Escândalo da Saúde: Aparecem novos nomes, Christian Michael Popov, Valdecir Marques de Medeiros e Edvaldo Simplício da Silva. Veja quem é quem

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    Novos nomes em gravações

    POR ISA STACCIARINI – CORREIO BRAZILIENSE – 23/07/2016 – 08:03:01

    Correio tem acesso a diálogos em que Marli Rodrigues, do SindSaúde, conversa com dois servidores do GDF sobre consultoria para livrar sindicato de cobranças do governo, feitas em carta assinada por ex-gerente da Secretaria de Planejamento.

    Josemar-GoncalvesMarli Rodrigues teria sido apresentada a Edvaldo, que ajudaria o sindicato a resolver exigências de certidões com o apoio de uma consultoria.

    A suposta extorsão denunciada pela presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde-DF), Marli Rodrigues, que seria vítima do crime, envolve servidores de carreira e comissionados do GDF. O Correio teve acesso à degravação de um encontro realizado no fim do ano passado entre a sindicalista e dois funcionários públicos. A conversa revela novos personagens que estariam envolvidos no escândalo da Saúde.

    Na ocasião, Marli se reúne com o ouvidor do gabinete da Vice-governadoria, Valdecir Marques de Medeiros, e o então técnico em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) Edvaldo Simplício da Silva. Valdecir é funcionário do SindSaúde licenciado para o cargo comissionado na Vice-governadoria. Foi na residência dele, em Águas Claras, que ocorreu a polêmica gravação entre Renato Santana (PSD) e a sindicalista. Edvaldo, hoje, está cedido à Câmara Legislativa do Distrito Federal.

    O encontro ocorreu após o SindSaúde receber uma carta convocatória assinada por Christian Michael Popov, então gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimentos da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do Distrito Federal (Seplag). O documento exigia novas certidões em um prazo de 30 dias, baseado no Decreto nº 28.195/2007, para que a entidade não perdesse o repasse das consignações descontadas em folha de pagamento dos servidores. No entanto, o SindSaúde apresentava pendências em decorrência de dívidas trabalhistas e buscava ajuda para regularizar a situação. Caso não conseguisse os documentos exigidos no prazo estipulado, poderia sofrer processo de descredenciamento.

    Relacionamento

    Para apoiar Marli, Valdecir entrou em contato com Edvaldo, que teria proposto o negócio de consultoria. O custo para o SindSaúde seria de R$ 214 mil. Marli falou em R$ 200 mil e contou como pagaria o trabalho: R$ 50 mil no ato e R$ 150 mil em 10 prestações. Com o acordo, os servidores tentariam segurar o processo na Seplag para que o sindicato não fosse descredenciado. Em um dos trechos, Marli menciona o nome de um homem chamado Cláudio, que fecharia o contrato de consultoria com Edvaldo. “Nós estamos com problemas das certidões, recebemos a carta do Popov, e é uma pessoa que vai nos ajudar fazendo um contrato com a gente de consultoria”, diz Marli.

    Em um certo momento, ela explica a relação de Valdecir e Edvaldo. “E aí, ele (Popov) resolveu metralhar a gente. E a gente não tem essas certidões. (…) Mas nós não queremos perder esse código. Foi onde o Valdecir ligou para o senhor Edvaldo, que se propôs a ajudar nesse sentido”, conta.

    Em novembro, Marli fez uma denúncia normal à Casa Civil sobre suposta extorsão praticada por funcionários do Executivo. O chefe da pasta, Sérgio Sampaio, marcou uma reunião para que a sindicalista apresentasse os fatos ao diretor-geral da Polícia Civil, Eric Seba. Em 2 de maio, uma reunião na Seplag contou com a presença do delegado Seba, quando foram apresentadas a ele denúncias sobre possíveis práticas ilegais por parte de servidores lotados no órgão. A chefe da pasta, Leany Lemos, apresentou documentos e pediu que fossem adotadas providências para a investigação e apuração dos fatos. A Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Decap) instaurou inquérito e apura a veracidade dos áudios e dos fatos.

    Respostas

    Por telefone, Valdecir alegou que está sendo envolvido no caso por causa da amizade histórica que tem com Marli. Disse não ter conhecimento de como o assunto é tratado nas investigações e alegou estar tranquilo. “Sou funcionário do sindicato, mas estou licenciado. Como ia entrar no processo de extorsão contra o próprio sindicato? Estive na reunião com o rapaz (Edvaldo) porque Marli perguntou se eu conhecia alguém para resolver os problemas de pagamento de multa. Apresentei uma pessoa que podia trabalhar com consultoria, mas não tenho nada a ver com esse assunto”, defendeu. Sobre a gravação entre o vice-governador e a sindicalista, na casa dele, Valdecir alegou que tudo ocorreu sem o conhecimento dele. “Foi feito na minha casa sem minha anuência. Eu também fui gravado e sou vítima nesse processo. Minha família foi gravada dentro da minha casa.”

