza a disputa entre os policiais. O advogado Jonas Ramalho alega legítima defesa e que os disparos foram feitos porque Arcanjo pensou que se tratasse de um invasor. “Ele percebeu o barulho vindo das placas que dividem os terrenos e viu a pessoa já correndo em direção a ele. Arcanjo até tentou advertir a vítima, mas disparou já quase dentro de casa. Qualquer um que tentasse entrar na casa dele teria o mesmo tratamento. Não teria como premeditar algo assim”, defendeu. A Corregedoria da PM investiga. Do jornal de Brasília.

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