Reestruturação no GDF vai atingir Renato Santana e Celina Leão

    48
    0
    COMPARTILHAR
    Rollemberg desmembrará a secretaria que estava sob o comando de Joe Valle em duas e criará a pasta das Cidades. Com o movimento, o socialista vai tirar do vice-governador a coordenação das administrações regionais e exonerar aliados da presidente da Câmara Legislativa de cargos do Executivo

    A saída do deputado distrital Joe Valle (PDT) da Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social, Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Sedestmidh) foi a senha para Rodrigo Rollemberg (PSB) promover mudanças no Executivo e atacar dois adversários de uma só vez. O governador vai desmembrar a pasta, criar outra e esvaziar órgãos que hoje têm indicações do vice-governador Renato Santana (PSD) e da presidente da Câmara Legislativa, Celina Leão (PPS).

    As desavenças entre Santana e Rollemberg pioraram nas últimas semanas, com a divulgação dos áudios em que o vice-governador revela ter conhecimento de um esquema de corrupção no GDF que afeta, especialmente, a Secretaria de Saúde e a Agência de Fiscalização do DF (Agefis). A crise que se abateu sobre o Buriti levou Celina a subir o tom contra o chefe do Executivo. Oposição declarada a Rollemberg, a presidente da Câmara disse que os esquemas de corrupção de gestões passadas ainda operam no GDF. Agora, veio o troco.Além de desmembrar a Sedestmidh em duas — Secretaria de Trabalho, Desenvolvimento Social (Sedest) e Secretaria das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (Semidh) — Rollemberg vai criar a Secretaria das Cidades, que terá a meta de organizar as administrações regionais e acomodar aliados. Hoje, quem responde pela coordenação desses órgãos é Renato Santana, que perderá influência.

    Michael Melo/MetrópolesMICHAEL MELO/METRÓPOLES

     

    As mudanças promovidas por Rollemberg vão incluir a exoneração de aliados de Celina espalhados tanto por administrações regionais quanto pelo Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF) e pela Subsecretaria de Ordenamento das Cidades, da Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth).

    Remanejamento
    Nessa reestruturação, o aliado Roosevelt Vilela (PSB) — suplente de Joe Valle — deve assumir a nova pasta das Cidades. O bombeiro reformado Roosevelt era administrador da Candangolândia, do Núcleo Bandeirante e do Park Way quando, em outubro de 2015, assumiu a cadeira de deputado para Valle ser nomeado na Sedestmidh.

    Caso o cenário se confirme, haverá a insatisfação de um integrante do segundo escalão. Nos bastidores, os comentários são de que o administrador do Plano Piloto, Marcos Pacco (PSB), estaria chateado com o remanejamento. Ele sonhava com a nova pasta e se sente sem prestígio dentro do Executivo. Nos corredores, a informação é de que partidos de oposição ao governador têm assediado Pacco — o professor de cursinho teve 27 mil votos para deputado federal nas eleições de 2014. No entanto, não se elegeu.

    Outros nomes
    As novidades no primeiro escalão distrital devem ser sacramentadas na próxima semana. O que já está certo é que a pasta de Trabalho e Desenvolvimento Social continuará com o PDT. Hoje, o mais cotado para o cargo é Gutemberg Gomes (PDT), assessor de Joe. Até a semana passada, havia três nomes cogitados: Georges Michel, presidente da legenda no DF; e os ex-deputados Peniel Pacheco e Fábio Barcellos. No entanto, o nome de Guto, como é conhecido, ganhou força e ultrapassou os concorrentes.

    Guto é tesoureiro do PDT e membro da Executiva local. Ele chefiará a pasta e manterá como adjuntos Thiago Jarjour, no Trabalho e Empreendedorismo; e Marlene de Fátima Azevedo, no Desenvolvimento Social.

    A área de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos ainda é negociada. A briga para assumir a parte a ser desmembrada da Sedestmidh está entre o PSB e o PT. A possibilidade de o PT ganhar mais espaço no governo faria parte de uma estratégia do Executivo para melhorar a relação com os deputados distritais e aumentar a base.

    Outras negociações
    Para dar mais eficiência à gestão da Casa Civil, existem ainda alguns estudos sendo feitos para novos arranjos de estruturas hoje vinculadas à pasta.Depois de perder status na reformulação do GDF, feita no fim do ano passado, a Secretaria de Ciência e Tecnologia deve sair da tutela da Casa Civil e retomar os trabalhos com maior autonomia.

    Um dos primeiros passos é o retorno do comando da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) à estrutura do órgão. Outra possibilidade é que ela seja vinculada à Secretaria de Educação, o que poderia desagradar aliados antigos do governador. Fonte: Metropoles.

    Informa Tudo DF