Marli Rodrigues pede proteção e fará depoimento fechado à CPI da Saúde

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    O vice-governador Renato Santana (PSD) será ouvido pela CPI da Saúde nesta quinta-feira (21/7), na Câmara Legislativa, além de Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde.

    cpidasaúde-840x577Em gravações divulgadas semana passada, os dois conversaram sobre um suposto esquema de pagamento de propina na área da saúde do DF, envolvendo também a Secretaria de Fazenda. Em outro grampo, Marli e o ex-secretário de Saúde Fábio Gondim falam que há um “meio podre” infiltrado na pasta. A sindicalista, que será ouvida a portas fechadas, foi intimada pelos distritais. Santana recebeu um convite.

    Marli Rodrigues pediu, para sua segurança pessoal e de sua família, que o depoimento seja fechado, já que vai entregar aos distritais documentos, segundo ela, que provam as irregularidades na saúde. O depoimento será gravado, de acordo com o presidente da comissão, deputado Wellington Luiz (PMDB). A sindicalista ainda pediu proteção policial para ela e familiares.A decisão de acatar o pedido dela foi tomada nesta terça-feira (19/7), durante reunião da comissão. Com as denúncias, os deputados suspenderam o recesso parlamentar. O depoimento dela será as 10h. O do vice foi agendado para as 15h. Os membros da CPI aprovaram ainda o convite para o ex-secretário Fábio Gondim e a convocação de Marcello Nóbrega, à época subsecretário de Administração Geral, atualmente subsecretário de Infraestrutura e Logística, ainda sem data para deporem.

    Pressão no Buriti
    A movimentação dos distritais, em plenas férias, é vista como uma manobra da presidente da Câmara, Celina Leão (PPS), para atacar o governador Rodrigo Rollemberg (PSB), cujo governo ficou fragilizado com a crise aberta pela divulgação dos grampos. A oposição está aproveitando para disparar contra o Palácio do Buriti.

    O deputado Bispo Renato Andrade (PR) criticou a falta de iniciativa do governador que, segundo ele, pode caracterizar “prevaricação” ao não investigar as denúncias feitas por Santana. O deputado  aproveitou para atacar o chefe do Executivo, afirmando que o governo “está perdido”.

    Na tropa de choque da base governista ficou o distrital Roosevelt Vilela (PSB). Ele condenou a atitude de Marli Rodrigues de gravar as pessoas e desqualificou o material. “Estão preocupados com ela expôr o nome de outras autoridades. Mas ela, ou quem quer que seja, já expôs. Então, tem que se expôr também”, criticou Roosevelt.

    Na ausência da presidente da Casa, em viagem, e da vice Liliane Roriz (PTB), de licença médica, o primeiro-secretário Raimundo Ribeiro (PPS) atuou como presidente em exercício e também criticou o governador Rodrigo Rollemberg, que não se aprofundou nas investigações das denúncias. Ribeiro defendeu a presidente do SindSaúde, Marli Rodrigues. “Não adiana querer desqualificar a Marli. O fato é que há uma denúncia muito mais grave do que a conduta dela”.

    Apuração imediata
    Também nesta terça, o Ministério Público de Contas (MPC/DF) e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) entregaram cinco ofícios a representantes do governo pedindo a apuração imediata das denúncias, cópias de documentos e outras informações sobre as gravações.

    Os documentos foram entregues ao vice-governador, Renato Santana; ao secretário de Saúde, Humberto Pereira da Fonseca; ao controlador-geral do DF, Henrique Moraes Ziller; ao subsecretário de Logística e Infraestrutura de Saúde, Marcelo Nóbrega; e ao Fundo de Saúde do DF, atualmente dirigido por Arthur Luiz Pinho de Lima.

    Ao vice-governador, por exemplo, o MP solicita a apresentação da lista citada por ele nos áudios divulgados e o nome do servidor responsável que permaneceria no GDF. Além disso, requer a relação de todas as empresas e contratos em que haveria a suposta cobrança de propina. Já do titular da pasta da saúde, o MP quer saber se houve afastamento do servidor do Centro de Saúde mencionado nas gravações, bem como informações sobre o trabalho de servidores da radiologia e pagamento de horas extras.

    O ofício destinado ao controlador-geral se baseia em nota oficial do GDF – que deu conta de apurações imediatas das denúncias –, e requer, então, cópias dessas apurações no prazo de dez dias. Ao subsecretário de Logística e Infraestrutura da Saúde, o MP quer informações sobre o empenho de verba para a compra de marca-passos, além das aquisições já feitas nos últimos dois anos.

    Por fim, ao Fundo de Saúde, o ofício solicita informações sobre valores descontados de servidores pelos sindicatos que têm o fundo como destino; e a respeito de que tipo de providências teriam sido tomadas sobre suposto “desvio de pecúnia”.

    O MP também quer a relação de todos os fornecedores da secretaria da Saúde que estariam sem receber por serviços prestados nos últimos dois anos, entre outras informações. No momento oportuno, o Ministério Público realizará, também, as oitivas necessárias. (Com informações do MPC/DF) Fonte: Metropoles.

    Informa Tudo DF