Dança das cadeiras no GDF: Em um ano, três secretários

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    Cinto apertado

    O novo chefe da Fazenda afirmou que vai cuidar dos servidores, que fizeram várias paralisações em 2015, para depois cuidar de investimentos. …

    Assim como os antecessores Leonardo Colombini e Pedro Meneguetti, ambos de Belo Horizonte, João Antônio Fleury assume a Secretaria de Fazenda com o objetivo de tirar o DF do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal. É o nono chefe de pasta a deixar o governo.

    É a segunda troca de comando na Secretaria de Fazenda em menos de um ano e um mês de governo Rodrigo Rollemberg (PSB). O responsável pelo cofre do Executivo local, Pedro Meneguetti, anunciou, ontem, que vai deixar o GDF para voltar à terra natal, Belo Horizonte — assim como fez Leonardo Colombini, que ficou no cargo de janeiro a setembro de 2015. O novo secretário, João Antônio Fleury, tem o mesmo perfil dos antecessores: é mineiro e ajudou o ex-governador Aécio Neves (PSDB) a implementar um grande ajuste nas contas públicas do estado vizinho conhecido como choque de gestão. Fleury terá muito trabalho pela frente. O governo melhorou o índice de gasto com pessoal, mas segue no limite prudencial (46,55%) da Lei de Reponsabilidade Fiscal (LRF).

    O percentual de recursos usados para pagar salários em relação à receita total do governo caiu de 50,80% para 46,78% no último quadrimestre de 2015. A boa notícia se deve, principalmente, ao incremento de R$ 1,3 bilhão no caixa, que o GDF retirou do Instituto de Previdência (Iprev) e usou para conseguir quitar os vencimentos. A queda, porém, não foi suficiente. O Palácio do Buriti continua com várias restrições previstas pela LRF, como criar despesas ou contratar servidores — é permitido apenas substituir funcionários que tenham se aposentado ou falecido nas áreas de saúde, educação e segurança.

    Neste ano, não há previsão para a entrada de uma bolada como a do Iprev, o que pode levar o Buriti a encerrar o primeiro quadrimestre de 2016 com uma taxa pior do que a atual. A Fazenda, entretanto, espera uma melhora no índice até o fim do ano, devido aos aumentos de impostos aprovados no ano passado pela Câmara Legislativa e que passaram a vigorar no último dia 1º.

    Na despedida do cargo, ontem, Meneguetti concedeu uma coletiva para apresentar um relatório de gestão fiscal. Ele listou as medidas para melhorar a saúde financeira da capital e se enquadrar na LRF. “Fora os cortes de despesas, também reajustamos alíquotas tributárias, abrimos a possibilidade de securitização de parte da dívida ativa, autorizamos a venda de terrenos públicos e prorrogamos a permissão para remanejar os fundos distritais”, ressaltou.

    Cinto apertado

    O novo dono da chave do cofre do GDF chegou com a promessa de dar continuidade ao trabalho desenvolvido desde 2015. Segundo ele, é necessário seguir com o cinto apertado em relação aos gastos públicos para ter condições de levar melhorias à população. “Os investimentos dependem, primeiro, que paguemos as despesas de custeio da máquina. Temos uma dívida com prestadores de serviços anteriores a 2014 que chega a R$ 1,1 bilhão e vamos tentar equacioná-la dentro do orçamento deste ano. Buscamos soluções para abrir a possibilidade de fazermos investimentos”, garantiu.

    Apesar de repetir o discurso de Rollemberg de que a crise é grande e falta dinheiro até para os salários, Fleury se mostrou otimista. “O Rio de Janeiro, por exemplo, depende dos royalties do petróleo. São Paulo e Minas Gerais precisam de uma indústria aquecida. Aqui, temos um Estado que depende basicamente de serviços. A vantagem é que, a partir de uma melhora na economia como um todo, a nossa reação pode ser bem mais rápida que a de outros estados.”

    Dança das cadeiras

    Dos 24 secretários escolhidos por Rollemberg para começar o governo em 2015, nove já saíram do governo. O primeiro foi o chefe da Casa Civil, Hélio Doyle, que deixou o cargo por problema no relacionamento com a Câmara Legislativa. Na Saúde, o socialista também teve de fazer mudanças devido a problemas no setor. Em julho, o número 1 da pasta, João Batista Souza, pediu demissão. No lugar, foi nomeado Fábio Gondim, que ainda não mostrou evolução no serviço. Na Segurança, Trindade saiu depois de desentendimentos com a Polícia Militar. Segundo ele, o chefe da pasta não tem poder e é apenas uma “rainha da Inglaterra”.

    Carlos Tomé deixou a Secretaria de Mobilidade na reforma administrativa que reduziu de 24 para 17 secretarias. Nas mudanças no primeiro escalão, ele deu lugar para o presidente licenciado do PSB, Marcos Dantas. Tomé chegou a ser anunciado como chefe de gabinete do governador, mas desistiu antes mesmo de assumir a função. O presidente do PDT, Georges Michel, pediu demissão da Secretaria de Trabalho após o GDF desistir de doar um terreno no Eixo Monumental para a criação do memorial do ex-presidente trabalhista João Goulart. Antônio Paulo Vogel alegou questões pessoais para deixar o governo. Nos bastidores, diz-se que ele estava incomodado com a ingerência de políticos na pasta. Jane Klebia, depois de confusões nas eleições para o conselho tutelar, deu lugar a outro indicado do distrital Professor Israel, Aurélio de Paula.

    As substituições

    Os secretários que deixaram o governo desde que Rollemberg assumiu

    Nome Pasta

    Leonardo Colombini Fazenda

    Pedro Meneguetti Fazenda

    Hélio Doyle Casa Civil

    João Batista Saúde

    Antônio Paulo Vogel Administração

    Arthur Trindade Segurança

    Georges Michel Trabalho

    Jane Klebia Criança

    Carlos Tomé Mobilidade

    Perfil

    Especialista em gestão

    João Antônio Fleury tem 63 anos e é mineiro de Belo Horizonte. Graduado em administração, é pós-graduado em formação gerencial, em nível estratégico e em análise de sistemas da informação, organização e métodos. No estado natal, foi secretário adjunto de Fazenda entre outubro de 2006 e fevereiro de 2007. Também atuou como diretor da área de gestão corporativa no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, presidente do Conselho Deliberativo da Fundação Banco Central de Previdência Privada e presidente do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento de Minas (Copasa). Além disso, exerceu a função de delegado adjunto do Banco Central. No GDF, assumiu como subsecretário da Receita em 2013 e como adjunto em outubro do ano passado. Agora que se tornou secretário, o número dois da pasta passa a ser o até então assessor especial Wilson José de Paula. FONTE: CORREIO BRAZILIENSE.

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