Sem acordo sobre greve, GDF diz que vai excluir professores da terceirização

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    Sindicato e governo se reuniram nesta quinta para negociação. Depois de duas horas, reunião foi encerrada sem proposta e com novo encontro agendado.

    Governador Rollemberg se reuniu com representantes dos professores em greve há 16 dias (Foto: Reprodução/TV Globo)

    Representantes dos professores se reuniram com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, na tarde desta quinta-feira (30), no Palácio do Buriti. O encontro foi agendado para buscar uma proposta de acordo para o fim da greve da categoria que já dura 16 dias. Depois de duas horas de negociações, não houve acordo. Mas o GDF prometeu excluir a categoria da terceirização.

    Segundo a diretora do sindicato dos professores, Rosilene Correia, o governo não apresentou nenhuma proposta, mas disse que iria “pensar em uma solução” e apresentá-la na segunda-feira (3). Até lá, os professores disseram que vão continuar a greve.

    “Houve avanços porque o governador se comprometeu a dar alternativas para diminuir os prejuízos que a categoria vem sofrendo nos últimos anos.”

    O Secretário da Casa Civil, Sérgio Sampaio, admitiu que o GDF não apresentou “propostas concretas” na reunião. Mas afirmou que o governo vai excluir os profissionais da educação da terceirização. E argumentou que a reforma da previdência será debatida com a categoria (veja nota oficial do governo abaixo).

    “Nós nos dispusemos a não implementar no âmbito do DF, na área da Educação, aqueles três ciclos da lei da tercerização que está sendo debatida no âmbito federal”, disse Sampaio

    Sampaio ressaltou, mais uma vez, que o governo não tem condições de pagar a última parcela do reajuste dos professores – principal reivindicação da categoria. Ele afirmou, porém, que uma proposta para o pagamentos das pecúnias vai ser feita na segunda. “Apenas isso vai gerar um impacto de R$100 milhões no orçamento do DF”, disse o secretário.

    “O sindicato insistiu que deveríamos avançar mais em outros aspectos, mas o governo ficou de estudar e apresentar propostas na reunião de segunda.”

    Na manhã desta quinta, em entrevista à TV Globo, o Secretário da Casa Civil falou que o pagamento dos dias não trabalhados só será feito depois que as aulas perdidas forem repostas. “Não vamos permitir que os professores parem, continuem recebendo seus salários e, depois, finjam que estão repondo as aulas porque muitas vezes isso acontece”, disse Sampaio.

    O diretor do Sinpro Samuel Fernandes afirmou que os professores têm compromisso com a reposição de qualidade das aulas. “O calendário de reposição é construído pelos gestores e comunidade escolar. Essa fala do Sampaio desqualifica professores e os gestores junto a sociedade. Ele precisa reparar isso publicamente.”

    Na segunda-feira (27), o Tribunal de Justiça do DF estabeleceu o corte dos dias parados e multa em caso de desrespeito.

    Veja, na íntegra, nota oficial do governo:

    “NOTA DO GOVERNO DE BRASÍLIA

    O Governo de Brasília apresentou na décima reunião com o representante do Sindicato dos Professores e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizada nesta quinta-feira (30), a seguinte proposta:

    1) A criação de uma comissão de governo para elaborar um cronograma de pagamento de pecúnias de 2016 da ordem de R$ 96 milhões, a partir do segundo semestre do corrente ano.

    2) O compromisso da não implementação da lei de terceirização, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, no âmbito do sistema educacional da rede pública do Distrito Federal.

    3) A promoção de ampla discussão com o Sindicato dos Professores e com todos os seguimentos da sociedade sobre o regime previdenciário dos servidores públicos do Distrito Federal após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que está sendo apreciada pelo Congresso Nacional. A intenção do governo é pactuar qualquer proposta com a sociedade, desde que todos entendam que ela seja necessária para garantir o futuro pagamento dos 184 mil aposentados e pensionistas do DF.

    4) Foi marcada uma reunião para a próxima segunda-feira, 3 de abril, às 14h30, no Palácio do Buriti, para dar prosseguimento ao diálogo que o governo sempre manteve com os representantes dessa categoria profissional.”