André Vargas e Demóstenes Torres: As semelhanças entre os casos

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    Parlamentares foram flagrados com conversas suspeitas

     

    Vice-presidente da Câmara dos Deputados, o petista André Vargas foi flagrado trocando mensagens com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato por participar de um esquema que, de acordo com a Polícia Federal, lavou R$ 10 bilhões. Em mensagens reveladas pela revista ‘Veja’, Youssef diz a Vargas que sua ‘independência financeira estaria garantida’ caso um convênio com o Ministério da Saúde fosse realizado…

    O senador Demóstenes Torres (GO) tinha um Nextel habilitado nos Estados Unidos para manter conversas secretas com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O uso do aparelho facilitava as tratativas para andamento dos negócios do contraventor. Gravações captadas pela PF atestaram a existência de um “clube Nextel”. Numa das conversas entre Demóstenes e Cachoeira, o ex-senador, cassado em julho de 2012, pede que o bicheiro pague uma despesa de táxi aéreo no valor de R$ 3 mil.
     
    Presentes e agrados
    André Vargas recebeu de presente do doleiro Alberto Youssef um frete de táxi aéreo para que o petista passasse suas férias com a família em João Pessoa. Em um primeiro momento, Vargas disse que havia custeado o combustível da viagem, orçado em R$ 100 mil. Depois, reconheceu que não havia arcado com as despesas. Da tribuna da Câmara, fez um mea culpa e disse ter sido ‘imprudente’.
     
    Demóstenes, que era um dos opositores mais duros do governo, ganhou de presente de casamento de Carlinhos Cachoeira um fogão e uma geladeira em 2011. Ele confirmou os presentes e disse que, por questão de educação, não pergunta o preço do presente e nem os devolve.
     
    Amigos com atividades desconhecidas
    André Vargas (PT-PR) reconheceu que mantém uma amizade de 20 anos com o doleiro Alberto Youssef. A aproximação, no entanto, segundo argumenta o petista, não foi o suficiente para que ele soubesse das atividades ilegais do doleiro. 
     
    Assim como sustentava Demóstenes, a amizade com Carlinhos Cachoeira vinha de longe, quando este, conforme disse, atuava legalmente na exploração de jogos. O ex-líder do DEM no Senado também afirmou que não suspeitava de qualquer irregularidade. “Como empresário, ele frequentava as altas rodas da sociedade de Goiás”, chegou a dizer.
     
    Atuação da Polícia Federal
    Ambos os casos foram investigados e contaram com o grampo de operações da Polícia Federal. No caso da relação entre André Vargas e Alberto Youssef, as interceptações ocorreram durante a Operação Lava-Jato. Já no caso de Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira, a apuração foi feitas durantes as operações Vegas e Monte Carlo.
     
    Lobby no Congresso
    O petista André Vargas, que se disse um parlamentar “muito influente” no governo, atuou, segundo grampos da PF, para favorecer o doleiro Alberto Youssef em contratos que seriam firmados com o Ministério da Saúde. Youssef criou um empresa supostamente de fachada, o Laboratório Química Fina e Biotecnologia (Labogen), para fonecer remédios. “Cara, estou trabalhando, fica tranquilo, acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer tua independência financeira e nossa também, é claro, ‘kkkkk’”, disse Youssef em mensagens.
     
    Demóstenes aparecia em gravações da PF como despachante do contraventor Carlinhos Cachoeira, atuando para aprovar, no Congresso, projeto que legalizaria a exploração de loterias estaduais e tratando de outros interesses do bicheiro na Anvisa, Infraero e ministérios. Demóstenes pediu ainda a vários ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a anulação de um processo contra um aliado do bicheiro. 

    Fonte: Jornal O Globo –

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