Programas habitacionais: Mesmo com investigação da PF esquema de venda continua no DF

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    Esquema ilegal de venda de apartamentos continua…

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    Os programas habitacionais do Distrito Federal são vistos como uma espécie de “galinhas dos votos de ouro”. Nem mesmo ações policiais inibem irregularidades praticadas
    Investigações da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Decap) apontam a concessão ilegal de lotes desde 2007 não somente no Riacho Fundo 2. no Mangueiral, no Paranoá em Samambaia, entre outras…

    Esquema ilegal de venda de apartamentos continua no Riacho Fundo 2

    A operação da Polícia Federal que apura como funciona a organização criminosa acusada de cobrar taxas para a concessão de lotes de programa habitacional não foi suficiente para frear as irregularidades. O Metrópoles visitou a área a constatou que o esquema continua a todo vapor

    Os programas habitacionais do Distrito Federal são vistos como uma espécie de “galinhas dos votos de ouro”. Nem mesmo ações policiais inibem irregularidades praticadas por quem se aproveita dessas iniciativas para conquistar o apoio de eleitores, conceder vantagens a partidos políticos e até mesmo extorquir quem sonha com a casa própria. Uma semana após a deflagração da Operação Clã, da Polícia Federal, oMetrópoles constatou que a organização criminosa que atua no Riacho Fundo II não se intimidou. O grupo ainda vende facilidades na concessão de lotes e cobra abusivos R$ 15 mil para furar fila no cadastro do GDF. A propina garante acesso aos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.

    A operação em curso da PF envolve o ex-deputado federal e ex-secretário de Habitação do DF Geraldo Magela (PT) e o ex-secretário-adjunto da pasta Rafael Oliveira. Ambos são investigados por suspeita de terem sido coniventes com a ação de cooperativas que se aproveitam de possíveis compradores. OMetrópoles visitou a área do Programa Habitacional Riacho Fundo II – 4ª Etapa, para conversar com os moradores. Ao chegar no local, foi possível identificar os responsáveis por vender um lugar privilegiado na lista da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do DF (Codhab).

    Eles dirigem veículos caros e observam cada passo de quem chega ao local. Também proíbem os moradores de falar sobre o esquema. Durante três dias, a reportagem observou a ação das cooperativas instaladas no local. Enquanto a população de baixa renda espera entre 10 e 30 anos para ter o direito a fazer um financiamento imobiliário, corretores da região oferecem vantagens por R$ 15 mil. Em uma conversa com o proprietário de um escritório imobiliário na QN 18, o homem sugere que, para comprar um apartamento na planta e passar à frente na fila, basta ter cadastro na Codhab e pagar os R$ 15 mil “para segurar a vaga”.
    A reportagem se apresentou como sendo um casal disposto a adquirir um imóvel no local. Em uma conversa de 20 minutos, o dono do escritório explicou que é preciso comprovar renda mensal inferior a R$ 4 mil, não possuir financiamentos, estar inscrito no cadastro da Codhab e ter o nome limpo. A promessa, após o pagamento, é assinar o contrato em agosto e pegar as chaves do apartamento até dezembro deste ano.

    Logo após o início da conversa, o corretor liga para outra pessoa, que promete checar o nome e o CPF dos interessados em adquirir um imóvel antes de receber os R$ 15 mil. Segundo ele, um apartamento de dois quartos custará, em média, R$ 115 mil. Com um financiamento feito pela Caixa Econômica Federal, as prestações devem ficar entre R$ 400 e R$ 500.

    Consequências
    O esquema não é de hoje. Investigações da Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Decap) apontam a concessão ilegal de lotes em programas habitacionais desde 2007. E eles não ocorrem somente no Riacho Fundo 2. Aparecem no Mangueiral, no Paranoá e em Samambaia, entre outras regiões administrativas. E as pessoas que realmente deveriam ser beneficiadas continuam na fila, enquanto outras, com renda superior a R$ 4 mil mensais, passam a habitar, alugar ou fazer um esquema de venda dos imóveis populares.

    Nas garagens dos apartamentos e das casas do Riacho Fundo 2, por exemplo, é possível observar o entra e sai de carros que custam entre R$ 60 mil e R$ 200 mil. Land Rover, Hillux, Golf, Vectra e Peugeot SW são alguns dos modelos e marcas nos estacionamentos dos prédios, com unidades que chegam a custar R$ 115 mil. Fonte: Extraído do Metropoles.

    Informa Tudo DF