No DF: é proibido adoecer !

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    DF: Sem médicos, cirurgias eletivas, consultas e vacinas estão paradas
    Paralisações gerais e falta de material específico interrompem procedimentos na rede pública de saúde do DF

    Maria Antônia não conseguiu vacinar o filho Emeson Almeida: tratamento interrompido.
    Com as paralisações e a falta de estrutura, a principal vítima é o cidadão que procura hospitais público e posto de saúde do DF. Ontem, a doméstica Raimunda Nonata Rodrigues, 36 anos, saiu do Paranoá a fim de marcar uma consulta para o marido no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Mal chegou à recepção e recebeu a informação de que marcações só seriam iniciadas após o término da greve. “Ele faz um tratamento para o estômago. Tentei ligar, mas ninguém atendeu e resolvi vir ao hospital. Não consegui, mas voltarei para tentar de novo”, afirma…
    Até a noite de ontem, técnicos, auxiliares de enfermagem e todos os representados pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde (SindSaúde) seguiam em greve. A dona de casa Maria Antônia Almeida, 35 anos, tentou vacinar o filho Emeson Almeida, 10, no Hran, mas não conseguiu. “Ele toma uma vacina para alergia todos os meses, não pode ficar sem. Não pode interromper o tratamento”, lamentou. No Hospital de Base do DF, a falta de médicos impediu que a técnica em enfermagem Julita Rosa Batista, 65, fizesse a amputação de parte do pé. “Ela é diabética e o dedo necrosou. Tem febre de 40ºC devido à infecção provocada e precisa tirar. Mas os médicos disseram que existem 70 pessoas na frente dela e que hoje (ontem) não há um especialista em pé diabético. Estamos voltando para casa”, disse a filha Juliana Rodrigues, 32.
    Na Casa de Parto de São Sebastião, a angústia de um grupo de mães e gestantes foi tanta que elas fizeram uma vaquinha para pagar o conserto da ambulância da unidade de saúde — ela não tem médicos e precisa do veículo caso haja alguma complicação. Na semana passada, a unidade precisou fechar as portas por alguns dias porque a única ambulância estava estragada. A engenheira civil Alice Poyart, 34 anos, conta que uma das pacientes foi à Casa e encontrou um aviso na recepção sobre a interrupção dos atendimentos. “Fui pesquisar sobre o caso. Para o governo arrumar a ambulância, ainda teria que arrumar 30 veículos antes. Preferimos agir por conta própria”, afirma. O conserto custou R$ 125 e, em seguida, a Casa retornou normalmente às atividades. A Secretaria de Saúde se pronunciou sobre o caso afirmando que os atendimento está ocorrendo normalmente na unidade.
    Problemas
    A forma de pagamento proposta pelo GDF e o atraso nos benefícios não são os únicos motivos relacionados pelos médicos da rede pública de saúde para manterem a greve. A falta de medicamentos e de insumos que possibilitem o bom atendimento da população também impulsionaram o movimento da categoria. “Estamos em péssimas condições de trabalho e não é de hoje. A desassistência à população é real. Vemos pessoas virem a óbito por falta de remédios. A situação precisa melhorar”, afirmou o presidente do Sindicato dos Médicos do DF, Gutemberg Fialho. A paralisação inviabiliza cirurgias eletivas. Deixa postos e centros de saúde sem funcionar. Ambulatórios e consultórios estão parados. Funcionam somente UTIs e prontos-socorros.
    Fonte: Correio Braziliense

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