    O advogado de Edvaldo, Francisco Roni, esclareceu que o cliente foi procurado para fazer o serviço de consultoria para resolver a questão de débitos tributários do SindSaúde. “Ele não procurou Marli, nem muito menos a chantageou. Essas exigências partiram do próprio governo. O valor de R$ 214 mil seria em créditos tributários, que somavam as dívidas dela. O Edvaldo foi procurado para resolver uma documentação que estava irregular. Nada partiu dele, que não tem poder de exigir nenhum tipo de certidão do sindicato”, alegou.

    Em nota, o vice-governador disse desconhecer o assunto que envolve o ouvidor. “Porém, se tiver algo que desabone a conduta do servidor Valdecir, ele será exonerado imediatamente.” O Correio falou, na tarde de ontem, com o advogado que representa Popov em um processo judicial no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). Ele disse que entraria em contato com o cliente para a resposta, mas Popov não retornou até as 20h30. Também à tarde, a reportagem ligou para Marli. Um homem atendeu, disse que ela estava descansando e pediu para retornar mais tarde. À noite, ela não atendeu aos dois telefonemas do jornal.

    Quem é quem

    Christian Michael Popov

    » Servidor de carreira do GDF. Tinha cargo em comissão de gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimentos, da Coordenação de Gestão de Pessoas, da Subsecretaria de Administração Geral vinculada à Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do Distrito Federal (Seplag). Foi exonerado da função na quarta-feira. É ele quem assina a carta convocatória, datada em 25 de novembro de 2015, endereçada ao SindSaúde para que o sindicato apresente as certidões com base no Decreto 28.195/2007 e evite perder o acesso aos consignados.

    Valdecir Marques de Medeiros

    » Servidor comissionado do GDF. Tem o cargo de ouvidor do Gabinete da Vice-governadoria. Ele apresentou Edvaldo Simplício da Silva a Marli Rodrigues. Edvaldo ajudaria a sindicalista em um contrato de consultoria para evitar o processo de descredenciamento do sindicato no governo e eventual perda dos consignados. Foi na residência dele, em Águas Claras, que ocorreu a gravação entre o vice-governador, Renato Santana (PSD), e a presidente do SindSaúde. Na ocasião, Santana admitiu saber da existência de um repasse de propina no valor de 10% dos contratos de serviços da Secretaria de Fazenda. Em uma foto, ele aparece ao lado de Santana, demonstrando apoio na campanha.

    Edvaldo Simplício da Silva

    » Servidor de carreira do GDF. Tem a função de técnico em políticas públicas e gestão governamental da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão. Ele seria a pessoa que propôs negócio a Marli. Em 29 de fevereiro foi cedido à Câmara Legislativa do Distrito Federal até 31 de dezembro deste ano. Quem assina a cessão dele, a pedido da presidente da CLDF, Celina Leão, é Christian Popov, ex-gerente de Cessões, Requisições e Ressarcimento. Ele está na Secretaria Legislativa, vinculada a Mesa Diretora da Casa.

    Entenda o caso

    Gravações e convocação

    A crise política começou na semana passada com a divulgação de conversas gravadas pela presidente SindiSaúde com interlocutores do governo, como o próprio Renato Santana. Em um dos áudios, o vice-governador admite saber da existência de um esquema de pagamento de propina no valor de 10% de contratos de serviços da Secretaria de Fazenda. Na conversa, Marli Rodrigues comenta sobre um esquema similar na Secretaria de Saúde, que chegaria a 30% sobre o montante dos contratos. O caso fez com que a presidente da Câmara Legislativa do DF, Celina Leão (PPS), convocasse uma reunião extraordinária da Mesa Diretora na segunda-feira, mesmo com recesso parlamentar, para discutir o assunto. O governador Rodrigo Rollemberg (PSB) determinou que a Controladoria-Geral do DF e a Polícia Civil apurem o caso. O chefe do Executivo também entrou com uma queixa-crime contra Marli. Na quinta-feira, a sindicalista prestou depoimento na CLDF e fez graves acusações contra o governador e a mulher dele, Márcia Rollemberg, mas não apresentou provas. Renato Santana também foi ouvido na CPI da Saúde e deu detalhes de uma denúncia sobre propina entregue a ele por empresários do ramo de eventos. Na tarde de quinta-feira, durante entrevista coletiva sobre segurança, o chefe do Executivo local disse que Marli “vai pagar muito caro pelas declarações caluniosas e difamatórias que fez na CPI.” Fonte: Correi Braziliense.

    Informa Tudo DF